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Armadilha de Ace

Armadilha de Ace

Eva Zahan.

4.9
Comentário(s)
986.3K
Leituras
77
Capítulo

Sete anos atrás, Emerald Hutton se afastou de sua família e seus amigos para o ensino secundário em Nova Iorque, embalando seu coração partido em suas mãos, para escapar apenas de uma pessoa. O melhor amigo do irmão dela, que ela amava desde o dia em que ele a salvou dos valentões quando tinha sete anos. Quebrada pelo menino de seus sonhos e traída por seus entes queridos, Emerald aprendeu a enterrar os pedaços de seu coração no canto mais profundo de suas memórias. Até sete anos depois, ela tinha que voltar para sua cidade natal após terminar sua universidade. O lugar onde agora reside um bilionário frio com coração de pedra, por quem o coração morto dela costumava bater. Traumatizado por seu passado, Achilles Valencian se transformou num homem que todos temiam. A queimadura de sua vida tinha preenchido seu coração com escuridão infinita. E a única luz que o tinha mantido são, era sua Rosebud. Uma garota com sardas e olhos turquesas que ele tinha adorado a vida toda. A irmã mais nova do melhor amigo dele. Após anos de distância, quando finalmente chegar a hora de capturar a luz dele em seu território, Achilles Valencian começará seu jogo. Um jogo para declarar o que é dele. Será que Emerald consegue distinguir as chamas de amor e de desejo, e encantos da onda que uma vez a inundou para manter seu coração seguro? Ou ela vai deixar o diabo atraí-la para sua armadilha? Porque ninguém jamais conseguiu escapar de seus jogos. Ele sempre consegue o que queira. E este jogo é designado pela Armadilha de Ace.

Capítulo 1
Prólogo

Enquanto eu encarava a menina que estava diante de mim, pude perceber que os seus olhos nervosos por trás daqueles óculos de aro preto também me olhavam fixamente. Com algum cuidado, coloquei uma mecha de cabelo perdida atrás da minha orelha e mordi o meu lábio inferior.

A garota imitou.

Eu pisquei, e ela também.

"Você já terminou, Em?" Uma fala impaciente surgiu de trás de mim. "Pelo amor de Deus! Você não para de fazer isso há cinco minutos! Você está me assustando agora!"

Eu olhei para minha melhor amiga pelo espelho. Com os braços cruzados sobre o peito em tom de reprovação, sentada na beira da minha cama, ela fez uma careta para mim.

Meus olhos novamente foram atraídos para o meu reflexo. "Eu não sei, Beth. Você acha que ele vai gostar da minha aparência?"

"O quê? Depois de passarmos duas horas te arrumando? Sim, é claro que achamos que ele vai gostar da sua aparência. Aposto que ele não vai te rejeitar quando souber que você está apaixonada por ele", disse minha outra melhor amiga, Casie, ao lado de Beth.

Rejeitar. Essa palavra assombrava os meus sonhos há muito tempo e ficava martelando a minha cabeça. Estou esperando por este dia há seis anos. Desde o dia em que ele me disse aquelas palavras. Eu estive esperando desde então.

E se ele me rejeitar hoje... Não sei o que iria fazer da minha vida.

Flashback

"Você será meu príncipe, Ace? Eu quero ser sua princesa", foi o que eu perguntei ao melhor amigo do meu irmão quando ele me deu um vestido da Cinderela como presente no meu aniversário de nove anos.

Ele riu da minha pergunta boba, e aquilo quase quebrou o meu coração. Quando ele percebeu o meu rosto desanimado, logo se agachou à minha frente, olhando nos meus olhos da cor de turquesa com aqueles seus olhos cinzas que mais pareciam uma tempestade. "Voce já é a minha princesa."

"Jura?" A felicidade que eu senti naquele momento não cabia em mim. "Isso significa que você vai se casar comigo?"

Ele mordeu o lábio inferior, depois esboçou um ligeiro sorriso e os seus olhos brilharam com alguma alegria. "Sinto muito, Rosebud! Mas eu não posso."

"E por que não?" Eu fiz beicinho.

"Porque este não é o momento certo. Você ainda é tão novinha..."

"Então, quando será o momento certo?" Eu perguntei aquilo com alguma esperança.

"Quando você finalmente amadurecer, como uma rosa que se transformou a partir de um simples botão..."

Fim do flashback.

Finalmente tinha chegado o dia em que eu me transformei em uma rosa. Na altura em que ele me disse aquilo, eu não fazia ideia do que significava. Para não me esquecer, acabei anotando aquelas palavras no meu diário.

Casie disse que já tínhamos idade suficiente para temos um namorado. Bem, já ela teve um namorado aos quatorze anos e, agora que tem o quarto namorado aos quinze anos.

Eu sabia que Ace só disse o que disse naquele dia para não quebrar o coraçãozinho ingênuo de uma pobre menininha de nove anos. Mas não me importava. Eu estava pronta para confessar meus sentimentos a ele hoje. Dessa vez era para valer.

"Em, você está maravilhosa! Eu acho que preferia o seu cabelo mais comprido e ondulado. Mas não faz mal, você também está linda assim", comentou Beth.

Eu cortei o meu cabelo que estava na altura da cintura até ombros e alisei aquelas ondas selvagens para que ficassem bem lisas. Assim como Tess, minha irmã. Ela e meu irmão, Tobias, eram gêmeos. Então, obviamente, Ace era seu melhor amigo também. Uma vez eu o ouvi dizer que gostava do cabelo de Tess. Por isso acabei cortando o meu cabelo como o dela. Não exatamente iguais, porque os dela eram loiros e os meus são castanhos.

"O cabelo curto está na moda agora. Além disso, Ace gosta mais deles assim", respondi, verificando se as minhas unhas estavam bonitas. Assim como os cabelos da Tess.

Exatamente como Ace preferia. Por incrível que pareça, todas as namoradas que Ace já teve pareciam com a minha irmã. Lindas e elegantes. Sim, eu tinha ciúmes delas. Mas eu já sabia que todas eram só um passatempo. Quando finalmente estivéssemos juntos, não haveria espaço para mais ninguém em sua vida.

Quando eu pensava naquele assunto, ficava vermelha.

Então decidi ser como elas pegando inspiração da minha irmã. Talvez, se eu fizesse isso, ele poderia me notar.

A mudança na aparência de hoje seria um teste. Eu estava vestida como Tess, com o cabelo da Tess. Eu até estava usando o perfume favorito da minha irmã.

"Esse vestido não é muito curto, Casie?" Embora eu quisesse usar algo como Tess, me sentia super desconfortável com eles. Bem, ela ficava linda com aqueles vestidinhos justos. A minha irmã tinha um corpo invejável, tanto na frente quanto atrás. E eu era uma magricela em todos os sentidos. No fim das contas, acho que as adolescentes de quinze anos não têm normalmente corpos muito esculturais...

"Não é curto nada! Você colocou esse vestido e pronto! Você não quer que Ace te note?" Ela ergueu a sobrancelha.

"Está certo!" Eu disse, respirando fundo. Vamos, Em! Você consegue fazer isso!

"Tudo bem, vamos logo! Caso contrário, vamos perder a entrada triunfal dos seus irmãos", ela disse, enquanto andava para fora.

Hoje o meu irmão mais velho fazia dezenove anos. Todas as festas na família Hutton eram conhecidas por serem grandes eventos. Ninguém queria perder a celebração. Quase metade das famílias mais importantes foram convidadas hoje.

Quando todos nós chegamos ao corredor, eu continuava inquieta. Minhas mãos pareciam suar frio e o meu peito latejava. Eu estava nervosa para o encontro de hoje à noite com Ace. Aquele vestido curto só piorava as coisas porque me deixava muito mais desconfortável.

Vi meu pai e minha mãe no meio daquela multidão toda. Eles estavam próximos um do outro, como sempre. Eles ainda adoravam estar juntos. Mesmo depois de vinte anos de casamento, eles eram perdidamente apaixonados um pelo outro.

Isso me deu alguma esperança. Quem me dera que eu e Ace fôssemos assim algum dia...

"Emmy!" A voz da mamãe interrompeu aquele meu devaneio.

Eu sorri e caminhei em direção a eles.

"Uau! Olhe para você! Minha filhinha está tão linda hoje!", ela escancarava seu maior sorriso enquanto dizia aquilo.

"Você acha?" Eu fiquei um pouco constrangida.

"É claro, querida! Você deveria fazer isso mais vezes!"

Papai ficou quieto. Ele obviamente não estava muito satisfeito por eu me vestir assim. Era o oposto do que eu normalmente usava.

"Você não gostou do vestido que eu te dei, princesa?", ele perguntou.

Eu gostei. Muito. Mas Ace não gostaria disso.

"Claro que sim, pai! Mas...não consegui encontrar jóias que combinassem com ele", menti.

Ele acenou a cabeça.

Mamãe tinha um olhar astuto. Ela sabia, aliás, todos sabiam da minha paixão por Achilles Valencian. O que eles não sabiam é que aquilo era muito mais do que uma paixonite.

Ele se tornou o príncipe dos meus sonhos desde a primeira vez em que eu o vi, quando Tobias nos apresentou, e naquela época eu tinha apenas sete anos. Eu me lembrava daquele dia como se fosse hoje. No dia em que ele me salvou de alguns idiotas na escola, ele se tornou meu herói. E, com o tempo, ele passou a ser tudo para mim.

Eu parei de cobrir as minhas bochechas vermelhas.

Onde é que ele estava?

Eu olhei ao redor. Ele já deveria ter chegado. No mês passado, enquanto jogávamos xadrez, ele me prometeu que estaria aqui hoje. E eu não tenho motivos para duvidar disso, já que Ace sempre cumpriu o que prometeu.

Ele costumava vir aqui todos os dias. Mas depois da tragédia que aconteceu na sua família há mais ou menos um ano, a frequência das suas visitas diminuiu. Ele mudou. Aquele rapaz sempre brincalhão e despreocupado tinha se transformado num Ace perdido e cheio de raiva. Mas comigo ele continuava gentil. Ele vinha nos ver uma vez por mês. Quando isso acontecia, jogávamos xadrez.

A multidão aplaudiu enquanto Tess e Tobias desciam as escadas de uma forma dramática com as luzes todas sobre eles. Tess usava um vestido rosa curto que fazia com que ela parecesse uma fada e Tobias vestia um fino smoking preto. Eles sorriram para as câmeras e para todos enquanto seu grupo de amigos batia palmas e assobiava loucamente.

Ace ainda não tinha dado qualquer sinal.

Decidi dar uma volta no meio das pessoas.

'Onde está você?', eram as palavras que não saíam da minha cabeça.

"Oww!"

Tropecei em uma pessoa e quase caí. Um par de braços me apanhou pela cintura.

"Me descul..." Quando olhei para ver quem era, minha respiração ficou presa dentro da minha garganta.

Aqueles olhos cinza tempestuosos me olharam de volta. Ele tinha finalmente feito a barba, deixando o rosto mais visível. Ace tinha os cabelos pretos penteados para trás e o piercing que normalmente usava na sobrancelha direita não estava lá hoje. Mesmo que houvesse algumas olheiras ao redor dos seus lindos olhos, e ele estivesse um pouco mais magro, ainda era um homem de tirar o fôlego.

"Ros

ebud?" Sua testa enrugou enquanto ele me endireitava. Seus olhos me olharam de cima a baixo enquanto ele mordeu o lábio inferior. "Que roupa é essa?" Era possível perceber o sotaque grego na sua voz.

Isso acontecia sempre que ele estava com raiva.

Meus olhos se arregalaram. Será que ele não gostou da minha aparência?

"O que tem a minha roupa? Não está boa?" Eu mordi meu lábio. "Achei que você gostaria."

Seu rosto parecia ficar ainda mais sério enquanto observava meu cabelo e a maquiagem pesada que eu usava. Mas então ele balançou a cabeça. "Você não precisa da minha aprovação em nada, Emerald. Você usa o que quiser!" Depois disso, ele foi embora.

Meu coração ficou destruído. Eu olhei para mim mesma. O que estava errado com minha aparência? Por que ele foi tão frio?

Ele tem sido assim desde que seu pai morreu. Nossas famílias não eram muito próximas, e sempre preferiram zelar pela privacidade. Então, ninguém realmente sabia exatamente o que tinha acontecido com seu pai. Mas o que quer que tenha acontecido, isso tinha mudado meu Ace drasticamente. Eu ficava arrasada por ele.

Corri como uma louca para trocar de roupa. Coloquei o vestido branco que papai me trouxe e tirei aquela maquiagem excessiva. Quando eu finalmente me reconheci naquele visual simples, desci as escadas.

Ignorando a reprovação de Casie e Beth, fui encontrar Ace novamente.

Meu irmão e minha irmã estavam ocupados conversando com seus amigos, mas ele não estava lá.

"Ei, Em!", Tobias gritou.

Sorrindo, fui até lá.

"Você não está esquecendo de nada, irmãzinha?"

Rindo, eu o abracei com força. "Feliz aniversário!"

Ele me levantou do chão, arrancando um grito de mim. "Cadê o meu presente?", ele perguntou, assim que me colocou no chão.

Tobias amou o presente de aniversário que eu dei. Na verdade, ele amou o bolo red velvet que eu fiz para ele assim que aperfeiçoei minhas habilidades na confeitaria. E Ace também.

"Calma, depois da festa, Tobias! Está na geladeira", respondi, enquanto meus olhos novamente procuravam na multidão.

E lá estava ele, parado em um canto, ao lado de uma mesa. Com uma bebida na mão, ele parecia imerso em próprios pensamentos.

"Feliz aniversário!", foi o que eu disse, enquanto abraçava Tess.

"Obrigada!" Ela se afastou. "Você trocou de roupa?" Seus olhos percorreram meu vestido.

Mark, um de seus amigos, deu um tapa nas costas de Ace, cumprimentando-o. Mas ele o ignorou. Quando Mark foi pegar o copo que estava em sua mão, Ace lançou-lhe um olhar assustador, fazendo-o recuar.

"Sim, mudei! O outro vestido era um pouco desconfortável", eu disse enquanto só conseguia reparar em Ace. Meus olhos se fixaram nele. "Estarei de volta em um minuto."

Quando comecei a me mover, ela pegou meu braço e me arrastou para longe do alcance da voz dos seus amigos.

"Você vai falar com ele hoje, não é?"

Fiquei surpresa com aquelas palavras. Como ela soube?

"Não", ela disse com uma voz assertiva. "Você só vai acabar com o coração partido."

Franzindo a testa, tirei meu braço das suas mãos. "Como é que você sabe? Talvez ele goste de mim também."

"Não seja idiota, Em! Só porque ele é doce com você não significa que ele esteja apaixonado!" Sua voz era áspera. "Você e eu sabemos que ele só se preocupa com você como um irmão, não como um namorado. Portanto, não o envergonhe com sua estupidez. Esqueça isso! Ele já tem problemas demais."

Suas palavras doeram. Sempre temi que aquela bondade de Ace comigo e a sua forma de ser gentil pudessem ser apenas um amor fraternal. Mas, no fundo, senti que havia mais do que isso. Podia ser uma atitude estúpida e absurda, mas o meu coração insistia que eu não devia perder a esperança.

O "não" eu já tenho, certo?

"Eu não vou envergonhá-lo. E você não sabe tudo. Então, por que você não aproveita um pouco a sua festa e me deixa aqui sozinha?" Meu tom foi tão rude como o dela.

Seus olhos azuis brilharam. "Fique longe dele, Emerald. Ele não é o único para você."

Agora ela tinha conseguido me deixar com raiva. "Eu faço o que eu quiser, Tess. Não é da sua conta! Me deixe em paz" Dei meia volta e me afastei.

Assim que cheguei mais perto de onde Ace estava, respirei fundo para me acalmar e arrumei o meu cabelo. Ninguém pode me impedir de falar sobre os meus sentimentos hoje.

"Ei!" Minha voz saiu mansa, ganhando alguma confiança no ar. Eu tinha mil borboletas voando dentro da minha barriga.

Seus olhos cinzentos se ergueram para encontrar os meus. Desta vez, seu olhar não demonstrou desagrado. Mas também não houve nenhum sinal de felicidade. Eles estavam simplesmente frios.

Na verdade, ele estava de mau humor. Será que eu devo fazer isso hoje? Precisei de muita coragem para finalmente me decidir. Eu não sabia se no futuro teria essa mesma coragem.

"Você não vai jogar xadrez comigo hoje, Ace? Estava à espera de outro jogo."

Talvez o seu humor pudesse melhorar um pouco depois do jogo.

Ele pensou por um segundo e então acenou a cabeça. "Sim, parece uma boa ideia. Esta festa está me aborrecendo de qualquer maneira."

Quando ele disse sim, esbocei um sorriso. "Tudo bem, deixe-me ir e preparar o tabuleiro. Na biblioteca, como de costume?"

Ele acenou a cabeça, tomando um gole. "Vou para lá daqui a pouco."

Não conseguindo conter minha empolgação, joguei meus braços ao redor de seu pescoço e o apertei com força. Seu perfume exótico com um toque de fumaça me deixou um pouco tonta. "Vou estar te esperando."

Meu ato repentino o pegou desprevenido enquanto ele ficava rígido. Ele quase não me tocou. Enquanto respirava profundamente, ele me empurrou pelos ombros.

Seus lábios pareciam não se mexer muito e ele se limitou a dizer: "Vá!"

Acenando a cabeça, fui para nossa pequena biblioteca e arrumei o tabuleiro para jogarmos. Eu mal conseguia me conter para não dançar. Eu finalmente contaria tudo o que eu sentia.

Diria a ele que eu o amo.

Dez minutos se passaram e ele ainda não tinha aparecido. Vinte. Não havia nenhum sinal de Ace. Até perdi o corte do bolo para que ele não tivesse que esperar se viesse aqui.

Ele disse que chegaria aqui em alguns minutos.

Soltando um suspiro, decidi me levantar e descer novamente. A festa estava a todo vapor. A maioria das pessoas mais velhas estava parada e havia apenas os mais jovens, dançando, sorrindo e bebendo loucamente.

Vi Casie dançando com meu irmão e Beth bebeu com algumas garotas. Mas eu não conseguia vê-lo em lugar nenhum. A música alta e o cheiro forte de álcool quase me fizeram engasgar.

Onde ele está?

Andando pelo meio daqueles dançarinos, eu caminhei em direção à varanda. Ele também não estava lá. Será que ele se esqueceu do nosso jogo e foi embora?

Mas ele nunca se esqueceu do nosso acordo.

Me sentindo um pouco frustrada, decidi voltar para o meu quarto. Talvez outro dia.

Quando me virei para ir embora, ouvi alguma coisa. Eram uns ruídos estranhos. Eu não tinha entrado totalmente na varanda, ainda estava na porta.

Curiosa, lentamente entrei e olhei para a direita.

Congelei. Meu coração parou no meu peito enquanto minha respiração parecia não ser capaz de oxigenar o meu cérebro. Minhas mãos suavam frio e tremiam enquanto eu observava aquela cena.

As mãos de Ace estavam enroladas firmemente na cintura dela e as dela em seu pescoço; uma mão puxou seu cabelo enquanto suas bocas trabalhavam enlouquecidamente num beijo apaixonado. Eles estavam completamente grudados.

Cada barulho deles se transformava numa farpa que atingia o meu coração e o quebrava em milhares de pedacinhos. Meus pés tropeçaram para trás, enquanto as lágrimas rolavam pelos meus olhos.

Suas mãos passeavam pelo corpo dela enquanto a puxavam cada vez mais para perto. Meu coração doía tanto que precisei segurar meu peito. Um soluço ameaçou escapar dos meus lábios, mas eu pus a mão na frente da boca e fugi.

Corri e corri até entrar no meu quarto. Fechando a porta atrás de mim, deixei escapar tudo aquilo que estava preso. Lágrimas embaçavam a minha visão, e as minhas mãos continuavam no peito.

Meu corpo inteiro parecia doer e se quebrar de uma forma irreparável.

Eu ouvi meus melhores amigos batendo na minha porta e as suas vozes preocupadas ecoavam pelos meus ouvidos. Mesmo assim eu não conseguia falar nada, muito menos me mexer. Tudo o que pude fazer foi deitar no chão no meu quarto escuro abraçando meus joelhos e chorar muito.

As visões deles entrelaçados nos braços um do outro passaram pela minha mente repetidamente, fazendo doer ainda mais.

Ele não sabia do que eu sentia, mas ela sim. Sua traição apenas intensificou a minha dor. A traição de outras pessoas podia ser tolerada, mas a traição de pessoas tão próximas, não.

Como é que ela foi capaz de fazer isso comigo? Como?

Fiquei no chão frio a noite inteira, tentando acalmar o meu coração, lamentando a perda do meu amor.

E o pior de tudo: o amor que a minha própria irmã tirou de mim.

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