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Capítulo

Isabella Rivera, desde muito nova sofreu preconceito por ser fora dos padrões. Durante toda sua vida, ouviu inúmeras ofensas que a machucaram a tal ponto de fazê-la mudar de país. Bella tornou-se uma mulher perspicaz e altruísta, formou-se em moda e se especializou em moda Plus Size, e desde então ajuda garotas a se encontrarem e se aceitarem exatamente como são. Depois de longos dez anos viajando o mundo, Bella está de volta à sua cidade. Linda, gostosa e... ainda fora dos padrões, porém, se amando cada vez mais, há anos prometeu a si mesma, nunca mais se diminuir para caber no molde de ninguém. Depois de sofrer em seu último relacionamento, ela decide não se envolver emocionalmente com homem nenhum, mas tudo muda com sua chegada à sua antiga cidade. Ao se deparar com irmãos Reed, Ryan e Renzo, desejos começarão a surgir e saber que também faz parte dos pensamentos depravados dos seguranças de seu pai, faz ela imaginar e querer eles quase que na mesma intensidade. Ela os deseja fortemente e sabe que não pode ir contra isso. Tudo que lhe resta é entregar-se a luxúria sem pudor e o prazer abrasador que os consomem a cada encontro. 

Capítulo 1
PRÓLOGO

10 anos antes...

ISABELLA

Respiro profundamente, assim que entro pelas portas da sala de aula. Meu coração parece querer sair pela boca. Todas as vezes, em que entro por essa porta, metade da garota que sou, morre.

Isso é complicado quando você é a única menina gorda e bochechuda, no meio das barbies. Desde que comecei a estudar, lá no jardim de infância, sou chamada por nomes horrorosos por conta do meu peso. Lembro-me da primeira vez que fui forçada a ir à escola pela minha mãe, enquanto repetia que não era uma boa ideia, voltei chorando desesperadamente. Meus colegas de sala ficaram o tempo todo soltando piadas e zombando do meu corpo.

Bolota, bolofofo, baleia, era como me chamavam. Obviamente, nunca pelo meu nome, porque a cada segundo eu tinha um apelido diferente.

Sento-me em minha cadeira e observo cabisbaixa a turma chegando e sentando em seus lugares. Liz vem minha direção, saltitante como sempre, esbanjando um sorriso de escárnio quando chega perto o suficiente. Pouso meus cotovelos na mesa à minha frente, olhando-a de soslaio, esperando até que ela resolva começar com as suas gracinhas de sempre. Espero sempre pelo pior, porque se tratando de Liz, a única coisa que sei, é que ela nunca pega leve ao soltar piadas e jogar na roda dos amigos para me esculachar. Isso é o que passo todos os dias, esperando ansiosamente o ano letivo acabar.

Prometi para mim mesma, que não daria bola para todo seu papinho em me desmerecer diante da classe, mas meu coração idiota sente o impacto de suas palavras a cada vez que ela diz o meu nome. É, eu sei o que vocês devem estar pensando, que poderia apenas pegar a cadela e arrastar sua cara pelos asfaltos da cidade, mas não tenho coragem. Além de ser gorda, sou também medrosa.

— Bella, Bella... — Liz puxa uma cadeira e se senta à minha frente.

Meu coração erra uma batida, esperando pela próxima ofensa.

— Liz, por favor, não quero conversa. Estou doente e quero ficar quieta no meu canto. — Jogo a mentira, esperando que ela vá ter um pouco de compaixão, mas tudo que ela faz é rir.

— Oh, que pena. — Ela se levanta e sobe na cadeira, gritando e rindo como a psicopata que sei que ela é. — Vocês ouviram isso, pessoal, nada de mexer com a bolota hoje, ela está doente e não quer se aborrecer. — Gargalha histericamente, todos na sala a acompanham em um coro de gargalhadas. Encolho-me, de cabeça baixa, lágrimas começam a escapar quando tudo que ouço, são os xingamentos. Os mesmos de sempre, dizendo-me que não sou uma garota que deve fazer parte da sociedade e do padrão ridículo que ela impõe, por ter o corpo que tenho, nunca na minha vida irei conseguir alguém que olhe para mim com admiração, porque não tenho nada de interessante a ser mostrado.

— Para com isso, Liz, não quero ter que ir à direção avisar sobre o que está fazendo. — Ela nem se abala, sabe muito bem que seu pai além de ser dono do colégio é também o diretor, o que torna minha vida um inferno total.

— Talvez eu possa dar uma chance a você, Bel

la — Matheus fala, rindo e vindo até onde estou. Suas mãos alisam meus cabelos loiro-escuros e descendo até o meu pescoço. Bato em suas mãos, interrompendo de imediato seu toque asqueroso e nojento. — Você tem dezesseis anos, mas parece que é mais velha do que minha avó, nem que me pagassem não seria capaz de ficar com você. — Ele gargalha, jogando suas palavras aos quatro ventos, destruindo-me como se tivesse levado um soco em meu estômago.

Lágrimas tomam meus olhos, embaçando-os e os deixando turvos. Minha cabeça baixa é sinônimo da vergonha que sinto por tudo que estão falando de mim, como se fosse algum monstro. Pelo canto dos olhos, vejo Maggie se levantar e soltar um grito. Chamando Liz para briga. De todas essas meninas que estão aqui, a Maggie sempre foi boa comigo.

— Eu acho que você é surda, garota? Não a ouviu dizer que está doente. Deixe a Bella em paz, vai cuidar da sua vida. — Maggie a pega pelo uniforme, apertando-a até que seus olhos azuis enormes se arregalam. Liz pede que a coloque no chão, quando Maggie a joga de qualquer jeito, fazendo-a cair. Sem perceber, sorrio um pouco, achando bem feito tudo que a mimada está passando. Todos na sala riem e Liz esbraveja, dizendo que irá até à direção contar para seu pai.

Maggie vem até mim, com um sorriso gigante. Abraçando-a, deixo que as lágrimas escorram pelas minhas bochechas. Meu corpo tremula com os soluços que me escapam.

— Não aguento mais isso, Maggie— digo com a voz angustiada. O cansaço de ser sempre ofendida por todos, me tomando. Não suporto mais isso. — É inadmissível ter que provar para todos que sou boa, e que posso sim encontrar alguém que queira verdadeiramente estar ao meu lado sem me julgar, ou julgar o manequim que visto.

Soluço alto. Maggie me ampara, dando-me conforto. A sala está em silêncio, os burburinhos cessaram.

— Você não tem que provar qualquer coisa a ninguém, Bella. Essa é você, e quem gostar, terá que gostar de você do jeitinho que é. Mande esse bando de idiotas, para puta que pariu. — Ainda que eu esteja triste, Maggie é a única a arrancar uma risada de mim. — Vamos lá, Isabella, você pode mandar toda essa gente ir à merda uma vez na vida. — Sorrio alto, toda angústia que está em meu peito começa a se dissipar.

— Eu posso? — Arqueio uma sobrancelha.

Maggie balança a cabeça, concordando. É o que faço, vou em direção ao Matheus, o mando ir se foder, e afirmo que quem não quer nada com ele, sou eu. Digo umas verdades na sua cara que o deixa de queixo caído. Um a um, digo o que penso, tirando um peso das minhas costas.

Por mais que eu tenha despejado minha ira sobre todos, já tenho a minha opinião e decisão formada, há quase três semanas. Esse será meu último dia nessa sala de aula, não os verei tão cedo.

Irei embora dessa cidade, e por mais que mamãe esteja triste por isso. Por perder sua garotinha, não suporto mais viver o pesadelo de não ser aceita. Irei para os Estados Unidos, tentar uma nova vida.

Uma nova Isabella está prestes a nascer.

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