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Falas silenciosas, pensamentos barulhentos

Falas silenciosas, pensamentos barulhentos

Julia Sena

5.0
Comentário(s)
70
Leituras
5
Capítulo

Escrever é uma forma de organizar pensamentos barulhentos. E aqui há todo meu barulho que não consegui dizer

Capítulo 1
Tímida, anti-social e problemática

Quando eu era pequena eu era muito tímida - Algo que continua até hoje - só que naquela época era muito pior. Eu não falava com ninguém - até mesmo com a minha mãe - a única coisa que eu fazia quando alguém falava comigo era sorrir e balançar a cabeça, tentando de alguma forma mostrar para as pessoas ao redor que eu era educada ou até mesmo gentil, só não falava porque não conseguia ou não estava afim no momento.

Meu pai disse uma vez que achava o fato de eu ser muito introvertida e viver no meu próprio mundo era culpa do casamento, e divórcio, conturbado dele com a minha mãe.

Eu não podia negar que talvez isso pudesse ser verdade, apesar de não lembrar muito como era o meu jeito e minha personalidade durante o casamento dos meus pais, antes do divorcio.

Eu me lembrava de como era viver com os meus pais no mesmo teto.

Nenhuma cena feliz. Apenas brigas, gritarias, traições e quase agressões - se você pensar pelo pouco que me lembro.

Foi bem difícil. Eu não tinha ninguém para conversar na época. Eu só tinha 6 anos, estava passando por coisas que nenhuma criança que era do meu convivio passava.

Meu avô tinha sofrido um AVC, ficando entubado no hospital por 6 meses e os meus pais sempre brigando. Minha mãe desesperada na época, porque ela não sabia como ia fazer para cuidar do meu vô, trabalhar, cuidar de mim, sustentar duas casas ao mesmo tempo, sozinha. Minha avó largando o emprego e dedicando o seu tempo inteiro para ficar ao lado do meu

avô - e foi o que ela fez, até o final da sua vida.

E o meu pai, bom...eu não me lembro muito bem o que ele passou, mas pelas conversas e historias que a minha mãe me contou, ele até ajudou no ínicio, mas não aguentou o fato da minha mãe ter outras prioridades na vida dela e não ter tempo mais para ele, e se mandou. - não totalmente, ele só sai de casa mesmo.

Mas esse não foi realmente o motivo do divórcio dos dois e muito menos foi escolha do meu pai que o casamento acabasse, só para deixar claro. A história é muito mais longa e muito complexa para ser explicada em um parágrafo só.

Eu não tinha muita coisa para fazer nessa situação - até porque eu não podia fazer muito com 6 anos - então eu só ia para a escola e brincava com os meus amigos, tentando o máximo esquecer o que se passava comigo e guardando profundamente todas as minhas dores. Ninguém podia fazer nada por mim e muitos nem se importavam, já tinham seus problemas para se preocuparem.

Foi então que eu aprendi, desde de cedo, a guardar tudo que sinto, penso. Quando alguém me machuca, me ofendi, eu guardo para mim. Todas as minha dores, eu guardo para mim.

Foi aí, que eu virei a garota quietinha, que quase ninguém escuta a voz. Tímida. Introvertida. Anti-social. Sei lá, escolhe um.

E depois de 11 anos, ainda continuo assim.

Eu não gosto muito, mas eu não consigo mudar. já tentei, várias vezes.

É como se fosse um bloqueio, eu tento mas não consigo.

Então, já me acostumei.

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