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Capítulo

LIVRO 2 (Sequência do livro - O GOLPE) Renata consegue dar o golpe perfeito em Banks, mesmo com o coração em pedaços por deixar Fábio. Mas como será o depois, dessa nossa linda e apaixonante golpista?

Capítulo 1
-1

NARRAÇÃO RENATA

A correria começa e apenas me sento em uma das poltronas. Betina grita em meu ouvido sem parar e minha cabeça parece que vai explodir.

- Apertem os cintos para a decolagem.

- Esquece a porra do cinto e sobe essa merda!

Grita para a aeromoça e o jatinho começa a andar.

- Que porra você fez? Fábio vai te procurar até no inferno. Você tem noção da merda que fez deixando ele vivo? Você...

- Cala a porra da sua boca!

Grito e ergo minha cabeça.

- Calar a boca? Acha mesmo que vou fazer isso? Ele me viu!

Viu meu rosto e vai me procurar.

- Se ele te procurar entrega onde estou.

- Acha que vai ser simples assim? Acha que só dizendo onde está ele vira as costas e some?

- Acho! Ele quer a mim, a minha cabeça. Então passa a porra dos seus planos pra ele e deixe ir atrás de mim.

- Você conseguiu foder o plano no final dele.

Se joga na poltrona a minha frente.

- Estamos com o dinheiro e indo embora de Seattle. Não vejo nada fodido aqui.

- Por que você não matou o Fábio?

- Sério?

Digo irônica e Betina espera por uma resposta.

- Não sou uma assassina, sou uma golpista.

- Uma golpista treinada para eliminar pessoas que possam ser um perigo no golpe e depois dele.

- O fato de ser treinada, não significa que sou assassina. É questão de sobrevivência e não de se livrar de pessoas. Fábio não era uma ameaça de morte.

- Agora é!

Me jogo no encosto da poltrona e pela janela vejo que já estamos voando entre as nuvens.

- Eu sei porque não o matou.

Olho pra Betina que não parece querer me deixar em paz.

- Você se apaixonou de verdade. Se envolveu tão profundamente com Fábio, que aposto que imaginou como seria se ele te perdoasse e sumisse com você.

Fecho meus olhos e a imagem dele me pedindo em casamento martela em minha cabeça.

- Você achou mesmo que teria um futuro com ele? Que te perdoaria por tê-lo usado e quase o matado? Acha mesmo?

Grita comigo e abro meus olhos.

- Que merda você pensou, Renata?

- Eu não pensei! Pela primeira vez em um golpe, deixei meu coração me guiar. Não precisava matar o Fábio para finalizar o golpe. Só precisava dele fora do meu caminho e consegui.

Betina fica me olhando.

- Mas agora ele vem atrás de você.

- Foi por essa razão que me tornei golpista. Sabe disso! Para que pessoas venham atrás de mim.

- Um golpista desaparece para o mundo após o golpe. Você está fazendo o oposto. Está deixando um rastro e isso pode ser perigoso.

- Você sabe os meus motivos.

Levanta de sua poltrona e pega uma mala.

- Aqui estão seus passaportes falsos, mude seu cabelo conforme as fotos que alterei.

Abro a mala e pego o primeiro passaporte. Abro e bufo.

- Ruiva?

- O kit de pintura está no banheiro do jatinho. Você será Geórgia e ficará na Nova Zelândia por quinze dias.

Puxo os passaportes seguintes.

- Depois irá para Argentina, ainda ruiva e se chamará Penélope.

Reviro os olhos, porque me odiei ruiva no golpe em São Francisco.

- Seu terceiro país será Turquia e cortará curto o cabelo.

- Não vou cortar meu cabelo.

- Use peruca então. o importante é sumir.

- Natalina? Sério?

Betina está sorrindo e sei que fez para me irritar.

- Um lindo nome.

O quarto passaporte me leva para Rússia.

- Adelina?

- Nomes lindos.

Serei um camaleão por seis meses, conforme os passaportes. Percebo que nenhum deles me leva a Tailândia.

- Por que esses países?

- Porque sim! Nem pense em mudar o que fiz.

Me olha furiosa.

- Certo!

Me explica sobre o dinheiro e as contas que vamos usar para que eu possa me manter nesses lugares. Me orienta sobre como vamos nos comunicar para não rastrearem nada.

- Renata Schneider está morta há três anos. Se lembre disso!

- Me lembro todos os dias, quando entrei para o mundo dos golpistas.

- Ótimo!

Na minha frente rasga uma ficha.

- Há uma hora seu corpo foi encontrado em um carro. Há uma hora Vivian foi dada como morta.

Vejo os papeis picados em sua mão.

- Ela não existe mais.

Pela primeira vez sinto tristeza em matar um personagem criado para um golpe. Vivian com toda a certeza do mundo marcou a minha vida, meu coração.

- Preciso de um outro golpe.

- Renata, não começa!

- Não vou aguentar sumir por seis meses assim, sem fazer nada.

- Não fode com tudo.

- Então vai você quicar entre países a cada quinze dias.

- Melhor isso que ter uma bala estourando sua cabeç

a ou seu peito. Isso é para te manter viva. Banks e Fábio não vão aceitar sua morte. Na hora vai saber que é mentira. Ele te viu fugindo.

- Para de se preocupar com o Fábio, foca no Banks.

- Você acha mesmo que os dois não vão se unir pra pegar você?

- Não acho que isso vai acontecer. Banks culpará o Fábio por tudo e provavelmente o mandará embora. Se acontecer de virem atrás de mim, será cada um por si. Então apenas fique de olho no Banks, deixa o Fábio em paz.

- Quer dizer que devo deixa-lo vir atrás de você?

Não respondo e olho para a janela. Será que ele viria atrás de mim? Será que me mataria?

- Não crie a ilusão de que ele te perdoaria. Fábio não é o tipo de homem que perdoa algo assim.

- Apenas cuide do Banks e o mantenha longe de mim.

*******************

CINQUENTA E NOVE DIAS DEPOIS DO GOLPE

Entro no aeroporto, pronta para mais um destino. Mantive meu cabelo castanho natural, estou cansada de mudar minha aparência. Segundo Betina, Banks está rodando e rodando como peru tonto, sem saber como me caçar. Não me entregou a polícia, porque o dinheiro roubado era ilícito. Teria que explicar as contas fantasmas e isso significaria assumir que roubava sócios e outras empresas. Sem dinheiro não tem como pagar bandidos para me caçar. Ninguém aceitou ajuda-lo, por ser um escroto. Então está tentando não perder a empresa e voltar a ganhar dinheiro. Aurora, Jorge, Sawyer e Marcela estão morando na Inglaterra, em paz. Betina está cuidando deles de longe. A única pessoa que não faço ideia de como está é Fábio. Betina não me passa nada e isso vem me matando por dentro.

- Senhora!

A atendente da companhia aérea me chama. Segundo o roteiro da Betina, devo partir para Rússia.

- Qual o destino?

Olho para os destinos com partidas próximas. Avião para Rússia sai em duas horas. Meus olhos seguem para outro país.

"- Você imaginou sua vida de outra forma?

Pergunto e ele não responde.

- Alguma vez desejou fazer, não fazer, viajar, sei lá.

- Se eu pudesse escolher, largaria tudo para rodar o mundo viajando.

- Para onde iria?

- Começaria na Tailândia.

- Sério?

- Sim! Levaria você comigo na viagem. Seriamos dois loucos transando loucamente pelo mundo.

Ele está me incluindo em seus planos. Isso não pode ser só jogo dele para me pegar. Ele deve estar tão confuso quanto eu nisso tudo.

- Vamos fazer um acordo?

Ergue a cabeça e me olha.

- Daqui dois meses estaremos na Tailândia."

A lembrança do barco, em um dos nossos momentos juntos surge em minha mente.

- Qual o destino?

A atendente pergunta novamente e recolho meus documentos.

- Tailândia!

Betina pode ter rasgado minha ficha e ter me colocado como morta, mas os documentos ainda existem e espero que consiga usa-los. Pego os documentos em nome de Vivian e dou a atendente. Ela olha a foto loira e sorri.

- Ficou melhor morena!

- Obrigada!

Consigo a passagem e pago com dinheiro.

- Embarque em quarenta e cinco minutos.

- Obrigada!

Pego a passagem e meus documentos de volta e sigo para o portão de embarque. Meu celular treme e retiro do bolso, tentando não derrubar nada do que seguro. É um email da Betina.

De: Betina

Para: Adelina

Gostaria de saber porque Adelina não está embarcando para Rússia. E o mais importante é como Vivian morta há seis meses está viajando pra Tailândia?

Não respondo e volto o celular para o bolso. Só espero não estar fazendo merda.

********************

DOIS DIAS DEPOIS

Faz dois dias que estou hospedada em um hotel na ilha Ko Samui na Tailândia. Nada dele aparecer e acho que ou desistiu de me procurar, ou não se lembrou do que conversamos. Saio da varanda do quarto do hotel onde estou hospedada e volto para a minha cama. Já são quase três da manhã e minhas esperanças de que Fábio venha me procurar já morreram. Talvez seja hora de voltar para o meu roteiro. Me agarro ao travesseiro e fecho meus olhos, deixando o sono me levar.

*******************

A claridade é intensa em meus olhos. Abro com calma, tentando me acostumar com a luz forte. Um vulto perto da minha cama me faz abrir os olhos de uma vez e me sento na cama, assustada.

- Fábio!

Ele está parado em pé, de frente pra mim e me aponta uma arma. Queria poder decifrar o que se passa em seu olhar, mas ele parece vazio.

- Eu...

Paro de falar quando destrava a arma e fecho meus olhos.

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