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Brincando com fogo!

Brincando com fogo!

Bre Macedo

5.0
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Leituras
18
Capítulo

Uma publicitaria determinada, um chefão do ramo, a convivência conturbada entre eles e a descoberta dos seus sentimentos. Sempre ouvimos que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio, Edward e Diana descobrirão que isso é totalmente verdade.

Capítulo 1
COMO MINHA HISTÓRIA COMEÇOU.

Eu sempre soube que para ser a melhor eu teria que espelhar nos melhores e me destacar entre os demais, teria que trabalhar incansavelmente para conseguir alcançar os meus objetivos e metas, trabalhar com Edward Harris me proporcionou uma visão única de como os vencedores vivem e sobrevivem no mundo corporativo.

Edward era um homem jovem, aparentemente amargurado com a vida e que havia construído um grande império com base no seu esforço, ele era um empresário brilhante e bem sucedido. Não eram só os seus atributos intelectuais e seu completo sucesso no mundo da publicidade que faziam dele o cara mais disputado em Los Angeles, o seu rostinho angelical e o bumbum delicioso também faziam parte do pacote.

Eu me lembro da primeira vez que o vi, na entrevista de emprego, ele é alto mas não de um jeito desengonçado, tinha cabelos pretos meio longos que raspavam no colarinho da camisa social branquíssima, os olhos eram cor de avelã e os lábios eram vermelhinhos demais, eu senti vontade de lamber aquela boca desde que a vi pela primeira vez.

Outra coisa que precisam saber sobre o Edward é que ele não costuma desistir tão facilmente, eu diria até que ele nunca desistiu de nada na vida, ele é intimidador simplesmente por ser quem é, eu demorei um pouco pra entender que não tem pra onde fugir quando Edward Harris está atrás de você, querendo você.

Quando eu comecei a trabalhar na EHpublicity eu era um pouco ingênua demais, condescendente demais para esse ramo, eu havia acabado de me formar e estava extremamente animada e ansiosa com meu novo emprego, a entrevista foi estranhamente tranquila, apesar de me sentir completamente intimidada com a postura fria e distante do Senhor Harris, eu consegui passar pela entrevista ilesa, e ainda o deixei impressionado com varias das minhas respostas naquela tarde, eu tinha arrasado.

Já se passavam 2 meses desde que eu chegara na agência de Publicidade de Edward Harris, uma das maiores do país, lidávamos com contas enormes de empresas multimilionárias, e posso dizer que nunca deixamos a desejar no desenvolvimento das campanhas publicitarias.

Então, eu era uma mulher de 22 anos, que havia acabado de sair da faculdade, morando na cidade dos sonhos e com o emprego perfeito pra mim, eu tinha tudo que eu precisava, certo? ERRADO.

Desde a infância eu sempre tive uma necessidade enorme de ser aceita e amada por todos a minha volta, com a adolescência isso só se intensificou, então quando eu sai do meu habitat natural para explorar novos lugares, eu me senti totalmente como um peixe fora d’água, eu tinha certeza que meus pais e meus amigos me amavam incondicionalmente, mas e aquelas pessoas que eu mal conhecia, que conviveriam comigo o dia todo no trabalho? Elas iriam gostar de mim?

Quando cheguei a California eu estava realmente tentando encontrar o meu caminho e me tornar uma grande executiva da indústria publicitaria, ali era o meu lugar, e apesar de todas as inseguranças que tive durante esse processo, nada me fez crescer mais do estar aqui, e as pessoas que conheci nos últimos meses me fizeram sentir como parte de suas vidas, o que aliviou todos os meus temores.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Eu havia voltado do almoço há poucos minutos, então ouvi alguns barulhos vindos da sala do Senhor Harris, parecia que alguém estava revirando todos os seus arquivos e os jogando com raiva por toda sala, além do som claro de gavetas sendo fechadas com muita força, resolvi ir até sua sala que ficava no fim do corredor, bem próxima a minha, talvez ele estivesse precisando de algo e eu pudesse ajudar.

Cheguei na porta de sua sala e não encontrei sua secretaria Betty em sua mesinha na recepção, como de costume. Betty era a terceira secretaria de Edward nos últimos 2 meses, o cara não era exatamente fácil de lidar. Parei por uns instantes diante de sua porta fechada e respirei fundo, eu não o que me esperava de trás daquela porta. Tomei coragem e resolvi bater, o barulho do outro lado da porta cessou, e pude ouvir sua voz grave autorizando minha entrada.

Levei a mão a maçaneta e abri a porta com cuidado, o que diabos poderia estar acontecendo ali dentro. Ao abrir totalmente a porta pude vislumbrar uma cena bem parecida com a que já tinha imaginado na minha cabeça, os arquivos estavam realmente espalhados por toda a sala, e haviam papeis e pastas por todo o lugar.

Entrei em sua sala e fechei a porta atrás de mim, Edward levantou uma das sobrancelhas ao me ver de pé em sua frente, eu não costumava procura-lo em sua sala, normalmente tratávamos de tudo nas reuniões de equipe.

-Posso ajuda-la Senhorita Allen?

Ele esta

va visivelmente irritado com a interrupção, então me apressei em responder:

-Eu ouvi o barulho vindo da sua sala Senhor Harris, e vim ver se precisava de ajuda?

Ele ri ironicamente, um riso sem emoção nenhuma.

-Você quer me ajudar Senhorita Allen? – eu assenti com a cabeça e ele prosseguiu.

-Me arrume uma secretaria que seja competente, uma secretaria com quem eu não precise me aborrecer todos os dias por ela simplesmente não fazer o seu trabalho como deveria ser feito.

Resolvo perguntar sobre a Betty, mesmo sabendo que isso não é uma boa ideia, a pobre mulher provavelmente estaria no RH agora assinando sua demissão, mas enfim, eu precisava saber o que aconteceu.

-Hum, e quanto a Betty?

Ele respirou profundamente antes de responder.

-A Betty é uma incompetente que conseguiu excluir todo o nosso trabalho envolvendo a campanha do Bruce James, e como você já sabe essa merda tem que ser lançada até o inicio da próxima semana, pois combinamos esse prazo com o cliente, e ele espera lançar sua nova coleção de roupas com uma campanha publicitaria enorme e bem elaborada, campanha essa que toda a equipe passou semanas preparando.

Eu não podia acreditar nisso, nós trabalhamos incansavelmente por dias e noites sem parar para concluir esse projeto antes do feriado, todos tinham dado tudo de si para que tudo saísse perfeito, a maioria de nós já tínhamos feito planos para o feriado, eu não, mas grande parte da equipe já tinha planejado viagens familiares, encontros românticos, comemoração das bodas de prata. Isso iria acabar com o feriado de todo mundo.

Eu sei que talvez essa seja a pergunta mais idiota para fazer em um momento como esse, mas eu precisava saber.

- Não é possível recuperar o arquivo eletrônico de alguma forma?

Ele me olhou como se não tivesse entendido minha pergunta, e eu queria que ele não tivesse entendido mesmo, assim eu podia fingir que não perguntei aquilo.

-Senhorita Allen, você acha que se existisse alguma forma de reaver esse arquivo, eu já não teria feito isso? Você acha que eu estaria revirando meus armários atrás de algo que nos ajudasse a refazer a campanha, caso eu soubesse como recuperar essa droga de documento?

Ele estava realmente aborrecido, eu havia o visto assim só uma vez, quando a equipe de artes visuais fugiu da proposta comercial da empresa e criou uma identidade visual tosca para a campanha que estávamos fazendo.

Eu respirei fundo, e resolvi agir para resolver a situação, eu estava tão frustrada quanto ele, essa campanha havia me custado tempo, dedicação e noites em claro planejando cada detalhe.

-Bom, o que podemos fazer para resolver a situação, Senhor Harris?

Ele parecia realmente esgotado por toda a situação, quando se dirigiu a mim para dizer o que faríamos, ele realmente parecia contrariado com sua decisão.

-Não há muito o que fazer, eu terei que manter toda a equipe trabalhando sem parar nisso, inclusive no feriado. O Bruce não costuma ser tolerante com atrasos, e sinceramente nem eu me permito aceitar atrasos nessa empresa.

Que grande merda, então era isso? Todo o trabalho que havíamos feito nas ultimas semanas havia ido pelo ralo, e nos só podíamos nos despedir do nosso descanso e trabalhar o dobro para recuperar o que já havia sido feito. Eu não havia planejado nada, mas a maioria dos meus colegas já haviam se programado para coisas importantes, muitos já haviam comprado passagens aéreas ou feito reservas em hotéis, e todos teriam que desmarcar seus compromissos.

- Eu não acho que a equipe vai receber muito bem essa notícia, Senhor Harris. A maioria do pessoal já fez planos há semanas para esse feriado, e sinceramente, todos nós trabalhamos duro demais nesse projeto.

Ele passou os dedos pelo cabelo, claramente irritado com tudo isso.

-Sim, Senhorita Allen, todos trabalharam duro nesse projeto, mas não há o que fazer, a minha empresa não vai deixar de entregar uma campanha desse nível por causa de um feriado, que vocês refaçam seus planos pois quero todos vocês nessa agência nesse 4 de julho.

Eu fico paralisada no lugar, plantada sob meus pés, absorvendo suas últimas palavras.

-Agora, se não se importa, eu gostaria que saísse da minha sala e voltasse ao seu trabalho.

Eu engulo suas palavras e me viro para sair de sua sala o mais rápido possível, antes que eu gire a maçaneta ele me chama pelo nome.

-Diana, é bom que já avise aos seus colegas sobre a mudança de planos para o feriado, acho que eles podem ficar aborrecidos se forem informados muito em cima da hora.

Ele ergue um dos cantos de sua boca, o esboço de um pequeno sorriso de satisfação.

QUE BABACA.

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