“Eu estava grávida de nove meses. O meu marido, Marcos, era um bombeiro, o pilar de segurança da nossa família. Construíamos sonhos para o nosso filho por nascer. Até que o cheiro a queimado me acordou. Fumo denso invadia o nosso apartamento no décimo segundo andar. A minha mãe, Laura, doente, tossia sem parar. Liguei ao Marcos, a voz embargada pelo pânico: "Marcos! Há um incêndio! Estamos presas!" Ele respondeu com indiferença brutal: "Estou ocupado. A Helena tem uma fuga de gás." Helena, a sua meia-irmã. Ele desligou a chamada. Abandonou-nos no inferno em chamas. Resgatada por outros, acordei no hospital para a verdade mais devastadora. O meu bebé, o nosso filho, não sobreviveu. Morto pela falta de oxigénio. Quando Marcos apareceu, não veio com arrependimento. Ele culpou-me: "Vês o que fizeste? Causaste este drama!" O pai dele, Ricardo, ligou a reforçar as acusações, chamando-me ingrata. A culpa pela morte do meu filho recaiu sobre mim. A injustiça era insuportável. E a traição... O homem que devia proteger-nos escolheu uma mentira descarada à vida da sua família. Mas, naquele momento de desespero, algo nasceu dentro de mim. A Sofia ingénua, que sempre cedeu, morreu no fogo com o meu filho. Agora, não tinha mais nada a perder. Eles iam descobrir o quão perigosa uma mulher sem nada a perder pode ser. Era a hora da minha vingança.”