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O Acerto de Contas de Clara

Capítulo 2 

Palavras: 290    |    Lançado em: 24/06/2025

ia foi um borrão de

aradas, um mar de carros e

de dor. O paramédico segurava a m

a celebrar um golo enquanto o

pital de Santa

bservação. As enfermeiras moviam-se à min

om um ar séri

mpo é que a b

talvez mais

imento. O ritmo cardíaco está a baixar. T

processar. Assenti,

z fria por cima de mim foi a última cois

silencioso. A dor na minha barri

da cama. Cheirava a

m sorriso lar

ogo do caraças! Então, c

le, a mente

édica entrou. O seu ro

ra o Leo, de

Fizemos tudo o

airaram no ar, pes

mora em chegar ao hospital, o bebé sofreu uma

do Leo d

ficou em

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O Acerto de Contas de Clara
O Acerto de Contas de Clara
“A minha bolsa de águas rompeu, em ponto. Era o dia que mais antecipei: o nascimento do nosso filho. Liguei ao Leo, o meu marido, mas ele estava imerso na final da taça de futebol. A sua voz soava irritada, a sua irmã, Sofia, riu ao fundo: "Ela está outra vez com essas coisas? Relaxa!" Ele desligou, deixando-me sozinha com as contrações a apertar. Cheguei ao hospital, mas a demora foi fatal. O nosso filho não sobreviveu. Leo chegou, cheirando a cerveja e a vitória, indiferente à nossa tragédia. Em vez de consolo, recebi acusações: "Por que não chamaste a ambulância mais cedo, Clara?" A sua mãe, Helena, e a irmã, Sofia, cercaram-no, culpando-me pela morte do meu próprio filho. Eu era a mãe negligente, a esposa histérica, o bode expiatório da sua crueldade casual. Ele chorou pelo "meu filho", nunca pelo "nosso". Naquele momento, percebi que estava completamente sozinha no mundo. Mas a dor ainda não tinha atingido o seu pico. Enquanto arrumava as delicadas coisas do bebé, a verdade mais suja veio à tona. Descobri extratos bancários, contas secretas, provas da sua verdadeira e sistemática traição. Despesas luxuosas para a Sofia: joias caras, viagens de luxo, até o sinal de um apartamento – tudo pago com o dinheiro que ele me disse que não tínhamos. E a revelação mais fria: um e-mail onde ele descrevia a morte do meu filho como um "dia de merda", mais preocupado com a vitória do Benfica. O jogo de futebol não foi um incidente isolado. Era um sintoma da sua devoção cega à irmã. Foi a última peça do puzzle: a doença era a Sofia, e eu era apenas um incómodo. O luto não me quebrou; endureceu-me e entregou-me uma clareza gelada. "Eu quero o divórcio", disse, as palavras firmes e calmas, uma promessa. A guerra cruel pela minha liberdade tinha acabado de começar.”
1 Introdução2 Capítulo 13 Capítulo 24 Capítulo 35 Capítulo 46 Capítulo 57 Capítulo 68 Capítulo 79 Capítulo 810 Capítulo 911 Capítulo 10