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Cicatrizes de Concreto

Capítulo 3 

Palavras: 383    |    Lançado em: 26/06/2025

epois, o Pe

vesse a entrar num café. Traz

untou ele, evitando olhar para

di. Apenas

amento o que aconteceu. Foi um dia de l

o", completei,

Não foi de propósito. Como é que eu podia

, mas firme. "Eu gritei por ajuda. T

empre isso!", ele elevou a voz. "Fazes uma te

ntou-se. "Como te atreves a falar assim com ela

que tinha entrado atrá

filho! Ele também sofreu muito co

entender. O Trovão é como um filho para a Sofia. E o Pedro

fil

a como u

Eu era

cio, Pedro", diss

rincar? Depois de tudo o que eu fiz por ti? Vais deitar fo

que me custou a

entes acontecem! Devias estar grata por estare

a a e

z a tremer de uma fúria fria.

a cama. "Vamos resolver isto como adultos. Não podes tomar

to contigo", disse eu, virando o ros

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Cicatrizes de Concreto
Cicatrizes de Concreto
“O barulho da broca de impacto ecoava pelo meu crânio, mas o estrondo que veio a seguir foi o do meu mundo a desabar. Presa debaixo de uma viga de concreto, com a perna esmagada, e a água da tempestade a subir rapidamente. O meu telemóvel, com o ecrã estilhaçado, ainda funcionava. Com a mão trémula, disquei o número do Pedro, o meu marido. A voz da minha cunhada atendeu, leve, quase alegre: "O Pedro está a conduzir. O que se passa?" Consegui balbuciar que o prédio onde eu estava tinha desabado, que estava presa. Então ele veio ao telefone. Gritei: "Pedro! Ajuda-me! Estou presa no estaleiro! O prédio ruiu!" A resposta dele foi fria como o aço. "Helena, para de fazer drama. Estou ocupado. O Trovão está a passar mal." "A minha perna está esmagada, a água está a subir!" "Liga para os bombeiros, eles são pagos para isso." E desligou. O som do "tu-tu-tu" foi mais devastador que o desabamento. Escolheu salvar o cão da irmã em vez de mim. A ironia amarga: o cão chamava-se Trovão, e a tempestade que me matava era uma piada cruel. Quando acordei, a minha perna tinha desaparecido. Amputada. E ele? A sua "preocupação" era com o cão. Vi a foto da minha cunhada nas redes sociais: Pedro abraçando o Trovão, legenda "O meu herói!". Enquanto eu perdia a perna, ele "recuperava do susto". Perdi a perna, mas ele perdeu o meu coração. Eu não queria o dinheiro dele. Eu queria justiça. E o meu advogado tinha uma surpresa para ele: a gravação da minha chamada aos bombeiros e o registo do GPS do carro dele. Ele podia ter chegado a tempo. Mas não se importou. Eu ia provar que a minha vida valia mais do que o desconforto de um animal. E que a minha força não se media em pernas, mas na capacidade de me levantar. Eu era a Helena. E ele ia pagar por ter escolhido o Trovão.”
1 Introdução2 Capítulo 13 Capítulo 24 Capítulo 35 Capítulo 46 Capítulo 57 Capítulo 68 Capítulo 79 Capítulo 810 Capítulo 911 Capítulo 10