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O Tapa Que Mudou Tudo

Capítulo 3 

Palavras: 864    |    Lançado em: 08/07/2025

e surdo, os joelhos absorvendo o impacto. Por um instante, ficou agachada, escutando. Nenhum som v

evagar, depois mais rápido, afastando-se daquela casa que fora

e uma vida de servidão. Ela nunca se sentiu parte daquela família. Era sempre "a sobrinha", a "ór

irmã de sua mãe, a Tia Silva. Maria lembrava vagamente dos pais, do calor do abraço da mãe, da risada do pai.

espensa. Paula ganhava roupas novas, Maria usava as roupas velhas de Paula ou doações da igreja. Paula comia o que q

eles, que deveria significar pertencimento, mas que para ela soava como uma marca de posse, como o gado que é marcado pelo dono. Eles a chamavam assim, "Mar

to doente, com uma febre que não baixava. Sua tia se recusava a levá-la ao posto de saúde. "É só uma

s gemidos, que ameaçou chamar o conselho tutelar. Só então, a contragosto, a Tia Silva a levou. O mé

"Viu o problema que você me arrumou? Gastei dinheiro com remédio

dão. Gratidão por ela ter, no final das contas, a levado ao médico. Gratidão por

ela tin

aridade, era uma forma de manter sua mão de obra barata e obediente por perto. Eles a salvaram da pneumonia não por amor,

ma corrente que eles usaram para prendê-la. "Seja grata, Maria da Silva, nós te de

a. Por muito te

o verdadeiro valor da vida. Não a vida que ela levava, de migalh

seus empregos. Maria olhou para eles, pessoas comuns vivendo suas vidas. Era só isso que ela queria. Uma vi

o centro da cidade. Ela não sabia para onde iria exatamente, mas sabia que tinha

guardara. Sentou-se perto da janela e observou seu bairro ficar p

saudade. Sentiu uma calma profun

reflexo no vidro escuro da janela. "Não por isso. De

ão a um futuro incerto, mas que, pela

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O Tapa Que Mudou Tudo
O Tapa Que Mudou Tudo
“A umidade de São Paulo grudava na pele enquanto eu esfregava a louça, minhas mãos ásperas, como sempre. Meus tios, Tia Silva e Tio Santos, falavam baixo na sala, seus rostos iluminados pela tela de um computador, prometendo dinheiro fácil. Então, o grito da Tia Silva: "Maria! Vem aqui agora. Larga isso aí." Na tela, um site com gráficos exagerados prometia "liberdade financeira", mas para mim, cheirava a golpe. Eles queriam meu nome, meu CPF, para um esquema de pirâmide; o dinheiro inicial eles dariam, eu só teria que fazer o cadastro e passar o controle. Quando eu sussurrei "Eu não quero, isso parece perigoso", o tapa do meu tio veio rápido, ardente, e sua voz furiosa me chamou de "órfã ingrata". A Tia Silva me deu a escolha: "Ou você faz o que a gente está mandando, ou pode pegar suas coisas e ir morar na rua." O medo gelou minha espinha, sabendo que eu era o bode expiatório perfeito, a bomba explodiria no meu colo. Com as mãos trêmulas, digitei meu CPF, sentindo um pedaço da minha alma ser vendido, enquanto eles ditavam as instruções. Então, a escuridão me engoliu, no pátio frio da prisão, após os socos das detentas que perderam tudo no mesmo golpe. Até que abri os olhos novamente, na sala abafada, a luz amarela, o cheiro de mofo e fritura. A voz fria da Tia Silva ecoou: "Você vai fazer o que a gente está mandando, ou então você pode pegar suas coisas e ir morar na rua." Eu pisquei, a dor fantasma ainda em meu corpo, o frio da morte arrepiando minha nuca. Não era um sonho. Eu estava de volta. Eu tinha renascido.”
1 Introdução2 Capítulo 13 Capítulo 24 Capítulo 35 Capítulo 46 Capítulo 57 Capítulo 68 Capítulo 79 Capítulo 810 Capítulo 911 Capítulo 1012 Capítulo 1113 Capítulo 1214 Capítulo 1315 Capítulo 14