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O Retorno de Maria: Sem Arrependimentos

Capítulo 1 

Palavras: 923    |    Lançado em: 08/07/2025

nto que impregnava o ar ao seu redor. Seus ossos doíam, um eco constante dos anos de trabalho duro e sacrifício por uma família que a havia descartado co

pois que ele sofreu uma queda terrível na montanha. Ela passou noites em claro ao lado de sua cama, limpou suas feridas, o alimentou e o ajudou a se recuperar, enquant

les a colocaram neste asilo disfarçado de hospital, com visitas cada vez mais raras e telefonemas cada vez mais curtos. O dinheiro que ela econo

m dia não para visitá-la, mas para pedir o divórcio. Ele segurava a mão de Sofia, sua "alma gêmea", uma mulher que ele conhecia há décadas, a mesma mulher cujo no

uda do que qualquer doença física. Naquele momento, deitada na cama, Maria sentiu um ódio profundo e gelado florescer em seu p

o, as lágrimas secas em seu rosto enrugado. "Se eu tivesse o

tante do monitor cardíaco ao lado de sua cama se tor

grito agudo cor

Alguém m

. Ela estava de pé, suas pernas firmes e fortes, seu corpo jovem e cheio de energia. Ela olhou para as próprias mãos, lisa

a aquele cheiro, aquele som. Era o

de um pequeno penhasco, estava João. Ele tinha dezenove anos,

r de Deus, me aj

rança, machucando o próprio ombro no processo. Esse ato de heroísmo selou seu destino, acorrentando-a a ele

o, do abandono. Lembrou-se do rosto dele ao lado de Sofia, da frieza em seus olho

o instinto de ajudar estava gravado em sua alma. Mas a mulher de setenta anos, a mulher que mo

, ela teria ido para a faculdade, teria se

voz dele estava cheia de uma urgência egoísta, a

passo para trás, cruzando os braços. Seus olhos encontraram os dele, e pela

untou, a voz firme, chocando a

fazer nada, apenas se afastar. O destino, desta vez, não estaria em suas mãos. Ela não seria a salvadora nem a culpada.

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O Retorno de Maria: Sem Arrependimentos
O Retorno de Maria: Sem Arrependimentos
“Aos setenta anos, Maria chafurdava na solidão gelada de um hospital. O cheiro da morte era sufocante, misturado ao ranço de arrependimento e abandono. Seus ossos doíam, um lembrete constante de uma vida de sacrifícios por João e pelos filhos que a descartaram como lixo. A vaga na faculdade de medicina, o sonho de uma vida inteira, foi trocada por noites em claro cuidando de João após sua queda na montanha. Ele prometeu amor eterno, mas essas promessas viraram pó. Os filhos, criados com amor incondicional, a despacharam para aquele asilo disfarçado de hospital, roubando suas economias para luxos próprios. A punhalada final veio de João, seu marido por cinquenta anos. Ele veio pedir o divórcio, de mãos dadas com Sofia, sua "alma gêmea", a mesma mulher que ele sussurrava no delírio da febre. "Ele disse que devia a si mesmo ser feliz em seus últimos anos. E a felicidade dele não a incluía." Até os filhos o apoiaram, chamando-a de amarga, difícil, merecedora da solidão. Naquele momento, um ódio frio e profundo floresceu em seu peito, por todos eles e, acima de tudo, por si mesma, por sua estupidez e sua vida desperdiçada. "Se eu pudesse voltar...", ela sussurrou para o teto, as lágrimas secas. "Se eu tivesse outra chance, eu nunca... nunca mais cometeria o mesmo erro." A escuridão a engoliu, o monitor cardíaco silenciou. Então, um grito agudo cortou o silêncio: "Socorro! Alguém me ajude!" Maria abriu os olhos, ofegante. Ela estava de volta. Jovem, forte, viva. Na montanha. E lá estava ele, João, pendurado precariamente na beira do penhasco. "Maria! Pelo amor de Deus, me ajude! Eu vou cair!" Na vida passada, ela o salvara. Agora, vendo o pânico em seus olhos, ela se lembrou da traição, do desprezo. A garota ingênua queria salvá-lo. A mulher de setenta anos gritava: "Não faça isso. Deixe-o ir. Salve a si mesma." "Por que eu deveria?", ela perguntou, a voz firme e letal, seus olhos encontrando os dele, não vendo mais o garoto que amava, mas o monstro que a devoraria. O passado estava reescrito.”
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