O Doador Tomou Minha Vida
“Eu era Ariela Monteiro, uma magnata da tecnologia, um gênio celebrado no Vale do Silício paulistano, com um marido amoroso, Dante, e um melhor amigo leal, Caio. Meu mundo era perfeito até que uma doença rara e agressiva no fígado ameaçou levar tudo embora. Eles prometeram me salvar, e salvaram. Três anos de luta, um transplante bem-sucedido, e eu estava finalmente saudável, pronta para surpreendê-los. Mas quando cheguei à minha cobertura, um segurança me barrou, alegando que a Sra. Vargas já estava lá em cima. Meu sorriso congelou quando ele me mostrou uma foto: Clara Gomes, minha doadora de fígado, parada na minha varanda, idêntica a mim. O mundo girou. Eu tropecei, bati a cabeça, enquanto a voz de Dante soava no rádio do segurança, mandando ele se livrar da "louca" que estava perturbando Clara, sua "esposa". Eles estavam na minha casa, na minha cama, na cobertura que Dante projetou para mim. Clara, a mulher de quem eu tive pena, aquela que dizia não aceitar caridade, agora estava vivendo a minha vida, com o meu marido e a figura de irmão que eu tinha. A dor na minha cabeça não era nada comparada à agonia no meu peito. Meu marido, meu irmão, eles estavam juntos nisso. A traição era completa. Naquele momento, eu soube que meu mundo perfeito era uma mentira, e eu não passava de um inconveniente a ser administrado.”