“Depois de doar medula óssea para salvar meu irmão, uma complicação raríssima me deixou em coma por cinco anos. Quando acordei, descobri que minha família havia me substituído. Eles tinham uma nova filha, Heloísa, uma garota idêntica a mim. Eles me disseram que meu ciúme doentio por ela causou um acidente de carro que forçou Heloísa e meus pais a se esconderem. Para que eu pagasse por meus pecados, meu noivo, Caio, e meu irmão me trancaram em uma mansão isolada em Morumbi por três anos. Eu era prisioneira deles, sua escrava, suportando suas agressões porque acreditava que meu sofrimento era o preço pela segurança da minha família. Então, um médico me disse que eu tinha câncer de pulmão terminal. Meu corpo estava falhando, mas meus carrascos decidiram por um último ato de "bondade": uma viagem surpresa de aniversário para um resort de luxo em Angra dos Reis. Lá, eu os vi. Meus pais, meu irmão, meu noivo e Heloísa, vivos e saudáveis, bebendo champanhe. Ouvi o plano deles. Minha tortura não era penitência. Era uma "lição" para quebrar meu espírito. Minha vida inteira se tornou uma piada doentia. Então, no meu aniversário, caminhei até a ponte mais alta da ilha, a Ponte Estaiada, deixei para trás meu diagnóstico médico e uma gravação da confissão de Heloísa, e pulei.”