“O cano frio de uma arma pressionado contra a minha cabeça. Eu tinha uma última ligação para salvar a minha vida, e escolhi ela: a minha Isa. Mas a mulher que atendeu era uma estranha. Quando eu disse que iam me matar, que o primo dela, Ricardo, tinha armado para mim, ela foi impaciente. "Não tenho tempo para isso", disse ela, a voz como gelo. "Ricardo e eu estamos finalizando os convites da nossa festa de noivado." Noivos. Com o mesmo homem que me queria morto. Implorei, lembrando-a da nossa vida juntos, da perda de memória causada pelo tratamento que a família dela a forçou a fazer. "Eu não tenho amnésia", ela retrucou. "Lembro de tudo que importa. Você é um mecânico de Ribeirão Preto. Eu sou uma herdeira. Vivemos em mundos diferentes." Ela me disse que amava Ricardo, que ele era seu igual e eu não era nada. O clique do telefone desligando foi mais alto que a arma engatilhando atrás de mim. Eu não tinha mais medo de morrer. A mulher que eu amava já tinha me matado. Assim que fechei os olhos, as portas do galpão se escancararam. Uma dúzia de figuras em ternos pretos desarmou meus captores em segundos. Uma mulher alta, em um terninho poderoso, saiu da luz. Ela me ofereceu uma proposta de negócios: um contrato de casamento. Em troca da minha assinatura, ela me daria proteção, recursos e uma fuga completa. Era a minha única saída.”