“Meu marido, Heitor Ferraz, era o queridinho da Polícia Federal, o negociador heroico que nunca perdia a calma. Para o mundo, éramos o casal perfeito. Então, um assalto a banco deu terrivelmente errado. O sequestrador desesperado agarrou duas mulheres como escudos humanos: eu e a colega de Heitor, Bárbara. Ele deu uma escolha ao meu marido: salvar uma. Pelo megafone, a voz do meu marido ecoou, clara e decisiva para o mundo inteiro ouvir. "Solte Bárbara Salles! Ela é um patrimônio nacional!" Ele correu para abraçá-la, protegendo-a com seu corpo, sem sequer olhar para trás. O sequestrador, enfurecido, virou a arma para mim. Eu vi o clarão antes que o mundo ficasse preto. Acordei no hospital e a primeira coisa que fiz foi ligar para um advogado. Eu queria o divórcio. Mas ele voltou do cartório com uma expressão estranha no rosto. "Temos um problema, Sra. Ferraz", disse ele, deslizando o documento pela mesa. "De acordo com os registros oficiais, este casamento nunca foi registrado. Legalmente, vocês nunca se casaram." Seis anos. Nossa casa, nossos amigos, nossa vida - tudo construído sobre uma mentira. Era tudo por ela. Ele construiu uma vida perfeita e falsa comigo apenas para poder esperar Bárbara voltar.”