“Meu marido e meu filho tinham uma obsessão doentia por mim. Eles testavam meu amor constantemente, cobrindo outra mulher, Kassandra, de atenção. Meu ciúme e meu sofrimento eram a prova da minha devoção para eles. Então, veio o acidente de carro. Minha mão, aquela que compunha trilhas sonoras premiadas, foi gravemente esmagada. Mas Heitor e Antônio escolheram priorizar o ferimento leve na cabeça de Kassandra, deixando minha carreira em ruínas. Eles me observavam, esperando por lágrimas, raiva, ciúme. Não tiveram nada. Eu era uma estátua, meu rosto uma máscara serena. Meu silêncio os perturbou. Eles continuaram seu jogo cruel, comemorando o aniversário de Kassandra com uma festa luxuosa, enquanto eu sentava em um canto isolado, observando. Heitor chegou a arrancar o medalhão de ouro da minha falecida mãe do meu pescoço para dar a Kassandra, que então o esmagou deliberadamente sob o salto do sapato. Isso não era amor. Era uma jaula. Minha dor era o esporte deles, meu sacrifício o troféu deles. Deitada na cama fria do hospital, esperando, senti o amor que eu nutri por anos morrer. Ele murchou e virou cinzas, deixando para trás algo duro e frio. Eu tinha chegado ao meu limite. Eu não iria consertá-los. Eu iria escapar. Eu iria destruí-los.”