“Depois de três anos na prisão por um assassinato que não cometi, meu marido, Alexandre, estava me esperando nos portões. Ele era o cônjuge perfeito e devotado que esteve ao meu lado em tudo, me prometendo um novo começo. Mas quando ele abriu a porta da nossa casa, meu novo começo acabou. Parada no hall de entrada estava Catarina, a amante que fui condenada por matar. "Ela mora aqui agora, Aurora", ele disse, sem nem mesmo olhar para mim. Ele confessou tudo. Os três anos que passei no inferno não foram um erro; foram uma "lição" para me ensinar a não questioná-lo. Ele me deixou apodrecer em uma jaula enquanto construía uma vida com a mulher que me colocou lá. Então, ele me expulsou da casa que ajudei a projetar. O homem que eu amava não tinha apenas traído. Ele havia sacrificado minha liberdade, minha sanidade e minha vida apenas para me colocar no meu lugar. A traição foi tão absoluta que quebrou algo profundo dentro de mim. A mulher que saiu da prisão naquela manhã já estava morta. Em um quarto de hotel barato, sussurrei para a outra pessoa que minha mente havia criado para sobreviver ao trauma: "Eu não aguento mais. Você pode ficar com esta vida. Apenas... faça-os pagar." Quando olhei no espelho novamente, o reflexo que me encarava não era eu. "Não se preocupe", disse uma nova voz. "Meu nome é Ayla."”