“Minha mãe estava no hospital depois de uma mordida de cachorro horrível, então liguei para meu noivo, Caio. Ele deveria ser meu porto seguro. Em vez disso, recebi irritação. Ele estava em Campos do Jordão, numa viagem de esqui com minha melhor amiga, Helena. "O que você quer que eu faça? Volte voando agora mesmo?", ele rosnou, antes de desligar para voltar para a "neve perfeita". O cachorro, descobri depois, era da Helena. A mordida na perna da minha mãe diabética rapidamente se transformou em uma infecção violenta. Mandei uma mensagem para o Caio, atualizando-o, dizendo que ela estava piorando, que estavam falando em cirurgia. Ele não retornou a ligação. Em vez disso, o story do Instagram da Helena foi atualizado: uma foto dela e do Caio, com as bochechas coradas pelo frio, sorrindo em frente a uma lareira. A legenda era um único emoji de coração. Enquanto eles tomavam chocolate quente, minha mãe entrou em choque séptico. Sentada sozinha na sombria sala de espera do hospital, encarando meu celular silencioso, eu soube que ele já tinha feito sua escolha. Ele tinha escolhido as férias. Ele tinha escolhido minha melhor amiga. Ele tinha deixado minha mãe para morrer completamente sozinha. Ela faleceu às 3:17 da manhã. Segurei sua mão até ela esfriar, depois saí para a madrugada cinzenta. Eu não estava apenas de luto. Eu tinha chegado ao meu limite. Eu ia me apagar do mundo dele e queimar tudo até o chão.”