“No dia do aniversário do meu marido, Heitor, eu lhe enviei um presente: o embrião preservado do filho que eu tinha acabado de abortar. Era a minha vingança. Ele havia armado para o meu pai, jogando-o na prisão e levando minha mãe ao túmulo, tudo por sua amante, Âmbar. Quando ele invadiu nosso apartamento, o rosto transfigurado pelo ódio, me jogou contra o balcão. "Sua monstra! Como você pôde destruir nosso filho?" "Você perdeu esse direito no momento em que escolheu a Âmbar em vez de nós", cuspi de volta. Mas meu desafio só trouxe mais horror. Ele me internou em um hospício onde Âmbar, a arquiteta da ruína da minha família, me torturou com eletrochoques, tentando quebrar minha mente. Eu fingi submissão, depois revidei, jogando nós duas pela janela do terceiro andar. Eu sobrevivi; ela ficou em estado grave. Deitada na minha cama de hospital, Heitor não veio com remorso, mas com uma exigência cruel. "Âmbar precisa de um enxerto de tendão. Você é compatível. A cirurgia é amanhã." Ele achou que tinha me encurralado, que poderia me forçar a sacrificar um pedaço de mim pela mulher que me destruiu. Mas enquanto ele saía para consolar sua amante, eu fiz uma ligação. Na manhã seguinte, enquanto ele me implorava para não fazer a "cirurgia", eu fui embora, deixando-o nas ruínas da vida que ele havia estilhaçado. Ele não sabia que aquilo não era uma cirurgia. Era a minha fuga e o começo do fim dele.”