“Meu marido e treinador não atendia minhas ligações há cinco dias. Eu estava em casa. Doente. Cuidando de uma lesão que acabou com a minha carreira. Foi quando o encontrei no perfil de outra mulher. O braço dele sobre os ombros dela. Um sorriso no rosto que eu não via há anos. A vez seguinte que o vi foi no hospital. Ela estava com ele, grávida de um filho seu. Quando meu tornozelo bichado cedeu e eu desabei, ele me ignorou no chão para protegê-la. Meus laudos médicos se espalharam pelo piso, e ela, com um sorrisinho cínico, pisou neles de propósito. Ele não me defendeu. Apenas me chamou de patética por fazer um escândalo. "Você se machucou, Alina", ele debochou, a voz fria como gelo. "Você desmoronou. Você é um desastre." Mas aquele laudo que ela pisou continha meu diagnóstico terminal. Eu tinha meses, talvez um ano de vida. Sem nada a perder, pedi o divórcio e comprei uma passagem só de ida para ver o mundo. Minha vida estava acabando, mas, pela primeira vez, eu ia viver por mim mesma.”