“Recusei uma bolsa integral na USP para seguir meu namorado de dez anos até o Rio de Janeiro. Achei que meu sacrifício fosse a prova suprema de amor, até ouvi-lo rindo com o melhor amigo na cozinha. Ele falava em francês, confiante de que sua namorada "básica" e "simplória" não entenderia uma única palavra. - *Elle était juste une pratique*, - ele zombou, a voz pingando desdém. - Ela foi só um treino. Uma sessão de aquecimento. Só isso. Meu sangue gelou nas veias. Ele continuou, explicando que eu não passava de um "estepe", uma garantia segura para manter a cama quente enquanto ele perseguia seu verdadeiro alvo: uma modelo famosa chamada Bella. Ele afirmou que eu era patética, leal como um cão, e que jamais o deixaria. A ironia? Eu passei anos estudando francês em segredo para impressionar a avó dele. Eu entendi cada insulto. Cada sílaba de desprezo. Não o confrontei. Não fiz um escândalo. Simplesmente caminhei até o quarto, cancelei minha matrícula na universidade do Rio e aceitei a oferta da USP. Quando ele percebeu que seu "estepe" havia sumido, eu já estava em outro estado, e ele estava bloqueado em tudo.”