“Cinco anos atrás, meu irmão Heitor me tirou o sobrenome da nossa família e me expulsou. Agora, eu era uma garçonete com câncer terminal, tentando desesperadamente juntar dinheiro para minha própria urna funerária. Para conseguir o último pagamento, eu me ajoelhei no chão frio da balada para latir como um cachorro pelo dinheiro de um bêbado. Meu irmão viu tudo. Mas em vez de me ajudar, seu rosto se contorceu em nojo. Ele me demitiu na hora, reteve meu último salário e jurou que eu nunca mais trabalharia nesta cidade, roubando minha última chance de morrer com um pingo de dignidade. Ele agarrou meu braço, seus olhos queimando com um fogo frio que eu antes pensava ser reservado para seus rivais nos negócios. "Não me importo se você morrer", ele cuspiu. E naquele momento, eu soube que era verdade. A última centelha de esperança se apagou. Ele havia tirado meu nome, minha saúde e meu futuro. Agora, ele havia tirado até a minha morte. Então, escrevi uma carta, revelando a verdade que ele se recusou a ver por cinco anos - sobre o relógio roubado, a mulher que me incriminou e o câncer que me devorava viva. Depois, caminhei até o rio. Se eu não podia viver com dignidade, minha morte seria a verdade final e inegável.”