“Fui ao consultório médico rezando por um milagre que salvasse meu casamento frio, e consegui: estava grávida. Mas ao chegar em casa, antes que eu pudesse contar a novidade, Orvalho jogou um envelope na mesa de mármore. "O contrato acabou. Busca voltou." Eram papéis de divórcio. Ele estava me descartando para ficar com a ex-namorada que acabara de retornar. Tentei processar o choque, mas meus olhos caíram na Cláusula 14B: qualquer gravidez resultante da união deveria ser interrompida ou a criança seria tomada e enviada para um internato no exterior. Ele queria apagar qualquer vestígio meu de sua linhagem perfeita. Engoli o choro e o segredo. Nos dias seguintes, o inferno começou. Ele me obrigou a organizar a festa de boas-vindas da amante na empresa onde eu trabalhava. Vi Orvalho comer pratos apimentados para agradar Busca, o mesmo homem que jogava minha comida no lixo se tivesse um grão de pimenta. Vi ele guardar com carinho um disco velho que ela deu, enquanto o meu presente, idêntico e novo, estava no lixo. Quando o enjoo matinal me atingiu no meio de uma reunião, Orvalho me encurralou no banheiro, desconfiado. "Você está grávida?" O medo me paralisou. Se ele soubesse, meu bebê estaria condenado. Tirei do bolso um frasco de vitaminas onde eu havia colado um rótulo falso. "É uma úlcera", menti, engolindo a pílula a seco. "Causada pelo estresse." Ele acreditou, aliviado, e voltou para os braços dela. Naquela noite, embalei minhas coisas em uma única caixa. Deixei minha carta de demissão e o anel sobre a mesa. Toquei minha barriga, prometendo que ele nunca saberia da existência dessa criança, e desapareci na noite.”