i, com a voz embargada. "Eu disse para não se mexer", sibilou Dante. Ele estava tenso, com a arma em punho, mas não conseguia ver o atirador, e eu também não. O atirador estava no alto, escondido ent
mo na penumbra, eu sabia que era sangue. "Ele foi atingido!", gritei. Dante disparou quatro tiros em direção ao telhado do prédio do outro lado da rua. Um grito abafado veio de cima, seguido pelo som de um corpo batendo em uma caçamba de lixo de metal mais adiante na quadra. Dante correu até nós, o rosto uma máscara de fúria e pânico. Ele agarrou Lorenzo pelo ombro e o virou. "Enzo! Fale comigo!", exigiu Dante. Lorenzo gemeu, abrindo
o, e mesmo com nós dois o apoiando, foi uma luta. Nós o arrastamos em direção à rua, nossos sapatos chapinhando nas poças profundas. "Você está sujando seu lindo vestido de sangue, Elara", brincou Lorenzo, embora sua voz estivesse ficando fraca. "Não fale", eu disse. "Poupe suas energias." "Ele ainda está discutindo?", murmurou Dante, seus olhos percorrendo os telhados e as esquinas. "Ele está morrendo e ainda tenta ser o centro das atenções." "Pelo menos eu não sou um canalha sem coração", tossiu Lorenzo. "Você está preocupado com ela, Dante?" "Eu disse para calar a boca, Enzo!", a voz de Dante era como um chicote. "Concentre-se em andar." Chegamos à beira da calçada. A rua estava estranhamente vazia. "Ali!", gritei. Um sedã preto estava parado no semáforo vermelho a meio
am. "Gasolina. Elara, não respire!" "Estou tentando!" Puxei a gola do meu vestido sobre o nariz, mas o ar já estava denso com o cheiro. Minha cabeça começou a girar. "Lorenzo, você está bem?" Olhei para Lorenzo. Sua cabeça havia caído para trás contra o banco. Seus olhos estavam revirados e sua mão havia escorregado do ferimento. "Lorenzo?" Eu o sacudi, mas ele não se mexeu. "Dante... eu não consigo..." Minha visão estava embaçada. O carro parecia estar se esticando e se dobrando. "Aguenta firme, Elara", Dante ofegou. Ele
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