“A chuva batia na janela do sanatório como terra caindo sobre um caixão. Eu estava paralisada, presa no meu próprio corpo, assistindo impotente enquanto meu pai, Elmo, assinava a ordem de "Não Ressuscitar" sem sequer olhar nos meus olhos. Ele arrancou o fio da tomada, silenciando o monitor que provava que eu estava viva. Mas o golpe final não foi a falta de ar, foi o sussurro cruel da minha madrasta, Felícia. Ela se inclinou sobre mim, usando meu colar de pérolas favorito, e revelou a verdade: meu "acidente de carro" foi, na verdade, um envenenamento lento pelo chá que ela me servia. Enquanto meus pulmões ardiam, ela riu e despejou o resto da sujeira. Meu noivo perfeito, Brás, já tinha um filho de dois anos com a minha própria irmã. Minha herança não estava pagando nosso futuro, mas sim a conta offshore deles nas Ilhas Cayman. Eu tinha pago por tudo, inclusive pelo meu próprio assassinato. O pânico e a raiva explodiram dentro de mim enquanto a escuridão me engolia. Eu queria gritar, queria me vingar, mas meu corpo falhou. Eu morri sabendo que fui a marionete perfeita. Mas então, puxei o ar com violência. Não estava mais no quarto branco e estéril. Estava cercada por lençóis de seda em uma suíte de luxo. O celular na cabeceira marcava a data: 12 de Setembro. Cinco anos atrás. O dia do meu casamento. Ao meu lado na cama, com uma tatuagem de lobo nas costas, dormia Basílio Delga - o inimigo mortal da minha família, o homem que destruiria a empresa do meu pai. Desta vez, eu não vou fugir envergonhada. Olhei para o homem perigoso ao meu lado e tomei minha decisão. "Acorde, Basílio", sussurrei para o predador adormecido. "Temos um império para queimar."”