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manhãs em que o mundo parecia pesado demais, e eu não tinha energia para encará-lo. Mais um dia de facu
s, deixava pouco espaço para nós. Gabriel ainda dormia profundamente, alheio à minha inquietação. Eu, por outro lado, tinha aprendido a lidar com a solidão desde cedo. A morte da minh
já estava parado na garagem. Lucas estava encostado no capô, com a postura calma que sempre
dia,
cudo, uma maneira de manter distância de qualquer coisa que pudesse me puxar para fora da minha rotina. Lucas ap
silêncio tomou conta. Havia algo nele que me incomodava e me atraía ao mesmo tempo. Não era uma sensação clara, apenas um
omentou de forma casual, como se es
sobrancelh
da sua
o e tranquilo, sem qualquer sinal de ofensa. Era irritante. Como alguém podia permanecer calmo diante da minha indiferença?
voltar para ele. Lucas dirigia com cuidado, os olhos atentos ao trânsito, e de vez em quando seu olhar parecia cruzar o meu no retrovisor, apenas por um instante. Eu não quis admitir, ma
a mente voltava para ele. Lucas não era invasivo, não falava demais. Ele simplesmente existia, ali, com uma presença calma que me fazia sentir que est
lhar discreto, como se esperasse alguma reação minha. Não deu certo. Eu apenas segurei
e disse, com a mes
rmurei, se
Laura e Bela provavelmente tentariam me arrancar um sorriso, me fazer conversar sobre alguma coisa, mas eu não estava pronta para isso. Não queria compartilh
ão acelerar sem motivo aparente. Era irritante e, ao mesmo tempo, intrigante. Eu sabia que nada daquilo deveria me importar. Não agora. Mas, por um instante, eu permiti que meu
es, o pensamento dele invadia minha mente, insistente. Eu neguei, fechei os olhos por um instante e r
estrada já estava me levando a algum lugar... e
o quadro. Mas, como sempre, minha mente insistia em vagar. O lápis girava entre meus dedos enquanto eu tentava fo
que me fazia prestar atenção, mesmo quando eu jurava a mim mesma que não ligava para nada além da minha própria vida. A forma como ele dirigia, o cu
aura e Bela estavam nas últimas filas, cochichando e rindo baixinho, sem perceber que eu estava mergulhada em pensamentos muito mais comple
a tocar meu rosto. Algumas pessoas passavam apressadas, rindo ou discutindo sobre trabalhos e provas. Eu per
ediatamente me dei conta do porquê: era Lucas, estacionando o carro, como se tivesse seguido meus passos sem que eu pe
s e uma agenda cheia. Nada de motorista gato, nada de pensamentos indesejados. E, ainda assim, não co
rriso dele. Era irritante como alguém podia ser tão tranquilo e, ao mesmo tempo, tão marcante sem fazer esforço algum. Eu
érie nova que estavam acompanhando. Eu respondi com breves acenos e murmúrios, sem realmente parti
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