ntiga daquela mansão maldita e de sua própria ganância. A claridade pálida da manhã atravessava as frestas tortas das tábuas envelhecidas, desenhando riscos
vidro embaçado, de onde o vento frio escapava pelas bordas mal vedadas. Por um momento, Corinne permaneceu imóvel, fitando o teto manchado, ouvindo os sons
io dos
o ela se escondiam da guarda real e das mãos famintas da miséria. Não era exatamente um lar, mas era o mais próximo disso que Corinne já tivera. Ali, cada um possuía seu próprio canto conquistado à força, respeito ou necessidade. Alguns protegia
r, cada degrau quebrado, cada esconderijo.
olar ainda
dedos encontraram imediatamente a corrente dourada fundida à sua pele, como
sussurrou,
ra arranhar a própria pele até finas li
te não cedia, era como a
mas terrível. Corinne pressionou a palma contra o peito, e o horror a invadiu quand
coou em sua mente com a mesma frieza d
ente, como se o próprio mundo
o... - murmurou, o gosto das pa
a possuía
ipe D
rdeiro d
a ladra sem nome, sem recursos. Era impossível. Mesmo se partisse naquele instante, não conseguiria atravessar estradas vigiad
como grito, mas como
daquela noite, daquela maldição. Desceu pelo corredor estreito até os fundos do refúgio, onde água aquecida era artigo raro, reservado aos dias de sorte o
o destino, como se água pudesse remover magia. Mas o colar p
o tipo de roupa que a fazia parecer invisível entre plebeias e comerciantes, não uma ladra. Talvez invisibilidade fosse tudo o que lhe restava. Sentou-se junto à janela estreita de seu quarto, observando Belladonna despertar. Das alturas tortas do Refúgio dos Corvos, Corinne via telhado
ais barulhentas. Pessoas cruzavam vielas com pressa incomum. Mercadores abandonavam bancas para co
sava em mapas, rotas, carruagens, mentiras possíveis. Qualquer p
escancarada com violência tão ab
u ofegante, como uma tempe
o, denunciando a corrida frenética escada acima. Sua respiração vinha rápida, qua
tentando recuperar o ar. Falhou, e praticamen
or um instante, achou q
- pergunt
a, ainda tentando recuperar o fôlego. - Entrou pelos portões do l
o cenho se contraindo aos poucos. - Você não disse
são evidente em cada movimento. - Mas, ao que parece, ele resolveu o
das, as pessoas correndo, os cochichos. Então era is
o alcan
cabelos ruivos, ainda tenta
a que você realmente
a. - Dimitri voltou como herói de guerra,
ssível do que
itir, mas a am
am o Refúgio dos Corvos e mergulha
do reino começavam a ser penduradas nas janelas, músicos apareciam nas esquinas improvisando melodias festivas e comerciantes gritavam
archavam de um lado para outro levantando o barro úmido das pedras da rua, enquanto carruagens nobres eram revistadas mesmo carregando os brasões das famílias mais influentes do reino. As entradas laterais, antes negligenciadas durante a madrugada, agora possu
extras observavam
rmurou Loralie, diminuin
carroça carregada de alimentos. - Antes dava para entrar pelo corredor dos fornecedores durante a madrugada. Os guardas dormiam metade do turno e ni
ltou um su
revelando mais homens posicionados do lado interno. Arqueiros, escudos e lanças. O castelo de Bellad
r. Matar Dimitri seria muito mais
ncipal, o som estridente de uma trombeta ecoou pelo centro
jestade! - A voz alta atrav
entre as pernas dos adultos e até bêbados curiosos se empurravam para ouvir. No centro, um homem elegantemente vestido segurava um longo pergaminho adornado com o brasão dourado da família real. As joias em se
vura do príncipe herdeiro Dimitri de Belladonna, que conduziu nossas tropas à vitória e restaurou a paz em nossas fronteira
suspiraram ao ouvir o nome do príncipe, enquanto outras trocavam comentário
uma risada se
lie arqueou uma sob
graç
e exat
irem como se estivessem em um festival de colheita. Seu olhar percorreu a multidão lentamente antes dela completrisada abafada. - Nesse caso, acho
sado para a amiga. - Porque acompanhar escânda
ntre os nobres. O príncipe favorito dos militares, o filho bastardo do rei, o príncipe que vive mais no cam
tes para fazer do que decorar á
ubar aris
atam
mas ele desapareceu rápido quando
mente, aquilo t
adas temporariamente. Coisas pequenas demais para realmente chamarem atenção. Tão insignificantes que nem mesmo Corinne havia parado para ouvir. Ela só ficara sabendo da existência daquele suposto conflito na noite anterior,
o de vitória, muito
adosamente ensaiados. A corte transformava guerras em celebraç
é alguns minutos atrás. Mas, diante de toda aquela hipocrisia, hav
ém-chegado e uma guerra que oficialmente parecia ter começado e terminado no mesmo dia. Os Guardas estavam ocupados controlando o fluxo próximo ao castelo, deixan
o com Loralie, as duas so
o o de qualquer garota comum perdida nas festividades. Mas suas mãos eram rápidas. Um relógio de bolso sumiu do casaco de um homem rico antes mesmo dele terminar de aplaudir os músicos da praça, uma corrente de ouro escapou do pescoço de uma dama tão su
antes ricos, viajantes arrogantes e nobres distraídos demais para perceberem a própria fortuna desaparecendo. Loralie era
oria dos homens daquela cidade. Continuou caminhando pelas ruas movimentadas até que uma melodia familiar alcançou seus ouvidos. Seus passos desaceleraram q
em que reconheceu a melodia. Sem perceber, seus passos passaram a seguir o ritmo da música até a pequena praça. Ali, um
olaris, velho
contagiante que arrancava risos e aplausos da multidão. Crianças se espremiam entre os adultos na ten
ndo surgia a oportunidade e, nas noites mais difíceis, se apresentavam em tavernas decadentes em troca de um prato de comida e um canto minimamente aquecido para dormir. Tudo mudou em uma cidade portuária, durante uma apresentação improvisada diante de um público pequeno e desinteressado. Entre os espectadores, porém, estava uma aristocrata excêntrica que ficou co
sob uma onda de
sorriso surgia em seus lábios. Um dos músicos, Cassian, ergueu os olhos em sua direção
o o bastante para fazer metade d
se tropeçou ao salta
iva?! - exclamou Elias, ain
responder antes de ser pux
rrido! - reclamou Lyra
e cobre que você tinha sid
ancelha enquanto Lyra se afastava do abra
eu considerei aposta
ou Mirelle, surgindo logo atrás dele com um sorriso debochado enquanto c
ma a baixo com diversão descarada. Seus brincos dourados balançavam conforme ela ria, e os olhos escur
fez uma careta. - E
a companhia, ergueu lentamente os olhos do instrumento que afinava perto do palco. Ele es
onfiado. - Você não voltou aqu
a mão ao pei
e levou a mão ao peito, ofendida.
eceu encarando-a em
isse: - Você literalmente roubou um saco
vez! - protestou Co
ra eu achei que tinha perdido o dinheiro, na segundque eu sou ruim roubando am
ra a situação. -
para responder, mas M
acrescentou casualmente, faze
s deuses,
sobre aquilo - Corinne aponto
ndo perseguida por um ganso - Mirelle já estava ri
animal er
ganso,
treinado pe
a esconder o sorriso enquanto fingia continuar afinando o violino. Os integrantes da Sola
ando o alaúde nas costas. - O que
- Corinne de
amente nada - Cassi
á perfeito
istância alguma entre eles. Comentaram sobre cidades distantes, apresentações desastrosas, nob
o estranhos - comentou Darian. - Um homem me pagou cinquenta m
zando os braços. - Um conde tentou me pe
- Corinne arqueo
uma careta horrorizada. - Ele pa
ecomeçaram i
ne, genuinamente curiosa. - Não me parece exatamente o tipo de reino
a do príncipe Dimitri - explicou Lyra - E nossa compan
rpo enrijecer quase
a voz casual. - Belladonna não parece o t
temente sobreviver a guerras, doenças e caos político deixa os nobres
s de outros reinos foram convidados para as festividades. Diplomatas, comerciantes ricos, lordes menores, o palácio vai es
a criados - acr
cado por festas, distrações e movimento constante dentro do palácio. Pela primeira vez d
cida? Provavelmente.
a, tentando soar indiferente enqu
icar hospedados na ala reservada aos artistas
suficiente para Mirelle estreitar os olhos lentamente, observando Cori
e interessada demais
como se tivesse sido arranca
da? Eu? Cla
a enquanto cruzava os braços. - Essa foi provavelme
enorme. - acrescentou Darian s
estão ex
r inocência diante de um guarda - Mirelle inclinou
a vez. - mur
a pensar rápido. Não podia simplesmente dizer "preciso entrar no paláci
ido que ela viajasse com eles. Na época, Corinne rira da ideia. Viver de apresentações parecia instável demais quando roubos rendiam dinheiro rápido, fácil e sem
tentou soar casual - ainda tem
an parou de mexer nas cordas do v
ela como se tivesse ouvido errado
por dois segundos inteir
o tão mal assim?
o deles enquanto tentava parecer tranquila, e respondeu: - M
nar a maldição mortal, o colar demoníaco e o fato de
treitando os olhos para Corinne. O tom despreocupado ainda e
mentou Corinne tentando parecer m
e enquanto colocava o violino sobre o colo. - E o
perguntou Mirell
- acrescen
an parecia sincer
sian inclinou-se um
to para homicídio. Isso é
deu a pergunta. -
deu de ombros e falou: - Ainda est
explodiu em garg
s olhos. - Essa definitivamente é a
ressionado ou preocup
espondeu Mirel
ua pele. Por alguns minutos, era fácil fingir que nada havia mudado. Que ela não estava amaldiçoada, que não precisava assassinar
mbros dela sem cerimônia, pu
nte. - disse com um sorriso caloro
n ergueu um dedo dramaticamente no ar e co
Qu
durante o baile real,
bres bêbados. - ac
aídos. - Elias ent
deixados desacompanhad
terrível de mim - Corinne levou
m duque enquanto dançava c
nel para a amante del
em. - Corinne
te falou, num tom que mist
m sorriso escapou de seus lábios antes que ela soltasse uma risada baix
eio logo depois
nte específico - Cass
o momento de honestidad
inda conta como honesti
elmente conta. -
aram a se espal
u a reclamar dos figurinos novos que a corte exigira, jurando que nobres tinham obsessão por roupas impossíveis de respirar dentro. Elias defendia
na, visível acima dos telhados da cidade como uma sombra colossal. Agora ela tinha uma entrada, tudo o que preci
rer ant
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