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O Coração de Pedra

Capítulo 3 A chegada do príncipe herdeiro e outros velhos amigos

Palavras: 4726    |    Lançado em: 24/05/2026

ntiga daquela mansão maldita e de sua própria ganância. A claridade pálida da manhã atravessava as frestas tortas das tábuas envelhecidas, desenhando riscos

vidro embaçado, de onde o vento frio escapava pelas bordas mal vedadas. Por um momento, Corinne permaneceu imóvel, fitando o teto manchado, ouvindo os sons

io dos

o ela se escondiam da guarda real e das mãos famintas da miséria. Não era exatamente um lar, mas era o mais próximo disso que Corinne já tivera. Ali, cada um possuía seu próprio canto conquistado à força, respeito ou necessidade. Alguns protegia

r, cada degrau quebrado, cada esconderijo.

olar ainda

dedos encontraram imediatamente a corrente dourada fundida à sua pele, como

sussurrou,

ra arranhar a própria pele até finas li

te não cedia, era como a

mas terrível. Corinne pressionou a palma contra o peito, e o horror a invadiu quand

coou em sua mente com a mesma frieza d

ente, como se o próprio mundo

o... - murmurou, o gosto das pa

a possuía

ipe D

rdeiro d

a ladra sem nome, sem recursos. Era impossível. Mesmo se partisse naquele instante, não conseguiria atravessar estradas vigiad

como grito, mas como

daquela noite, daquela maldição. Desceu pelo corredor estreito até os fundos do refúgio, onde água aquecida era artigo raro, reservado aos dias de sorte o

o destino, como se água pudesse remover magia. Mas o colar p

o tipo de roupa que a fazia parecer invisível entre plebeias e comerciantes, não uma ladra. Talvez invisibilidade fosse tudo o que lhe restava. Sentou-se junto à janela estreita de seu quarto, observando Belladonna despertar. Das alturas tortas do Refúgio dos Corvos, Corinne via telhado

ais barulhentas. Pessoas cruzavam vielas com pressa incomum. Mercadores abandonavam bancas para co

sava em mapas, rotas, carruagens, mentiras possíveis. Qualquer p

escancarada com violência tão ab

u ofegante, como uma tempe

o, denunciando a corrida frenética escada acima. Sua respiração vinha rápida, qua

tentando recuperar o ar. Falhou, e praticamen

or um instante, achou q

- pergunt

a, ainda tentando recuperar o fôlego. - Entrou pelos portões do l

o cenho se contraindo aos poucos. - Você não disse

são evidente em cada movimento. - Mas, ao que parece, ele resolveu o

das, as pessoas correndo, os cochichos. Então era is

o alcan

cabelos ruivos, ainda tenta

a que você realmente

a. - Dimitri voltou como herói de guerra,

ssível do que

itir, mas a am

am o Refúgio dos Corvos e mergulha

do reino começavam a ser penduradas nas janelas, músicos apareciam nas esquinas improvisando melodias festivas e comerciantes gritavam

archavam de um lado para outro levantando o barro úmido das pedras da rua, enquanto carruagens nobres eram revistadas mesmo carregando os brasões das famílias mais influentes do reino. As entradas laterais, antes negligenciadas durante a madrugada, agora possu

extras observavam

rmurou Loralie, diminuin

carroça carregada de alimentos. - Antes dava para entrar pelo corredor dos fornecedores durante a madrugada. Os guardas dormiam metade do turno e ni

ltou um su

revelando mais homens posicionados do lado interno. Arqueiros, escudos e lanças. O castelo de Bellad

r. Matar Dimitri seria muito mais

ncipal, o som estridente de uma trombeta ecoou pelo centro

jestade! - A voz alta atrav

entre as pernas dos adultos e até bêbados curiosos se empurravam para ouvir. No centro, um homem elegantemente vestido segurava um longo pergaminho adornado com o brasão dourado da família real. As joias em se

vura do príncipe herdeiro Dimitri de Belladonna, que conduziu nossas tropas à vitória e restaurou a paz em nossas fronteira

suspiraram ao ouvir o nome do príncipe, enquanto outras trocavam comentário

uma risada se

lie arqueou uma sob

graç

e exat

irem como se estivessem em um festival de colheita. Seu olhar percorreu a multidão lentamente antes dela complet

risada abafada. - Nesse caso, acho

sado para a amiga. - Porque acompanhar escânda

ntre os nobres. O príncipe favorito dos militares, o filho bastardo do rei, o príncipe que vive mais no cam

tes para fazer do que decorar á

ubar aris

atam

mas ele desapareceu rápido quando

mente, aquilo t

adas temporariamente. Coisas pequenas demais para realmente chamarem atenção. Tão insignificantes que nem mesmo Corinne havia parado para ouvir. Ela só ficara sabendo da existência daquele suposto conflito na noite anterior,

o de vitória, muito

adosamente ensaiados. A corte transformava guerras em celebraç

é alguns minutos atrás. Mas, diante de toda aquela hipocrisia, hav

ém-chegado e uma guerra que oficialmente parecia ter começado e terminado no mesmo dia. Os Guardas estavam ocupados controlando o fluxo próximo ao castelo, deixan

o com Loralie, as duas so

o o de qualquer garota comum perdida nas festividades. Mas suas mãos eram rápidas. Um relógio de bolso sumiu do casaco de um homem rico antes mesmo dele terminar de aplaudir os músicos da praça, uma corrente de ouro escapou do pescoço de uma dama tão su

antes ricos, viajantes arrogantes e nobres distraídos demais para perceberem a própria fortuna desaparecendo. Loralie era

oria dos homens daquela cidade. Continuou caminhando pelas ruas movimentadas até que uma melodia familiar alcançou seus ouvidos. Seus passos desaceleraram q

em que reconheceu a melodia. Sem perceber, seus passos passaram a seguir o ritmo da música até a pequena praça. Ali, um

olaris, velho

contagiante que arrancava risos e aplausos da multidão. Crianças se espremiam entre os adultos na ten

ndo surgia a oportunidade e, nas noites mais difíceis, se apresentavam em tavernas decadentes em troca de um prato de comida e um canto minimamente aquecido para dormir. Tudo mudou em uma cidade portuária, durante uma apresentação improvisada diante de um público pequeno e desinteressado. Entre os espectadores, porém, estava uma aristocrata excêntrica que ficou co

sob uma onda de

sorriso surgia em seus lábios. Um dos músicos, Cassian, ergueu os olhos em sua direção

o o bastante para fazer metade d

se tropeçou ao salta

iva?! - exclamou Elias, ain

responder antes de ser pux

rrido! - reclamou Lyra

e cobre que você tinha sid

ancelha enquanto Lyra se afastava do abra

eu considerei aposta

ou Mirelle, surgindo logo atrás dele com um sorriso debochado enquanto c

ma a baixo com diversão descarada. Seus brincos dourados balançavam conforme ela ria, e os olhos escur

fez uma careta. - E

a companhia, ergueu lentamente os olhos do instrumento que afinava perto do palco. Ele es

onfiado. - Você não voltou aqu

a mão ao pei

e levou a mão ao peito, ofendida.

eceu encarando-a em

isse: - Você literalmente roubou um saco

vez! - protestou Co

ra eu achei que tinha perdido o dinheiro, na segund

que eu sou ruim roubando am

ra a situação. -

para responder, mas M

acrescentou casualmente, faze

s deuses,

sobre aquilo - Corinne aponto

ndo perseguida por um ganso - Mirelle já estava ri

animal er

ganso,

treinado pe

a esconder o sorriso enquanto fingia continuar afinando o violino. Os integrantes da Sola

ando o alaúde nas costas. - O que

- Corinne de

amente nada - Cassi

á perfeito

istância alguma entre eles. Comentaram sobre cidades distantes, apresentações desastrosas, nob

o estranhos - comentou Darian. - Um homem me pagou cinquenta m

zando os braços. - Um conde tentou me pe

- Corinne arqueo

uma careta horrorizada. - Ele pa

ecomeçaram i

ne, genuinamente curiosa. - Não me parece exatamente o tipo de reino

a do príncipe Dimitri - explicou Lyra - E nossa compan

rpo enrijecer quase

a voz casual. - Belladonna não parece o t

temente sobreviver a guerras, doenças e caos político deixa os nobres

s de outros reinos foram convidados para as festividades. Diplomatas, comerciantes ricos, lordes menores, o palácio vai es

a criados - acr

cado por festas, distrações e movimento constante dentro do palácio. Pela primeira vez d

cida? Provavelmente.

a, tentando soar indiferente enqu

icar hospedados na ala reservada aos artistas

suficiente para Mirelle estreitar os olhos lentamente, observando Cori

e interessada demais

como se tivesse sido arranca

da? Eu? Cla

a enquanto cruzava os braços. - Essa foi provavelme

enorme. - acrescentou Darian s

estão ex

r inocência diante de um guarda - Mirelle inclinou

a vez. - mur

a pensar rápido. Não podia simplesmente dizer "preciso entrar no paláci

ido que ela viajasse com eles. Na época, Corinne rira da ideia. Viver de apresentações parecia instável demais quando roubos rendiam dinheiro rápido, fácil e sem

tentou soar casual - ainda tem

an parou de mexer nas cordas do v

ela como se tivesse ouvido errado

por dois segundos inteir

o tão mal assim?

o deles enquanto tentava parecer tranquila, e respondeu: - M

nar a maldição mortal, o colar demoníaco e o fato de

treitando os olhos para Corinne. O tom despreocupado ainda e

mentou Corinne tentando parecer m

e enquanto colocava o violino sobre o colo. - E o

perguntou Mirell

- acrescen

an parecia sincer

sian inclinou-se um

to para homicídio. Isso é

deu a pergunta. -

deu de ombros e falou: - Ainda est

explodiu em garg

s olhos. - Essa definitivamente é a

ressionado ou preocup

espondeu Mirel

ua pele. Por alguns minutos, era fácil fingir que nada havia mudado. Que ela não estava amaldiçoada, que não precisava assassinar

mbros dela sem cerimônia, pu

nte. - disse com um sorriso caloro

n ergueu um dedo dramaticamente no ar e co

Qu

durante o baile real,

bres bêbados. - ac

aídos. - Elias ent

deixados desacompanhad

terrível de mim - Corinne levou

m duque enquanto dançava c

nel para a amante del

em. - Corinne

te falou, num tom que mist

m sorriso escapou de seus lábios antes que ela soltasse uma risada baix

eio logo depois

nte específico - Cass

o momento de honestidad

inda conta como honesti

elmente conta. -

aram a se espal

u a reclamar dos figurinos novos que a corte exigira, jurando que nobres tinham obsessão por roupas impossíveis de respirar dentro. Elias defendia

na, visível acima dos telhados da cidade como uma sombra colossal. Agora ela tinha uma entrada, tudo o que preci

rer ant

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O Coração de Pedra
O Coração de Pedra
“Nas sombras de uma cidade onde a névoa encobre pecados antigos, Corinne sobrevive como sempre viveu: roubando, correndo e nunca olhando para trás. Astuta, audaciosa e moldada pelas ruas frias, ela conhece o valor de cada moeda e o preço de confiar em alguém. Mas quando invade uma mansão esquecida pelo tempo em busca de seu maior golpe, Corinne encontra algo muito mais perigoso que ouro. Um colar. Bela e amaldiçoada, a joia desperta uma sentença cruel: seu coração começará a se transformar em pedra, endurecendo a cada dia, até que não reste nela nada além de silêncio e morte. Para quebrar a maldição antes da próxima lua cheia, Corinne terá de fazer o impensável: derramar o sangue de um príncipe herdeiro. Lançada em um jogo mortal entre salões luxuosos, segredos enterrados e uma corte tão bela quanto corrupta, Corinne se infiltra no coração do reino com um único objetivo: sobreviver. Porém, quanto mais se aproxima de seu alvo, mais a linha entre caçadora e condenada começa a se desfazer. Porque algumas maldições não exigem apenas sangue, exigem escolhas. Entre bailes sombrios, profecias esquecidas e verdades capazes de destruir um trono, descobrirá que seu maior inimigo talvez não seja a morte que avança dentro dela...mas o coração que, pela primeira vez, ameaça sentir algo antes de virar pedra. Todo tesouro tem um preço, e Corinne pode estar prestes a pagar com a própria alma.”