Meu ex, conheça a verdadeira eu

Meu ex, conheça a verdadeira eu

Mary Johnson

Moderno | 1  Cap. / dia
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Capítulo

Por três anos, Deanna suportou o desprezo de seu marido, Connor. Quando ele a forçou a escolher entre a carreira e o divórcio, ela optou pelo divórcio sem hesitar. Pouco tempo depois, decidida a reivindicar o que era seu por direito, Deanna voltou como a herdeira de um conglomerado médico. Seu ex e a família dele imploraram por outra chance, mas era tarde demais. Com um pai magnata, uma mãe médica extraordinária, um irmão CEO e outro irmão famoso no showbiz que a adoravam, a vida de Deanna era perfeita demais. Até mesmo seu rival arrogante, herdeiro de bilhões, nutria sentimentos por ela.

Capítulo 1 Fiz tudo o que pude

"Já fiz tudo o que pude", disse Deanna Carter, sua voz pesada de cansaço.

Após treze horas exaustivas na sala de cirurgia, ela não conseguiu salvar o bebê no útero de Gillian Dixon.

Assim que suas palavras foram ouvidas, uma onda de soluços angustiados ecoou do corredor.

"Meu bisneto...", gritou Susan Dixon antes de desmaiar ali mesmo.

Momentos depois, Gillian foi levada numa maca, pálida e inconsciente, da sala de cirurgia.

Os familiares se aproximaram, e seus gritos e murmúrios de consolo encheram o corredor, roçando em Deanna como um vento frio e esvaziando seu peito.

Ela ergueu a cabeça e avistou seu marido, Connor Dixon, se inclinando sobre Gillian.

As mãos dele seguravam as laterais da maca, e sua expressão estava tão preocupada que parecia ser por sua própria esposa.

Todos seguiram a maca e entraram num quarto do hospital.

Deanna ficou sozinha no corredor, a máscara pendurada nos dedos e os ombros pesados pelas longas horas na mesa de cirurgia. As pessoas passavam apressadas por ela, mas ninguém parou para perguntar se ela precisava descansar.

Quando ela finalmente chegou em casa, os empregados se afastaram como se ela estivesse com uma praga, a encarando com olhares frios e acusadores.

Kristina Dixon, irmã mais nova de Connor, pegou uma vassoura de um empregado próximo e a desferiu com força na perna de Deanna. "Saia daqui, sua assassina!"

As cerdas arranharam a panturrilha de Deanna, deixando uma marca vermelha e dolorida que a fez se encolher.

O sorriso de escárnio de Kristina se aprofundou. "Do que está se orgulhando? Acha que se casar com meu irmão te torna importante? A única razão de você estar aqui é que a saúde de Gillian é frágil e você é a médica com o tipo sanguíneo correspondente. Você não passa de um instrumento, um banco de sangue ambulante! Agora que o bebê de Gillian se foi por sua causa, vamos ver como você vai encarar Connor!"

Ela concluiu com um cuspe desdenhoso, que por pouco não atingiu os sapatos de Deanna.

Após três anos casada com Connor, Deanna sabia muito bem qual era seu lugar na família Dixon. Para eles, ela não passava de um objeto - bom para ser culpado e usado, mas nunca para ser tratado com gentileza.

Nessa casa, nínguem escondia seu desprezo por ela.

Como discutir só pioraria as coisas e ela estava cansada demais para se importar, subiu as escadas em silêncio, mantendo os olhos baixos.

As treze horas na sala de cirurgia a tinham esgotado completamente. Doar sangue para Gillian durante o pior momento a deixara fraca e com febre.

No entanto, antes que ela pudesse se deitar na cama, mãos rudes a puxaram para cima, fazendo sua cabeça bater na cabeceira com um baque surdo e seco.

A dor se intensificou e sua visão ficou turva, mas quando abriu os olhos, ela viu o rosto contorcido de Connor acima dela e logo lágrimas encheram seus olhos. "Connor, você chegou. Juro que fiz o meu melhor para salvar o bebê de Gillian."

Connor se inclinou sobre ela, seu aperto implacável e com uma raiva fria nos olhos. "Fez o seu melhor? E quanto ao último exame? Você me disse que não havia nada de errado. Agora veja só - dias depois, o bebê está morto. É isso que você chama de 'fazer o seu melhor'?"

Mordendo o lábio, Deanna se forçou a encará-lo, seus olhos marejados de dor. "Fiz tudo o que pude, Connor. Estou falando sério."

Gillian, que havia nascido com um problema cardíaco, não conseguia andar normalmente, ficando sem fôlego a cada passo há três anos.

Durante todo esse tempo casada com Connor, Deanna fizera de tudo para que Gillian ficasse saudável o suficiente para viver como qualquer outra pessoa, até participando de atividades que ela jamais poderia sonhar.

Tudo estava indo bem para Gillian, exceto aquele súbito ataque cardíaco durante sua lua de mel com Andrew Dixon, primo de Connor.

Há poucos dias, Deanna havia feito um exame completo em Gillian, e todos os resultados foram perfeitos, sem nenhum sinal de que algo pudesse dar errado.

No entanto, num dia de folga, o desastre aconteceu. Gillian foi levada às pressas para o hospital com uma forte dor abdominal e, quando Deanna chegou, o bebê já havia se ido.

Mesmo assim, Deanna se dedicara à cirurgia, lutando para salvar Gillian e o bebê e até doando seu próprio sangue.

No fundo, ela sabia que não tinha nada a se culpar.

No entanto, Connor se recusava a acreditar em uma palavra sequer, e seu olhar era frio como gelo ao dizer: "É isso que você quer que eu acredite? Então como explica Gillian ter acordado chorando, dizendo que você lhe deu algum tipo de medicamento que ela nunca deveria ter tomado?"

Diante dessas palavras, uma carranca se formou no rosto de Deanna. "Nunca fiz nada disso. Isso é impossível."

A mão de Connor se apertou, a puxando mais para si, seus olhos cheios de acusação. "Diga isso para Gillian, não para mim!"

Ele encerrou a conversa ali mesmo, sem querer ouvir mais nenhuma desculpa.

O corpo de Gillian sempre era frágil, e carregar um filho já era um risco.

Agora, com o bebê perdido e sua saúde ainda mais debilitada, as chances de ter outro eram mínimas.

Andrew e Gillian haviam depositado todos os seus sonhos naquele filho, e agora esses sonhos estavam em ruínas. Para Connor, havia apenas uma pessoa a ser culpada - Deanna.

Susan ficou tão furiosa que desmaiou mais de uma vez e, toda vez que acordava, sua primeira ordem era para Connor levar Deanna ao hospital.

No momento em que Deanna entrou no quarto do hospital de Gillian, a família Dixon a cercou.

De repente, um empurrão forte a atingiu por trás.

Seu corpo enfraquecido pela febre não conseguiu se equilibrar, e ela caiu de joelhos bem em frente à cama de Gillian.

Apoiando as mãos no chão, ela tentou se levantar, mas um chute forte atingiu suas costas. Ao se virar com raiva, ela viu o olhar gélido de Connor, o que a fez prender a respiração. "Connor..."

Alto e magro, Connor estava sobre ela como uma estátua esculpida, as luzes fortes do teto realçando cada traço do seu rosto e tornando sua expressão fria ainda mais severa.

Seus lábios se contraíram enquanto ele a olhava, o tipo de olhar que se daria a algo descartável - algo que não merecia atenção.

Nesse momento sombrio, Deanna entendeu que três anos cuidando de Gillian e esperando que sua dedicação o amolecesse só a transformaram numa tola.

"Sua assassina!", gritou a mãe de Gillian, Judie Smith, da beira da cama, sua voz trêmula de ódio. "Uma mulher cruel como você deveria pagar pela vida daquela criança com a sua própria!"

Ela enfatizou as palavras jogando um copo, que se quebrou no chão, e os cacos afiados cortaram a mão de Deanna.

Na cama, Gillian começou a chorar, caindo nos braços de Judie e soluçando tão violentamente que parecia prestes a desmaiar.

Deanna percebeu algo que ninguém mais notou. Escondidos no ombro de Judie, os olhos de Gillian brilhavam com uma vitória tão sombria que fez seu estômago se revirar.

"Connor, juro que fiz tudo o que pude. Não sei por que o coração do bebê parou de bater, mas se você me der um tempo, descobrirei o que aconteceu." Ainda ajoelhada, Deanna se firmou e tentou se levantar, sua voz baixa, mas firme, desesperada para que alguém a ouvisse.

No entanto, os soluços de Gillian abafaram cada palavra. Ela enterrou o rosto nas mãos, tremendo incontrolavelmente, sua voz trêmula com uma fragilidade perfeita e deliberada: "Deanna, o que está querendo dizer? Que eu machucaria meu próprio filho? Ele era meu bebê, minha única chance de ser mãe. Foi você quem me forçou a tomar aquele chá de ervas estranho. Eu disse que estava doendo... e te implorei... mas você me fez beber. Você até disse..."

Ela fez uma pausa dramática, enxugando as lágrimas dos cílios antes de olhar para Susan, que estava sentada como uma juíza.

Susan bateu a mão na mesa, fazendo o quarto estremecer. "O que ela disse?"

"Deanna também disse que provocaria um aborto se eu não obedecesse", sussurrou Gillian, erguendo seus olhos marejados de lágrimas com a mais delicada demonstração de inocência. "Bebi o que você me deu, Deanna. Então por que ainda foi atrás do meu bebê? Me machuque se isso te fizer se sentir melhor, mas por que meu filho? Sei que você odeia o quanto Connor se importa comigo, mas ele e eu crescemos juntos. Esse vínculo não é algo que você possa quebrar."

Seus soluços ecoavam pelo quarto, brutos e comoventes, mas seu olhar continuava se desviando para Susan, observando atentamente a reação da velha.

O aperto de Susan na sua bengala se intensificou e a raiva distorceu suas feições.

Ninguém percebeu o leve sorriso de Gillian, exceto Deanna.

Um momento depois, Gillian caiu nos braços de Judie, como se a tristeza tivesse esgotado suas últimas forças.

A bengala de Susan desabou sobre as costas de Deanna, que não viu o golpe chegar.

A força a fez cambalear para frente, sem que ninguém estendesse a mão para ajudá-la.

Sua testa bateu na borda de metal da cama do hospital, um baque nauseante ecoando pelo quarto.

Deanna pressionou a mão na testa, o sangue quente escorrendo entre seus dedos e obscurecendo sua visão.

"A partir de hoje, você pedirá demissão deste hospital e se dedicará inteiramente a cuidar de Gillian. Você deve a ela uma vida inteira de cuidados depois do caos que causou!" Susan gritou.

A ordem atingiu Deanna como um golpe pesado, a deixando tonta e desorientada.

"Isso não é possível!", ela exclamou, segurando a cabeça em meio à dor, sua voz firme apesar do tremor no seu corpo. "A medicina é minha vida. Não vou jogar minha carreira fora por ninguém. E fiz tudo o que estava ao meu alcance para salvar o bebê. Ainda não sei por que o coração parou de bater, mas não foi por causa de nada que eu fiz. Nem dei nada perigoso a Gillian!"

"Sua mulher teimosa!" Susan retrucou, batendo sua bengala novamente, mas desta vez no braço de Deanna. "Connor, olhe para a mulher com quem você se casou! Ela me retruca e ainda tem a audácia de prejudicar Gillian!"

Deanna abriu a boca para se defender, mas Connor a interrompeu com uma frieza que a paralisou. "Você tem duas opções - se demitir do hospital e passar o resto da sua vida compensando o que fez com Gillian... ou acabaremos com este casamento agora mesmo!"

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Capítulo 1 Fiz tudo o que pude

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