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"Escolha!"
A voz ecoava no meio da escuridão daquele porão úmido e sombrio, seguida por gargalhadas tenebrosas. Era impossível enxergar qualquer coisa naquele lugar, não apenas pela falta de luz no cômodo frio e sem janelas, mas por quase não conseguir abrir os olhos de tão inchados.
"Escolha!"
A ordem se repetiu, como um mantra diabólico.
"Escolher o que?" Se perguntava, confuso e amedrontado. Todo o corpo estava dolorido, mal podia se mover.
Aquilo não era real, não podia ser real. Aquele tipo de coisa só acontecia em histórias de terror e pesadelos...
"Escolha!"
O choro começou baixinho, como um murmúrio na noite, mas logo se tornou um cântico fúnebre, com soluços de dor e medo.
"Por favor, por favor..."
Gemeu a voz chorosa e aflita.
Ele podia vê-la agora claramente, apesar da escuridão. O rosto, antes bonito e delicado, estava sujo e machucado, encharcado pelas lágrimas.
Ela não tinha mais do que quinze anos...
" Por favor, me ajude!"
Ela implorava, e ele sentia a dor dela arder em seu peito. Queria ajudá-la, se debatia de aflição para salvá-la, contudo, não tinha forças.
"Escolha, moleque, será você ou ela?"
As risadas voltaram a ecoar, gargalhadas de vários homens cujos rostos não podia ver, mas sabia quem eram.
Eram os monstros que o visitavam quase todas as noites desde que foi jogado naquele porão.
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