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O Sangue Que Faltou

Capítulo 1 

Palavras: 331    |    Lançado em: 24/06/2025

o, o som áspero a cortar o sil

air do quarto, o seu rosto era u

fia. Fizemos tudo

vam na minha cabeça,

u a andar de bicicleta e a fazer

e sangue de que precisava d

ativo, que corria nas vei

e forma acusadora. A primeira chamada foi para o corre

uave, música calma e o t

a? Desculpa não ter atendido,

apressada, como se nã

inha voz saiu como um sus

terrível, coitada. Viu uma aranha na casa de ba

ar

uir, e o motivo pelo qual o meu marido

voz a ganhar uma força fri

de silêncio do ou

s," respondi. "J

tes que ele pudesse di

porta do quar

eu não senti apen

im de out

casa

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O Sangue Que Faltou
O Sangue Que Faltou
“O som áspero do telemóvel na minha mão ecoou no silêncio mortal do corredor do hospital. O Dr. Almeida acabara de sair do quarto do meu pai, o seu rosto, uma máscara de pesar profissional. As palavras "Lamento, Sra. Sofia. Fizemos tudo o que podíamos" não pareciam reais. O meu pai estava morto. Morto porque a transfusão de sangue de que ele desperatemente precisava – tipo O negativo, o sangue raro que corria nas veias do meu marido, Miguel – nunca chegou. E porquê? Miguel estava com a Clara. "Ela teve um ataque de pânico terrível, coitada. Viu uma aranha e desabou," ele disse. Uma aranha. O meu mundo inteiro ruiu e o motivo pelo qual Miguel não estava ao meu lado era uma aranha. A raiva gelada encheu-me o estômago. Ele não ligou, nenhuma mensagem. Quando o confrontei, defendeu-se, dizendo que "tinha de fazer uma escolha." No funeral, ele trouxe-a. Clara, a viúva frágil, lágrimas falsas, o braço no dele. O auge da afronta. Mais tarde, no velório, Miguel tentou justificar-se com uma história trágica. Mas o que ele me disse a seguir foi monstruoso: "O teu pai já era velho e estava doente. A morte dele era inevitável. A situação da Clara era mais urgente." O meu pai, reduzido a uma inconveniência na agenda de salvamento de Miguel e Clara. Todas as emoções evaporaram. Olhei para o homem com quem partilhei a minha vida e não senti nada. Apenas um vazio vasto e absoluto. "Sai da minha casa," disse eu, a minha voz firme. "O meu advogado vai contactar-te sobre o divórcio." É a minha vez de fazer uma escolha. A escolha de ser livre.”