“«Não me encha o saco, temos um acordo, o das casas. E espero que o cumpra.» Elisandro afastou o telefone da orelha e se sacudiu nervoso; a voz do outro lado eletrificava todos os seus sentidos. «Claro que não, temos um trato, meu senhor. No laboratório já me confirmaram que a fecundação foi um sucesso; minha esposa terá um filho saudável para o senhor e sua esposa, como sempre quis.» Uma gargalhada cheia de sarcasmo retumbou do outro lado do telefone, e aquela respiração pesada que causava terror só de senti-la se fez presente. «E já pensou como vai fazer para tirar a criatura da mãe dela?» o homem bufou «Quero ter certeza do que você vai fazer.» «Bom, é simples, simplesmente direi à minha esposa que ela perdeu o bebê no parto, esses são os mínimos detalhes, senhor. Agora, minha pergunta é: com isso a dívida que temos estará quitada?» Elisandro arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para o banheiro. Não queria que sua mulher o visse falando ao telefone. «Dívida? Hum, você é tão miserável e descarado, Elisandro. Não é uma dívida o que temos pendente, você manchou a honra da minha família, a pobre Esmeralda não devia ter saído do país. Agradeça que eu não te esfolo, Elisandro.» Elisandro empalideceu diante das palavras daquele homem. Sabia do que ele era capaz, e embora estivesse disposto a fazer o que fosse para pagar aquela dívida de honra, o Sr. Máfia não era seu único inimigo. «Senhor, minha esposa vem vindo; tenho que desligar.» Elisandro viu como Victoria apareceu pelo corredor, cruzando o umbral da porta do banheiro. Desligou a chamada e guardou o telefone, estendeu a mão para a esposa e foi se preparando para a surpresa. Devia fingir que não sabia de nada, embora ele fosse o criador de tudo.”