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Traição e Dor Infindável

Capítulo 4 

Palavras: 1052    |    Lançado em: 04/07/2025

to. A traição de João doía, mas era uma dor surda, distante. A pr

e Sofia, minhas pernas tremiam. Respire

riu o portão sem fazer perguntas. Subi

a barreira intransponível. Eu podia ouvir vozes lá dentro. A voz d

quebrou algo

om força. Uma, d

pararam.

, usando o p

EU SEI QUE VOCÊS ESTÃO

sta. Era João. Ele estava sem camisa, o cabelo b

á fazendo aqui?

ça. Ele foi pego de surpresa e cambal

a curto, que mal cobria suas coxas. O cabelo dela também esta

al de Clara.

rguntei, a voz

braços, tentando

está falando, Maria? Vo

TA, SOFIA! CADÊ A MI

colocou

! Vai embora! Nós vam

diga agora onde está a nossa filha." Olhei para ele, para o peito nu

a a minha gritaria. A raiva no rosto dele

depende de mim pra tudo. Agora, saia da ca

nha direção e me empur

AI

ti contra a parede. A dor física n

e bateu a porta na minha c

do lado de f

Completamente surtada", o

ela. Não se preocupe." A voz dele era suave, cheia de uma ter

. E depois, a ris

edaços. Eles não se importavam. Para eles, Clara era um in

ir. Minha casa não era mais meu lar. Minha filh

lante. As lágrimas que eu segurei por tanto tempo fina

o meu cel

u. Olhei para a tela.

lto. Podia ser alguém

a voz em

ia da Luz, mãe d

sculina, gra

tem notícias dela

ro lado. Uma pausa que

s precisamos que a senhora venha ao IML do centro. Encont

ituto Méd

ram sentido no iníci

quê? Ela s

vítima de um acidente de t

não..

a. O telefone escorregou da minha mão e caiu no chão do carro. O mundo a

. Minha Cla

Sofia disse que ela estava bem. João disse que eu era neuróti

saiu da minha garganta, uma mistura de soluço e ris

do chão. Disquei

eu, a voz

, Maria? Eu não

estranhamente calma, quase robótica. "El

lado. Um silênci

que eu nunca vou esquecer

o r

. Foi um riso baixo, in

trote. Alguém querendo se aproveitar da situação. A Clara está bem, eu

filha como se fosse um aborrecimento, uma inconveniência. A negação dele era tão abs

l. E o sorriso estúpido que eu podia imaginar no rosto de João enquanto el

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Traição e Dor Infindável
Traição e Dor Infindável
“O barulho do carnaval abafava a bolha de ansiedade que crescia em mim, pois Clara, minha filha, ainda não havia voltado para casa. Minha cunhada, Sofia, prometeu devolvê-la antes de anoitecer, mas o sol já havia se posto e o silêncio do celular dela me mergulhou em pânico e milhares de cenários terríveis. Quando finalmente atendeu, a voz de Sofia era estranhamente calma, alegando que se empolgaram e foram para a casa de praia, onde as crianças já dormiam como anjinhos. Mal sabia eu que essa calma era o prenúncio de uma traição que viria à tona quando João, meu marido, chegou, defendendo cegamente Sofia, chamando-me de neurótica, e devorando doces feitos por ela. A negação dele, o carinho incomum pela cunhada e minhas próprias memórias de suas "reuniões de trabalho" revelaram uma verdade chocante: ele estava com ela, enquanto minha filha estava sabe-se lá onde. Não, eu não dormiria. O sol nem havia nascido quando peguei as chaves do carro, decidida a ir buscar minha filha, custasse o que custasse. Mas João me barrou, os olhos inchados de raiva, acusando-me de loucura: "Você está insultando a memória do meu irmão com essa sua desconfiança doentia!". A raiva dele, a defesa cega da mulher com quem ele me traía, atiçaram meu desespero: "A sua família sou eu! E a Clara!". No entanto, o pior ainda estava por vir: o som abafado de intimidade vindo do telefone de João, ao ligarmos um para o outro, revelou a cruel verdade – ele estava com Sofia naquela maldita casa de praia. A dor da traição me rasgou, mas o terror pela minha filha, usada como peão no jogo doentio deles, me impulsionou: "Polícia, quero reportar o desaparecimento da minha filha!". O atendente disse que eu era apenas uma "esposa neurótica". João, então, teve a audácia de me ligar, avisando-me que soube da queixa e a retirou, dizendo ser seu "direito de pai" e que não o envergonhasse. "Você vai se arrepender disso, João. Eu juro que você vai." A polícia e meu marido haviam me abandonado, mas um fato se impôs em mim: eu faria isso sozinha. Corri para o apartamento de Sofia, a raiva fervendo, mas não encontrei Clara, apenas a visão sórdida da minha cunhada em um roupão de seda e de João sem camisa: "Eu quero o divórcio!". Ele me empurrou, me jogou para fora do apartamento, e me deixou ouvir, do lado de fora, Sofia rindo e a voz dele murmurando para ela: "Onde a gente parou?". Foi quando meu celular tocou, e uma voz grave e oficial do outro lado mudou para sempre minha vida: "Sargento Almeida. A criança que bate com a descrição da sua filha... foi vítima de um acidente de trânsito. Ela não resistiu." Eu me recusei a acreditar que minha Clara estava morta, mesmo com a confirmação no IML. Mas quando a mãe de Sofia, em um interrogatório, confessou com um sorriso doentio que atropelara minha filha, para "tirar do caminho" e depois contara a Sofia que misturara as cinzas de Clara nas cocadas que João comia com prazer, o mundo ruiu. Meu marido vomitando a filha que ele, sem saber, devorara com tanto prazer. A justiça, no entanto, parecia ser uma piada de mau gosto, pois a mãe de Sofia foi considerada insana e Sofia sumiu do mapa. Eu peguei todos os remédios para dormir. Foi então que descobri que Pedro, o filho de Sofia, era também filho de João, e que Sofia não havia fugido sozinha com ele, mas sim com um amante adolescente chamado Lin, deixando Pedro para trás. Usei o conhecimento que João me dera contra ele e o forcei a me levar até a fábrica abandonada onde os dois se escondiam. A polícia entrou e os prendeu. Meses depois, João se entregou à polícia por ter matado o irmão de Sofia, que a ajudava a forjar documentos. No memorial de Clara, eu, Maria, decidi que, embora a dor fosse imensa, não me deixaria consumir. Eu seguiria em frente, viveria por nós duas, carregando a memória de Clara no coração e a dor como uma companheira silenciosa.”
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