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Não Sou Mais Sua Sobra

Capítulo 1 

Palavras: 562    |    Lançado em: 09/07/2025

pesado de perfume e fritura. Eu me movia pela sala com uma bandeja de salgadinhos, oferecendo aos convidados com um sorriso que não alcançava meus olhos, um s

eno, Pedrinho. Desde a sua chegada, a dinâmica da casa, que já era tensa para mim, se tornou insuportável. Ela era a fil

parte inferior das costas dela. Era um toque íntimo, um gesto que ele raramente me dirigia em público. A proximidade deles criava um

ebidas", a voz ríspida de Dona Celeste cortou m

respondi, minha voz mais

iso que eu conhecia bem, o mesmo sorriso que ele usou para me conquistar. Ele não me ofereceu nada, nem sequer olhou na minha di

cisei sair dali. Fui para a varanda dos fundos, o ar frio da noite batendo no meu rosto quente. Respirei fundo, tentando acalmar o tremor em

" A voz de João soou atrás de mim, cheia de

abraçar, mas

ava de um pouco de ar"

com tudo", ele disse, sua voz suave, manipuladora.

inha alma, que ele estava mentindo. O amor que eu acreditava que ele sentia por mim, o amor que era o alicerce da minha vida, de repente pareceu uma f

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Não Sou Mais Sua Sobra
Não Sou Mais Sua Sobra
“A festa de aniversário da minha sogra, Dona Celeste, era um inferno de barulho, risadas forçadas e o cheiro pesado de perfume e fritura. Eu me movia como uma autômata, oferecendo salgadinhos, enquanto meus olhos buscavam João, meu marido, e o encontravam onde ele sempre estava ultimamente: ao lado de Patrícia, minha cunhada. Eles sussurravam, riam, e a mão dele pousava com uma intimidade que nunca me era concedida. Eles eram uma bolha, um segredo, e eu, uma estranha na minha própria vida. "Maria da Graça, os copos acabaram na mesa de bebidas", a voz ríspida de Dona Celeste cortou o ar, e eu obedeci. Então, vi João se aproximar de Patrícia com duas taças de champanhe, oferecendo uma a ela com o mesmo sorriso que um dia me conquistou. Ele não me ofereceu nada, nem me olhou, como se eu fosse invisível. A dor foi uma pontada seca no peito. Mais tarde, um tio bêbado de João se sentou ao meu lado e, sem querer, revelou a verdade brutal: eu não era o amor da vida dele, mas o consolo, a substituta que apareceu na hora certa, depois que Patrícia o partiu ao meio. O mundo desabou quando, escondida, vi João segurar o rosto de Patrícia nas mãos, beijá-la com uma paixão que eu nunca havia provado e sussurrar: "Eu te amo, Patrícia. Eu sempre te amei. Você nunca devia ter ido embora." A traição era uma negação da minha existência, e minha mente se apagou, substituída por uma fúria cega. Meu filho, nosso filho, tinha sido apenas uma farsa. Quando vi Patrícia na cozinha, rindo, com meu chaveiro em forma de coração em suas mãos, dizendo que eu era a "sobra", eu soube que nada seria como antes. Eu não era mais a vítima. Aquele chaveiro, um símbolo do que eu pensava ser amor, voou para o lixo. Pela primeira vez em anos, senti um arrepio de liberdade. Maria da Graça, a ingênua, tinha morrido. E das cinzas, eu sabia que algo novo nasceria, com ou sem eles.”
1 Introdução2 Capítulo 13 Capítulo 24 Capítulo 35 Capítulo 46 Capítulo 57 Capítulo 68 Capítulo 79 Capítulo 810 Capítulo 911 Capítulo 1012 Capítulo 1113 Capítulo 1214 Capítulo 1315 Capítulo 1416 Capítulo 1517 Capítulo 1618 Capítulo 1719 Capítulo 1820 Capítulo 19