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Não Sou Mais Sua Sobra

Capítulo 2 

Palavras: 541    |    Lançado em: 09/07/2025

sivelmente bêbados. Um tio distante de João, já com a fala arrastad

ah, como me lembro... ele era louco pela Patrícia. Completamente apaixonado. Quando ela decidiu ir embora com aquele outro cara, ele

substituta que apareceu na hora certa. Todo o nosso namoro, o pedido de casamento, a vida que construímos... tudo foi erguido sobr

sa estava silenciosa agora, exceto pelas vozes baixas vindas da cozinha. Eu parei no topo da escada, meu coração batendo descontro

berta iluminando a cena íntima. Ele a beijava, não como um irmão beija uma irmã, mas com uma f

um sussurro carregado de anos de desejo reprimido.

grito silencioso rasgou minha garganta. A traição não era apena

dos degraus, peguei o vaso de flores que estava sobre o aparador, um presente que eu mesma tinha

daços de cerâmica e água voaram para todos os lados. João e Patrícia

nha, os olhos arregalados. "Maria da G

filha em flagrante. Ela olhou

atrícia, que agora choramingava, se fazendo de vítima. João ficou parado, pálido, sem saber o que diz

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Não Sou Mais Sua Sobra
Não Sou Mais Sua Sobra
“A festa de aniversário da minha sogra, Dona Celeste, era um inferno de barulho, risadas forçadas e o cheiro pesado de perfume e fritura. Eu me movia como uma autômata, oferecendo salgadinhos, enquanto meus olhos buscavam João, meu marido, e o encontravam onde ele sempre estava ultimamente: ao lado de Patrícia, minha cunhada. Eles sussurravam, riam, e a mão dele pousava com uma intimidade que nunca me era concedida. Eles eram uma bolha, um segredo, e eu, uma estranha na minha própria vida. "Maria da Graça, os copos acabaram na mesa de bebidas", a voz ríspida de Dona Celeste cortou o ar, e eu obedeci. Então, vi João se aproximar de Patrícia com duas taças de champanhe, oferecendo uma a ela com o mesmo sorriso que um dia me conquistou. Ele não me ofereceu nada, nem me olhou, como se eu fosse invisível. A dor foi uma pontada seca no peito. Mais tarde, um tio bêbado de João se sentou ao meu lado e, sem querer, revelou a verdade brutal: eu não era o amor da vida dele, mas o consolo, a substituta que apareceu na hora certa, depois que Patrícia o partiu ao meio. O mundo desabou quando, escondida, vi João segurar o rosto de Patrícia nas mãos, beijá-la com uma paixão que eu nunca havia provado e sussurrar: "Eu te amo, Patrícia. Eu sempre te amei. Você nunca devia ter ido embora." A traição era uma negação da minha existência, e minha mente se apagou, substituída por uma fúria cega. Meu filho, nosso filho, tinha sido apenas uma farsa. Quando vi Patrícia na cozinha, rindo, com meu chaveiro em forma de coração em suas mãos, dizendo que eu era a "sobra", eu soube que nada seria como antes. Eu não era mais a vítima. Aquele chaveiro, um símbolo do que eu pensava ser amor, voou para o lixo. Pela primeira vez em anos, senti um arrepio de liberdade. Maria da Graça, a ingênua, tinha morrido. E das cinzas, eu sabia que algo novo nasceria, com ou sem eles.”
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