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Maya Alvarez sempre foi uma excluída. Nascida do Beta de sua matilha e de uma bruxa, sua existência foi controversa desde o início. No momento em que o pai encontrou sua verdadeira companheira, expulsou a mãe de Maya e se recusou a deixá-la levar Maya embora, insistindo que a garota se tornaria uma loba como o resto da matilha. Quando Maya não conseguiu se transformar no seu décimo oitavo aniversário, a verdade ficou inegável: ela era uma bruxa. Seu pai se tornou frio, e os murmúrios da matilha se transformaram em violência. Apenas suas irmãs ficaram ao seu lado. Então, a tragédia aconteceu. Seus pais morreram em um acidente repentino, deixando as garotas sozinhas e vulneráveis. O verdadeiro golpe veio quando elas descobriram que o acidente não foi acidental, mas um ataque direcionado. Caçadas e sem lar, as irmãs tinham que navegar por um mundo perigoso onde a lealdade era escassa, as ameaças se aproximavam e sua antiga matilha poderia estar disposta a entrar em guerra para recuperá-las. Será que conseguiriam encontrar segurança antes que fosse tarde demais?
Ponto de vista de Maya
Atrás de mim, uma voz irritada ecoou. Ao ouvi-la, xinguei mentalmente, pensando que não ter minha loba significava que eu não seria avisada de que ele estava voltando. Um aviso teria sido útil. A essa altura, eu já havia colocado o dinheiro e os documentos do cofre secreto na minha bolsa. Felizmente, ele nunca soube que havia quase cinquenta mil dólares guardados lá quando ele se mudou. O cofre estava fechado, trancado e escondido sob o tapete novamente. Ele não fazia ideia do porquê eu estava lá, e eu não iria contar isso a ele.
Na verdade, esse dinheiro pertencia à minha família, e eu estava reivindicando o que era de direito meu e das minhas irmãs. "Só queria visitar meus pais mais uma vez. Sinto muita falta deles", me levantei lentamente para encará-lo e disse:
"Já se esqueceu de que esta não é mais sua casa? Por acaso você costuma invadir casas? Não te dei permissão para estar aqui. E sei muito bem que o lugar estava trancado quando saí. Então, como conseguiu entrar?", ele perguntou. A cada pergunta, sua voz se elevava. Ele olhava ao redor do escritório, procurando por qualquer sinal de dano ou perturbação. Estendi minha mão, mostrando a chave pendurada no meu chaveiro. "Com isso. Só queria me despedir do meu pai pela última vez. Por isso estava no escritório dele. Não toquei em nada que seja seu e não voltarei mais aqui. Aqui está minha chave", disse calmamente.
"Seu pai não te queria mais aqui. Até eu sei disso, e ainda sou novo na matilha. Quando ficou claro que você não tinha loba, ninguém mais te quis. Você é um peso para nós. Você come nossa comida e não oferece nada em troca. Não finja que não sabe que é inútil. O que você precisa é de um homem disposto a te proteger, se é que você conseguirá encontrar um. Você é a pior pessoa desta matilha. A única coisa que você tem a seu favor é sua beleza. Não me importaria até de te dar uma provadinha, mas com certeza eu não te reivindicaria.
Mesmo assim, já que você foi tão gentil em entrar, ninguém precisará saber", ele zombou, se aproximando de mim. Para me proteger, imediatamente dei um passo para trás e fui para o outro lado da mesa do meu pai. "Não, obrigada, Trey. Não estou nem um pouco interessada em você. Vou deixar minha chave reserva aqui na mesa. Estou indo agora", disse, mantendo minha voz firme apesar do nojo que me invadia. Seus olhos percorriam meu corpo, e eu me sentia mal. Eu precisava sair de lá o mais rápido possível.
"Seu sei que Damien te quer, mas uma provadinha não fará mal", disse Trey, se aproximando cada vez mais. Mantive a mesa entre nós enquanto ia em direção à porta, mas quando estava prestes a passar por ela, senti suas garras atingirem minha panturrilha esquerda. A dor explodiu na minha perna quando gritei e caí, seu aperto me imobilizando. Eu podia sentir o estrago que Trey estava fazendo na minha perna, rasgando músculos e tendões enquanto me imobilizava. Com um sorriso doentio no rosto, ele se aproximou e disse:
"Não me importo com o que você quer, bruxa. Só quero uma provadinha para me satisfazer, até que Damien termine com você ou te engravide. Então será a minha vez", disse de, erguendo um dedo com garras e rasgando minha blusa e sutiã.
Como ele estava muito concentrado em mim, não percebeu minha irmã até que fosse tarde demais, quando Lauren deu um soco na cabeça dele, o deixando inconsciente. Ele caiu em cima de mim, suas garras se retraindo à medida que a inconsciência o dominava. Juntas, empurramos o corpo dele para o lado, e ela me ajudou a me levantar, me levando para o SUV dos nossos pais.
Agora, o plano estava em ação. Estávamos fugindo ou sendo arrastadas para uma vida com homens que desprezávamos.
Após abrir a porta traseira e virar o assento para frente, Lauren me ajudou a me deitar na terceira fileira. Meliza, minha outra irmã, já estava escondida, encolhida no chão da segunda fileira. Se fôssemos pegas, ela e Lauren teriam que lutar. Eu não poderia ajudar, e foi exatamente por isso que me ofereci para pegar o dinheiro.
Eu sabia que Trey tinha uma reunião esta manhã com o Gamma Zach e o Alfa Damien. Ele devia ter voltado mais cedo, provavelmente por ter se esquecido de algo. Damien adorava se ouvir falar, então suas reuniões nunca duravam apenas cinco minutos.
Sem querer considerar que isso poderia ser uma armadilha, tirei o sutiã e a blusa rasgados, os substituindo por uma camiseta limpa da minha bolsa. Eu não arriscaria ser exposta se algo desse errado, então queria estar preparada. Tínhamos que ir. Eu preferia morrer a viver sob o controle de Damien.
O medo me consumiu quando nos aproximamos do portão da matilha, fazendo meu coração bater forte no peito. Meliza e eu permanecemos em silêncio enquanto Lauren abria a janela para cumprimentar o guarda. "Ei, Dan, pode abrir o portão para mim? Preciso buscar um pacote para a Luna", disse Lauren casualmente. "Claro, Lauren", ele respondeu, se aproximando para abrir os dois lados do portão.
A matilha tinha dinheiro, então por que não atualizavam esse portão antigo? Isso nos deixava com uma aparência vergonhosamente ultrapassada.
"Até a volta, Lauren. Se cuide", Dan disse. "Obrigada, Dan. Se cuide também. Te vejo em breve", ela respondeu, fechando a janela enquanto avançávamos.
Esse era o momento da verdade. Sem chamar a atenção, ela dirigia devagar. Enquanto eu observava pela fresta do assento, ela mantinha um olho no retrovisor. Nenhuma de nós respirou até que ela disse: "O portão está fechado." O receio de Lauren era que Dan pudesse sentir o cheiro de Meliza, já que ela era uma loba, ou perceber meu sangramento. Felizmente, Lauren era confiável e querida por todos.
Conseguimos passar pelo primeiro obstáculo, mas ainda não estávamos seguras. Em breve, alguém iria procurar por Trey e, quando isso acontecesse, eles saberiam que tínhamos ido embora. Ainda não havíamos rejeitado a matilha. Lauren disse para esperar trinta minutos antes de fazer isso, tempo suficiente para nos distanciarmos deles. Fazer isso agora só os alertaria mais rapidamente.
"Meliza, pegue um papel e anote isso", ordenou Lauren. Se sentando, Meliza começou a anotar tudo o que Lauren ditava. Embora Lauren fosse a filha do meio, sempre foi nossa protetora. Ela ditou uma lista de suprimentos médicos, e Meliza anotou tudo.
Para estranhos, Lauren poderia parecer fria e rígida, mas nós sabíamos que ela era carinhosa, corajosa e leal. Nesse momento, ela estava no que eu chamava de "modo de batalha", e não relaxaria até que estivéssemos seguras. Ela passaria por fogo por nós, e eu era grata por isso. Se sobrevivermos a isso, será por causa dela. Nesse momento, eu só confiava nas minhas irmãs.
"Meliza, rasgue a lista ao meio para que possamos nos dividir e pegar tudo mais rápido. Pegue algum dinheiro com Maya, vamos precisar de pelo menos cem dólares para cobrir tudo. Pegue sua parte da lista, e eu pegarei a minha. Nos encontraremos no caixa", instruiu Lauren quando parou num mercado.
"Maya, quando eu parar, vou virar o assento para que você possa tentar ir para trás. Sei que você está com muita dor. Se não conseguir, te ajudaremos quando voltarmos. Sinto muito que você tenha se machucado, mas Meliza vai cuidar e enfaixar sua perna enquanto eu dirijo. Temos que agir rápido, eles virão atrás de nós", ela acrescentou, com a voz tensa e urgente.
Após estacionar, Lauren virou o assento para mim e passou a mão pelos meus cabelos num gesto carinhoso, dizendo: "Te amo, Maya. Tudo vai ficar bem. Não conseguirei relaxar até saber que estamos seguras. Ainda precisamos abastecer o SUV e pegar a estrada o mais rápido possível." Após dizer isso, ela fechou a porta e entrou no mercado às pressas.
Eu estava encharcada de suor por causa da dor, mas não iria deixar que isso me impedisse. Às vezes, eu só queria ter uma loba. Se eu tivesse, ela já teria começado a curar o ferimento, talvez até amenizado a dor. Odiava ter que ser resgatada pelas minhas irmãs mais novas. Eu não era fraca, mas me sentia assim. Como a mais velha, eu deveria protegê-las, e não o contrário, mas eu não conseguiga. Eu era uma híbrida, metade loba, metade bruxa. Minha mãe me deixou para trás. Meu pai era o Beta da nossa matilha, a Matilha Blackwood.
Assim que Lauren e Meliza voltaram, Meliza abriu a porta, virou o assento para trás e entrou para cuidar do meu ferimento, enquanto Lauren levava o SUV até um posto de gasolina e entrava para pagar. Em seguida, voltou com um saquinho de salgadinhos e bebidas para nós.
Após terminar de enfaixar minha perna, Meliza foi para o banco do passageiro. "Deite-se, Maya. Vamos dirigir algumas centenas de quilômetros antes de abandonar esse SUV. Não quero que eles nos rastreiem por ele", disse Lauren enquanto ligava o motor. Me deitei, sentindo o cansaço me dominar. Apesar da minha perna latejar a cada batida do meu coração, fechei os olhos. O sono veio agitado, minha mente rezando para a Deusa para que conseguíssemos chegar à próxima fase da nossa fuga.
A bruxa desperta
Eff.J
Lobisomem
Capítulo 1 O primeiro obstáculo
20/08/2028