A cláusula de companheiros do professor

A cláusula de companheiros do professor

Kimberly Ingrid

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Capítulo

Ele é meu professor, e ele é perigoso, mas ele diz que sou seu destino. Flagrei meu namorado me traindo, e ele me disse que se casaria com outra. Então, um bilhete apareceu na minha porta - do meu professor, Adrian Metcalfe. Adrian sempre me observa na aula como se soubesse de algo que eu não sabia. Agora, ele queria que eu fosse sua acompanhante no casamento do meu ex. "Vingança de mentira", ele disse. "Apenas uma noite." Mas nada em Adrian era de mentira. Quando lobos nos atacaram no casamento, ele se transformou em um deles. Os lendários lobisomens eram reais, e eu descubri que era uma deles! E ele disse que éramos companheiros. Minha mãe foi assassinada para manter esse segredo. Os inimigos dele estaram me caçando. E o homem em quem eu deveria confiar? Ele vinha mentindo para mim desde o dia em que nos conhecemos... Em quem eu confiaria?

A cláusula de companheiros do professor Capítulo 1 Ponto de vista de Freya

"Bem aí, sim, assim mesmo."

Quando ouvi a voz ofegante e aguda da mulher, fiquei paralisada na porta. Ela estava na minha cama, com seus cabelos escuros espalhados pelo travesseiro como se fosse a dona do lugar. No chão, um vestido vermelho que eu nunca tinha visto estava jogado ao lado de saltos que provavelmente custavam mais do que meu aluguel, e o batom dela manchava não só sua boca, mas também seu pescoço.

Kelvin estava em cima dela, passando as mãos pelos seus cabelos e beijando seu pescoço, enquanto os lençóis que eu havia lavado há três dias estavam emaranhados em volta das pernas deles.

Quando ele ergueu a cabeça, nossos olhos se encontraram.

No entanto, ele não parou, nem se afastou, e nem sequer pareceu surpreso, apenas me encarou por um longo segundo antes de se afastar lentamente e se sentar na beirada da cama.

"Freya." Ele me chamou num tom monótono, como se eu tivesse acabado de pegá-lo assistindo televisão, e não transando com outra mulher na nossa cama.

A mulher me olhou, mas sem se cobrir ou pegar suas roupas, apenas se apoiou num cotovelo e me observou com seus olhos castanhos preguiçosos.

"Você deveria ter ligado", disse Kelvin.

Fiquei tão atordoada que não consegui processar as palavras, nem entender o que ele acabara de dizer, permanecendo parada ali, com as chaves na mão e minha bolsa de trabalho no ombro.

"Ligar?", perguntei num tom baixo.

"Sim. Você costuma trabalhar até tarde nas quintas-feiras."

A mulher deu uma risadinha, um som que me fez arrepiar.

"Está falando sério?", perguntei, minha voz mais firme do que minhas mãos, que tremiam tanto que tive que enfiá-las nos bolsos.

Kelvin se levantou e pegou sua cueca do chão, a vestiu sem pressa ou vergonha alguma. "Olhe, Freya. Precisamos conversar."

"Você acha?"

Ele passou a mão pelos cabelos bagunçados, aqueles que eu costumava acariciar quando assistíamos a filmes no sofá, e que eu havia lavado no mês passado quando ele estava bêbado demais para se levantar. Agora, eu só queria arrancá-los da sua cabeça.

"Isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Você e eu não estávamos dando certo."

O chão parecia instável sob meus pés. "Então você decidiu resolver isso trazendo outra pessoa para a nossa cama?"

"Vou me casar."

As palavras dele não faziam sentido, como se estivessem num idioma diferente. "O quê?"

"No próximo sábado. Vou me casar."

A mulher se endireitou, olhando para Kelvin com os olhos arregalados. "Você ainda não contou a ela?"

"Eu ia contar", ele respondeu rispidamente, sem desviar o olhar de mim.

Meu peito estava apertado, como se alguém estivesse sugando todo o ar dos meus pulmões. "Com quem?"

"Vanessa. Nossas famílias combinaram."

"Combinaram...", repeti a palavra lentamente, tentando entender essa situação. "As pessoas não combinam casamentos mais.""

"Minha família combina. Isso já estava planejado há algum tempo."

"Há quanto tempo?"

Ele deu de ombros. "Alguns meses."

Alguns meses... Ele sabia há meses que iria se casar e não disse nada, continuando a dormir ao meu lado e me pedindo para pagar metade do aluguel quando estava sem dinheiro, fazendo planos para o próximo semestre como se tivéssemos um futuro.

Algo se rompeu dentro de mim. Não quebrou, ainda não, mas foi o suficiente para permitir que a raiva começasse a surgir.

"Saia."

Kelvin piscou. "O quê?"

"Saia do meu apartamento. Vocês dois", minha voz baixa, mas incisiva.

Ele soltou uma risada, mas não era uma risada genuína, e sim o som que ele fazia quando achava que eu estava sendo ridícula. "Seu apartamento? Eu pago metade do aluguel, Freya."

"Não mais. Você tem dez minutos para se vestir e ir embora antes que eu chame a polícia."

"E o que vai dizer a eles? Não violei nenhuma lei."

"Então vou jogar todas as suas coisas pela janela. Você pode pegá-las na rua. A escolha é sua."

A mulher finalmente se moveu, saindo da cama para pegar suas roupas do chão. Ela não olhava para mim enquanto se vestia, suas mãos tremendo ligeiramente.

Ótimo.

Kelvin a observou por um segundo antes de se virar para mim. "Você está exagerando."

"E você acabou de me dizer que vai se casar com outra pessoa em seis dias, depois de eu ter te pego na cama com uma mulher. Saia antes que eu faça algo que ambos vamos nos arrepender."

Ele me encarou, seu maxilar contraído e os olhos duros. Esse era o olhar que ele assumia quando não conseguia o que queria, quando seu time perdia um jogo, quando seus amigos cancelavam os planos, ou quando as coisas não saíam exatamente como ele queria.

Sem piscar, o encarei de volta.

Ele pegou sua calça jeans na cadeira perto da janela e a vestiu. A mulher já estava vestida, parada na porta do quarto com os braços cruzados sobre o peito, como se estivesse com frio.

"Isso não vai ficar assim", disse Kelvin enquanto passava por mim em direção ao corredor.

"Vai sim."

Parando na porta da frente, ele se virou, seu rosto vermelho de raiva. "Virei amanhã buscar minhas coisas."

"Vou deixá-las no corredor."

"Freya, qual é..."

"Saia."

A mulher passou por mim e foi até a porta apressadamente. Kelvin me lançou um último olhar antes de segui-la para fora. A porta se fechou com força, fazendo a moldura tremer.

Parada na porta do quarto, olhei para a bagunça. Os lençóis estavam parcialmente no chão, e o perfume dela estava por toda parte. Doce, forte e desagradável. O quarto inteiro cheirava a ela.

Indo até a cama, puxei os lençóis com força e os joguei no chão, depois peguei os travesseiros e os joguei também. Eu queria queimar tudo, limpar o apartamento inteiro até não restar nenhum vestígio dele.

Mas só fiquei parada no meio do quarto, com o peito ainda apertado e as mãos trêmulas.

Esperei para chorar, mas as lágrimas não vieram.

Em vez disso, me senti vazia, como se alguém tivesse entrado e retirado tudo o que importava, me deixando apenas com o ar e a raiva.

Meu celular vibrou no meu bolso, então o peguei e vi que era uma mensagem do meu chefe do restaurante.

Pode cobrir o turno de Amy amanhã de manhã? Começa às 6h.

Respondi que sim. Eu sempre aceitava, pois precisava do dinheiro. Na verdade, eu sempre precisava. Kelvin dizia que pagava metade do aluguel, mas isso só acontecia quando ele se lembrava. Eu acabava pagando o resto, além das compras do mercado e das contas de água, luz e internet quando ele gastava seu salário com bebidas com os amigos.

Agora, eu teria que arcar com tudo sozinha.

Olhando em volta do apartamento, vi que ele era pequeno e apertado. A tinta estava descascando no canto da janela, o aquecedor só funcionava quando queria, e a porta do banheiro não fechava completamente. Mas ele era meu. Eu havia trabalhado para comprar cada móvel, sobrevivendo com dois empregos e aulas em tempo integral.

Sobreviveria a isso também.

Meu celular vibrou novamente. Desta vez, era Clara.

Noite de filme? Tenho vinho e aquele queijo que você gosta.

Eu queria ficar sozinha, sentada no apartamento vazio sem sentir nada até que o vazio desaparecesse, então quase disse que não, mas acabei respondendo que sim, pois ficar sozinha de repente parecia pior do que fingir que estava bem.

Clara morava a dois quarteirões de distância, num prédio mais bonito que o meu. Após pegar minha jaqueta, tranquei a porta atrás de mim. O corredor cheirava a alguém cozinhando curry, fazendo meu estômago roncar. Eu não comia desde o pão amanhecido que peguei entre as aulas esta manhã.

Clara sempre tinha comida, então eu comeria na casa dela.

A caminhada levou menos de cinco minutos. Outubro na cidade trazia um vento que atravessava casacos finos e fazia tudo parecer mais intenso. Com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos.

Eu não chorei, nem gritei, nem fiz nada, exceto andar e respirar, tentando não pensar que Kelvin iria se casar em seis dias com uma mulher cujo nome eu havia acabado de descobrir.

Clara abriu a porta antes que eu batesse. Após olhar para o meu rosto, ela me puxou para dentro sem dizer uma palavra. Seu apartamento era aconchegante, e ela o mantinha aquecido o tempo todo porque dizia que o frio a deixava ansiosa.

"O que aconteceu?", ela perguntou, me levando até o sofá e me empurrando para os almofadões.

"Kelvin."

"O que aquele idiota fez agora?", ela perguntou, indo para a cozinha.

"Ele vai se casar."

O som de um copo se quebrando ecoou da cozinha. Clara apareceu na porta com os olhos arregalados. "Ele vai o quê?"

"Se casar. No próximo sábado. A família dele combinou. Ele me contou isso depois que o peguei com outra garota na nossa cama."

O rosto de Clara ficou pálido, depois vermelho e, por fim, pálido novamente. Voltando para a cozinha, ela voltou com duas taças de vinho e uma garrafa. Sem se dar ao trabalho de pegar um saca-rolhas, ela apenas abriu a garrafa e encheu as taças.

"Me conte tudo desde o início", me entregando uma taça e se sentando ao meu lado. Contei tudo a ela: a porta destrancada, a voz da mulher, eu entrando no quarto, o vestido vermelho no chão, a voz monótona de Kelvin, a maneira como ele me olhou como se eu estivesse interrompendo algo importante, e o anúncio do casamento.

Clara não me interrompeu, apenas bebeu seu vinho e ouviu tudo, seu maxilar se contraindo a cada palavra.

"Vou matar aquele desgraçado", ela disse quando terminei.

"Entre na fila."

Ela se serviu de outra taça, sua mão trêmula. "O que vai fazer?"

"Pagar o aluguel sozinha, eu acho. Trabalhar em mais turnos. Talvez pegar umas horas extras na biblioteca da universidade." Após tomar um longo gole, continuei: "Vou evitá-lo quando ele vier buscar suas coisas. " O vinho era barato e amargo.

"Você devia ir ao casamento."

Olhei para ela. "Por que eu faria isso?"

"Para mostrar a ele que você não está abalada e que está bem sem ele."

"Mas eu não estou bem."

"Então finja." Se inclinando para frente, ela continuou, seus olhos brilhantes e intensos. "Apareça deslumbrante com alguém que faça Kelvin se arrepender de todas as escolhas que já fez."

"Não tenho ninguém assim."

"Então encontre alguém."

"Em seis dias? Clara, seja realista."

Ela ficou em silêncio por um momento, olhando para sua taça de vinho como se estivesse pensando profundamente em algo. "E o professor Metcalfe?"

Me engasguei com o vinho. "O quê?"

"Você disse que ele tem te observado nas aulas ultimamente. Talvez ele possa ajudar."

"Ele é meu professor. Isso é completamente insano."

"Será mesmo?", colocando a taça sobre a mesa. "O pai de Kelvin está no conselho da universidade, certo? E se Metcalfe o conhecer? E se ele tiver seus próprios motivos para querer mexer com a família de Kelvin?"

"Por que ele faria isso?"

"Não sei, mas você disse que Metcalfe te observa. Ele te chamou três vezes na semana passada, mesmo você não tendo levantado a mão. Talvez ele esteja interessado."

Minha cabeça estava começando a doer. O vinho estava fazendo efeito rápido demais com o estômago vazio. "Preciso ir para casa."

"Fique aqui esta noite."

"Tenho que trabalhar às seis da manhã."

"Então me deixe te levar."

"Estou bem."

Mas eu não estava. Eu estava tão mal que nem conseguia mais enxergar isso. Só não queria que Clara me visse desmoronar.

Saí do apartamento dela e caminhei de volta pelas ruas frias. O vento estava mais forte agora, atravessando minha jaqueta e fazendo meus olhos lacrimejarem. O cheiro de curry havia desaparecido, substituído pelo cheiro de fumaça de carro e da chuva que ameaçava cair.

Quando cheguei ao meu prédio, vi algo que me fez parar.

Havia um envelope branco colado na porta.

Meu nome estava escrito na frente numa caligrafia que eu não reconhecia. Era uma letra nítida e precisa, as letras perfeitamente formadas, como se alguém tivesse dedicado seu tempo para escrevê-las.

Com os dedos trêmulos, o retirei e abri.

Dentro havia um único cartão, feito de um papel grosso e caro, com o logotipo da universidade em relevo dourado na parte superior. Abaixo, havia uma mensagem manuscrita na mesma caligrafia organizada:

Senhorita Reed, Por favor, me encontre no meu escritório amanhã às 14h. É um assunto importante.

Professor A. Metcalfe

O cartão escorregou dos meus dedos.

Como ele sabia onde eu morava?

Olhei para cima e para baixo do corredor, que estava vazio e silencioso, mas algo fez os pelos dos meus braços se arrepiarem.

Pegando o cartão, subi as escadas correndo, tranquei a porta e me recostei nela.

De algum lugar do prédio, ou talvez de fora, tive a sensação de que alguém estava me observando.

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Capítulo 1 Ponto de vista de Freya

29/07/2028