antendo a vida dura mas estável de mãe solo e professora, mas o olhar verde daquele gringo cicatrizado atraves
ral como um fio elétrico e se instalou quente, pulsante, no fundo da barriga. Os olhos verdes de Louis Seagal me atravessaram como se conseguissem ver além da professora de português durona, da viúva que criava o filho sozinha há quatro anos e da mulher q
maciado por um leve tom carioca enterrado, me fez apertar as coxas sem querer. A voz grave, baix
propostas. Homens do morro, de fora, até um professor substituto que durou três semanas. Eu afastava todos. A solidão era segura. O desejo era perigo. E agora aquele gringo aparecia do nada, alto, forte, cheias vou te avisando desde já: aqui não é brincadeira. Tem gente que não vai
, lenta, os olhos verdes sem surpresa. Como se já esperasse exatamente por aquilo. Como se já tivesse calculado o risco antes mesmo d
purrando carteiras, gritando, a energia repentina contrastando com o cansaço habitual. Eu fui atrás, de braços cruzados, tentando manter distância física e emocional. O pátio de terra batida ainda carregava
que
Deus
vessando as costelas. O abdômen marcado, os ombros largos, os braços fortes cheios de veias e marcas de quem tinha carregado peso demais por tempo demais. A pele morena clara brilhava de suor. Ele começou a gingar devagar no início, os pés deslizando na terra como se conhecessem ca
serviço", parou de olhar pro lado e concentrou o corpo inteiro na ginga. Larissa, celular esquecido no bolso, deu um passo à frente, os olhos brilhando. Pela primeira vez em muito tempo vi esperança crua no olhar daqueles adolescentes qu
u estava
stalar baixo, quente, pulsante. A boca secou. O coração acelerou tanto que eu tinha certeza de que ele ouviria se chegasse mais perto. "Não, Helena. Não mesmo", pensei, os dedos cravados nos próprios braços. "Esse homem é problema. Gr
ito molhado, e veio até mim. Estendeu a mão. Eu segurei. A palma dele era grande, quente, calejada, áspera de quem tinha segurado armas e cordas e talvez o berimbau da mãe. O aperto durou um segundo a mais do que o n
uficiente para só eu ouvir, os olhos verdes ainda
ntagiosa. Eu fiquei parada no meio do pátio, o vento quente do fim de tarde bagunçando os cachos que já tinham
te chamado Lucas, que ainda não sabe o quanto o morro tenta puxá-lo todos os dias. Sou viúva há quatro anos e carrego a solidão como quem carrega u
o. Mais frio. Mais conhecido. Levantei a cabeça e vi, no alto da laje vizinha, a silhueta de um homem parado, c
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