Entre Nós - Livro.II

Entre Nós - Livro.II

Nayara Barbosa

5.0
Comentário(s)
Leituras
25
Capítulo

Todos os direitos reservados! +18 Continuação do livro: Proibidamente Sua SINOPSE: ENTRE NÓS Agora é hora de conhecer a nova geração Cortez. Aurora Cortez tem vinte anos, está terminando a faculdade e acredita saber exatamente o que quer para sua vida. Lorenzo Cortez, seu tio e melhor amigo, já assumiu os negócios da família e parece ter tudo sob controle. Mas a vida raramente segue os planos que fazemos. Quando novas pessoas entram em seus caminhos, sentimentos inesperados começam a surgir, amizades ganham novos significados e o amor aparece justamente onde ninguém estava procurando. Entre segredos, descobertas, provocações e escolhas, Aurora e Lorenzo descobrirão que crescer também significa aprender a enxergar as pessoas - e os sentimentos - de uma maneira diferente. Porque algumas histórias não são planejadas. Elas simplesmente acontecem. E tudo começa Entre Nós. Plágio é crime! Por Nayara Barbosa.

Entre Nós - Livro.II Capítulo 1 Prólogo

LORENZO

Eu aprendi muito cedo que carregar o sobrenome Cortez significava carregar muito mais do que um nome.

Significava expectativas.

Responsabilidades.

Histórias que não eram minhas, mas que, de alguma forma, sempre fizeram parte de mim.

Durante anos, observei meus pais construírem uma vida juntos depois de enfrentarem coisas que poderiam ter destruído qualquer pessoa. Vi meu pai perder a memória, vi minha mãe sofrer, vi os dois se encontrarem novamente quando tudo parecia perdido.

Também vi minha tia Sophia e Matteo construírem a própria história.

Cresci cercado por pessoas que me ensinaram que família não era apenas sangue.

Era escolha.

Era presença.

Era permanecer.

Talvez por isso eu tivesse me tornado tão protetor.

Principalmente com Aurora.

Olhei para o relógio no pulso enquanto atravessava o corredor da Cortez Holdings.

Oito e quarenta e sete da manhã.

Eu estava atrasado para uma reunião que deveria ter começado às oito e meia.

Não porque eu tivesse me atrasado.

Porque alguém tinha decidido que poderia remarcar minha agenda sem me consultar.

- Quem autorizou essa mudança?

Minha voz fez minha assistente se endireitar imediatamente.

- O senhor pediu para encaixar a reunião com os investidores às oito e meia.

Parei.

- Eu pedi?

Ela assentiu.

- Ontem à tarde.

Passei a mão pelo rosto.

Eu realmente precisava dormir mais.

- Então mantenha.

- Mas eles já estão na sala.

- Ótimo. Então não precisam esperar mais.

Ela respirou fundo.

- Sim, senhor Cortez.

Continuei andando.

Aos vinte e cinco anos, eu já tinha aprendido que as pessoas esperavam que eu soubesse exatamente o que estava fazendo.

O problema?

Na maioria das vezes, eu não fazia ideia.

Mas ninguém precisava saber disso.

Meu pai havia passado anos preparando meu caminho para aquele momento. Agora, a Cortez Holdings estava sob minha responsabilidade.

E eu não pretendia decepcioná-lo.

Meu celular vibrou dentro do bolso.

Parei no meio do corredor e tirei o aparelho.

Aurora.

Sorri antes mesmo de abrir a mensagem.

«Aurora: Você vai almoçar comigo hoje.»

Não era uma pergunta.

Era uma ordem.

Digitei:

«Lorenzo: Tenho reunião.»

A resposta veio quase imediatamente.

«Aurora: Você sempre tem reunião.»

«Lorenzo: Porque eu trabalho.»

«Aurora: E eu estudo. Ainda assim consigo comer.»

Revirei os olhos.

Essa garota.

Digitei:

«Lorenzo: Onde?»

«Aurora: No campus. Meio-dia.»

«Lorenzo: Não.»

«Aurora: Sim.»

«Lorenzo: Aurora.»

«Aurora: Lorenzo.»

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Ela tinha aprendido a me enfrentar desde pequena.

Talvez fosse culpa minha.

Eu sempre deixei.

Guardei o celular.

- Senhor Cortez?

Olhei para minha assistente.

- Sim?

- Está tudo bem?

Assenti.

- Está.

E pela primeira vez naquela manhã, meu sorriso apareceu de verdade.

Porque, apesar de todo o caos que era minha vida, eu sabia que ao meio-dia estaria no campus.

Aurora sempre conseguia o que queria.

Principalmente de mim.

---

AURORA

Meu tio dizia que eu era teimosa.

Minha mãe dizia que eu era impulsiva.

Meu pai dizia que eu precisava confiar mais em mim.

E Lorenzo...

Bem, Lorenzo dizia que eu precisava aprender a pensar antes de fazer qualquer coisa.

Segundo ele, eu tinha "uma habilidade impressionante para transformar situações simples em problemas completamente desnecessários".

Eu achava exagero.

- Você está me ouvindo?

Levantei os olhos do computador.

Clara estava sentada ao meu lado, mexendo no próprio cabelo enquanto me encarava.

- Estou.

- Então repete o que eu falei.

Pisquei.

- Você estava falando sobre...

Parei.

Ela estreitou os olhos.

- Exatamente.

Sorri.

- Eu estava distraída.

- Você está distraída há vinte minutos.

Olhei para a tela.

Meu projeto de conclusão de curso estava aberto, mas eu não tinha conseguido avançar praticamente nada.

Não porque fosse difícil.

Era só...

Eu estava inquieta.

Talvez porque aquela semana marcasse o início de uma fase completamente diferente da minha vida.

Eu estava no último período da faculdade.

Também tinha começado meu estágio na Cortez Holdings.

E, em poucos meses, não seria mais uma estudante.

Eu seria uma profissional.

Aquilo deveria me deixar feliz.

E deixava.

Mas também me assustava.

- Estou nervosa - confessei.

Clara relaxou a expressão.

- Com o quê?

Dei de ombros.

- Com tudo.

- Aurora...

- É sério. Eu sinto que todo mundo espera que eu saiba o que fazer.

Ela sorriu.

- Você é uma Cortez.

- Exatamente.

Soltei um suspiro.

Era difícil explicar.

Eu amava minha família.

Amava o sobrenome que carregava.

Mas, às vezes, parecia que ele vinha acompanhado de uma lista invisível de coisas que eu precisava ser.

Inteligente.

Responsável.

Bem-sucedida.

Perfeita.

E eu não sabia se queria ser tudo isso.

Queria apenas descobrir quem eu era.

Sem comparação.

Sem expectativas.

Sem precisar provar nada.

Meu celular vibrou sobre a mesa.

Olhei.

Lorenzo.

«Lorenzo: Onde você está?»

Sorri.

«Aurora: Faculdade.»

«Lorenzo: Eu sei. Qual prédio?»

«Aurora: Por quê?»

«Lorenzo: Vou te buscar para almoçar.»

Franzi a testa.

«Aurora: Você não tinha reunião?»

«Lorenzo: Tenho.»

«Aurora: Então?»

«Lorenzo: Vou sair no intervalo.»

Ri sozinha.

Clara percebeu.

- Lorenzo?

Assenti.

- Ele é completamente obcecado por você.

- Ele é meu tio.

- Eu sei.

- Então não fala assim.

Ela deu de ombros.

- Estou falando que ele é protetor.

- Demais.

- E você gosta.

Parei.

Talvez gostasse mesmo.

Lorenzo era cinco anos mais velho do que eu, mas, desde que éramos crianças, sempre esteve por perto.

Ele me ensinou a andar de bicicleta.

Me ensinou a dirigir.

Já brigou com professores por minha causa.

Já me buscou em festas.

Já ouviu meus dramas amorosos.

E, principalmente, sempre esteve ali.

Mesmo quando eu não pedia.

Especialmente quando eu não pedia.

- Ele acha que ainda tenho quinze anos.

Clara riu.

- Para ele, você sempre vai ter.

Sorri.

Talvez fosse verdade.

Mas alguma coisa dentro de mim dizia que aquela fase estava chegando ao fim.

Eu estava mudando.

E talvez as pessoas ao meu redor também.

---

LORENZO

- Você não vai acreditar.

Gael entrou na minha sala sem bater.

Como sempre.

Levantei os olhos dos documentos.

- Em quê?

Ele se jogou na cadeira à minha frente.

- Sua secretária nova.

Franzi a testa.

- O que tem ela?

- Nada.

- Então por que está falando dela?

Ele sorriu.

- Porque ela acabou de entrar.

- E?

- E ela não parece gostar de você.

Parei de assinar o documento.

- Ótimo.

- Ótimo?

- Sim.

- Normalmente as pessoas tentam agradar você.

- Eu não preciso que ninguém tente me agradar.

Gael riu.

- Talvez seja exatamente por isso que você precise de alguém que não faça isso.

Ignorei.

- Você veio aqui para falar da minha secretária?

- Não.

- Então?

Ele ficou sério.

- Aurora.

Meu corpo ficou imediatamente alerta.

- O que aconteceu?

- Nada.

- Gael.

- Ela está bem.

Relaxei um pouco.

- Então por que mencionou o nome dela?

Ele me encarou por alguns segundos.

- Você sabe que não vai conseguir protegê-la para sempre, não sabe?

Meu maxilar travou.

- Eu sei.

- Ela está crescendo.

- Eu sei.

- Está terminando a faculdade.

- Eu sei.

- E tem a própria vida.

- Eu sei, Gael.

Ele sorriu.

- Só queria ter certeza.

Levantei-me.

- Você está me irritando.

- Esse é o meu trabalho.

Joguei uma caneta na direção dele.

Gael desviou, rindo.

- Vamos almoçar?

- Não posso.

- Com a Aurora?

Não respondi.

Ele abriu um sorriso.

- Sabia.

Peguei meu paletó.

- Se você falar mais uma palavra, vai sozinho.

- Você é muito mal-humorado.

- E você fala demais.

Saímos juntos.

Mas, enquanto caminhava até o elevador, uma sensação estranha tomou conta de mim.

Gael tinha razão.

Aurora estava crescendo.

E, pela primeira vez, percebi que talvez eu precisasse aprender a deixar de ser apenas o homem que a protegia.

Talvez precisasse aprender a confiar nas escolhas dela.

Mesmo quando não gostasse delas.

Principalmente quando não gostasse.

---

AURORA

Quando vi o carro de Lorenzo estacionar em frente à faculdade, revirei os olhos.

Ele poderia simplesmente ter mandado mensagem.

Mas não.

Precisava aparecer pessoalmente.

- Seu tio chegou - Clara avisou.

- Eu vi.

- Ele parece bravo.

- Ele sempre parece bravo.

Saímos juntas.

Assim que me aproximei do carro, Lorenzo abaixou o vidro.

- Entra.

- Oi para você também.

Ele me olhou.

- Oi, Aurora.

- Melhor.

Entrei no banco do passageiro.

Clara ficou do lado de fora.

- Até mais tarde.

- Até.

O carro começou a andar.

Fiquei alguns segundos em silêncio.

- Você está bem? - ele perguntou.

Olhei para ele.

- Estou.

- Tem certeza?

- Tenho.

- Seu namorado falou alguma coisa?

Revirei os olhos.

- Lorenzo.

- O quê?

- Você não pode perguntar isso toda vez que me vê.

- Posso.

- Não pode.

- Posso porque sou seu tio.

- Você usa isso como desculpa para tudo.

Ele sorriu de canto.

- Funciona.

Ri.

Por alguns segundos, ficamos em silêncio.

Olhei pela janela.

A cidade passava rapidamente diante dos meus olhos.

Eu não sabia explicar, mas naquele dia havia algo diferente.

Talvez fosse apenas a sensação de que minha vida estava começando a tomar outro rumo.

Ou talvez fosse a certeza de que algumas coisas estavam prestes a mudar.

- Lorenzo?

- Hm?

- Você acha que as pessoas realmente mudam?

Ele demorou a responder.

- Sim.

- Mesmo quando acham que não vão?

- Principalmente essas.

Olhei para ele.

- E você?

- O que tem eu?

- Você mudou?

Ele sorriu.

- Espero que sim.

- Eu acho que você ficou mais chato.

Ele soltou uma gargalhada.

- E você continua insuportável.

- Então não mudamos tanto assim.

Ele estendeu a mão e bagunçou meu cabelo.

- Talvez não.

Eu ri.

Naquele momento, não fazia ideia de que aquelas palavras ficariam comigo por muito tempo.

Não fazia ideia de quantas coisas mudariam.

Quantas pessoas entrariam em nossas vidas.

Quantas certezas seriam destruídas.

Quantas escolhas nos obrigariam a crescer.

E, principalmente, não fazia ideia de que o amor poderia aparecer justamente quando acreditávamos saber exatamente onde nosso coração estava.

Porque, às vezes, a vida não avisa.

Ela simplesmente coloca alguém no nosso caminho.

E, quando percebemos...

Já estamos envolvidos demais para voltar atrás.

---

LORENZO

Observei Aurora entrar no restaurante à minha frente.

Ela falava sem parar.

Sobre a faculdade.

Sobre o estágio.

Sobre Clara.

Sobre alguma coisa que eu não tinha entendido completamente.

E eu escutava.

Porque era isso que eu fazia.

Estava ali.

Sempre estaria.

Mas naquele dia, enquanto a observava sorrir, tive uma sensação estranha.

Como se estivesse diante do começo de alguma coisa.

Não sabia do quê.

Talvez fosse apenas mais uma fase.

Talvez fosse apenas a vida.

Mas havia algo no ar.

Uma mudança silenciosa.

Uma espécie de aviso que eu ainda não conseguia compreender.

Aurora sentou-se diante de mim.

- Por que está me olhando assim?

- Assim como?

- Como se estivesse pensando demais.

Sorri.

- Talvez eu esteja.

- Isso nunca é bom.

- Concordo.

Ela riu.

E eu também.

Sem saber que, naquele exato momento, nossas vidas estavam prestes a tomar caminhos que nenhum de nós havia planejado.

Eu acreditava que sabia proteger minha família.

Aurora acreditava que sabia o que queria.

Nós dois estávamos errados.

Porque algumas histórias não são planejadas.

Elas simplesmente acontecem.

E algumas começam exatamente onde ninguém estava procurando.

Entre nós.

{...}

Continuar lendo
Capítulo
Ler agora
Baixar livro
Entre Nós - Livro.II Entre Nós - Livro.II Nayara Barbosa Romance
“Todos os direitos reservados! +18 Continuação do livro: Proibidamente Sua SINOPSE: ENTRE NÓS Agora é hora de conhecer a nova geração Cortez. Aurora Cortez tem vinte anos, está terminando a faculdade e acredita saber exatamente o que quer para sua vida. Lorenzo Cortez, seu tio e melhor amigo, já assumiu os negócios da família e parece ter tudo sob controle. Mas a vida raramente segue os planos que fazemos. Quando novas pessoas entram em seus caminhos, sentimentos inesperados começam a surgir, amizades ganham novos significados e o amor aparece justamente onde ninguém estava procurando. Entre segredos, descobertas, provocações e escolhas, Aurora e Lorenzo descobrirão que crescer também significa aprender a enxergar as pessoas - e os sentimentos - de uma maneira diferente. Porque algumas histórias não são planejadas. Elas simplesmente acontecem. E tudo começa Entre Nós. Plágio é crime! Por Nayara Barbosa.”
1

Capítulo 1 Prólogo

15/09/2026

2

Capítulo 2 01

15/09/2026

3

Capítulo 3 02

15/09/2026

4

Capítulo 4 03

15/09/2026

5

Capítulo 5 04

15/09/2026

6

Capítulo 6 05

15/09/2026

7

Capítulo 7 06

15/09/2026

8

Capítulo 8 07

15/09/2026

9

Capítulo 9 08

15/09/2026

10

Capítulo 10 09

15/09/2026

11

Capítulo 11 10

15/09/2026

12

Capítulo 12 11

15/09/2026

13

Capítulo 13 12

15/09/2026

14

Capítulo 14 13

15/09/2026

15

Capítulo 15 14

15/09/2026

16

Capítulo 16 15

15/09/2026

17

Capítulo 17 16

15/09/2026

18

Capítulo 18 17

15/09/2026

19

Capítulo 19 18

15/09/2026

20

Capítulo 20 19

16/09/2026

21

Capítulo 21 20

16/09/2026

22

Capítulo 22 21

16/09/2026

23

Capítulo 23 22

17/09/2026

24

Capítulo 24 23

17/09/2026

25

Capítulo 25 24

17/09/2026