PREDESTINADA AO ALFA SATOMI

PREDESTINADA AO ALFA SATOMI

Autora Val Veiga

5.0
Comentário(s)
2
Leituras
14
Capítulo

PREDESTINADA AO ALFA SATOMI Dário Satomi é um alfa poderoso e implacável, marcado pela perda dos pais e pelo massacre que destruiu sua alcateia. Ele aprendeu a esconder os sentimentos e a nunca demonstrar fraqueza, até encontrar Sarah, uma humana que desperta nele o vínculo da companheira predestinada. Ela desconhece o mundo dos lobos, enquanto ele sabe que amá-la pode colocá-la em perigo. Entre segredos, traições e inimigos do passado, Dário precisará escolher entre as leis da alcateia e a mulher que o destino escolheu para ele. Quando a Lua une duas almas, nem mesmo o sangue poderá impedir o amor de desafiar o destino.

PREDESTINADA AO ALFA SATOMI Capítulo 1 Dario

PONTO DE VISTA: DÁRIO

A floresta não apenas abrigava a escuridão; ela parecia engolir qualquer vestígio de vida que ousasse atravessar seus domínios naquela noite.

A lua cheia, majestosa e prateada no topo do céu noturno, travava uma batalha inútil contra a copa densa das árvores centenárias. Seus raios de luz mal conseguiam perfurar a barreira espessa de galhos e folhas, projetando no chão úmido apenas fiapos pálidos de iluminação. Sobre aquele solo coberto por folhagem seca e raízes expostas, um enorme lobo de pelagem negra como o ébano corria com desespero. Cada passada sua afundava na terra macia, impulsionando um corpo musculoso que já dava sinais de exaustão, mas que se recusava a tombar.

O ar da noite estava impregnado pelo cheiro forte e metálico de sangue fresco. Não era apenas o sangue dos inimigos que ficavam para trás, mas o sangue da própria alcateia, que manchava a vegetação rasteira a cada metro percorrido.

Atrás dele, o som não parava.

O eco pesado de dezenas de botas humanas esmagando a mata.

O som característico do metal se chocando, das engrenagens de armas sendo engatadas, do arfar furioso de caçadores sedentos pelo massacre.

Eles eram muitos. Uma horda organizada, armada com o ódio ancestral que a humanidade alimentava contra aquilo que não conseguia dominar.

- ENCONTREM O ALFA! - O rugido humano cortou a penumbra, carregado de uma autoridade sádica. - NÃO DEIXEM NENHUM DELES VIVO!

O estampido seco de um disparo de fuzil rompeu o silêncio tenso da floresta. A bala de prata pura cortou o ar com um assobio mortal, perfurando a casca dura de um pinheiro a poucos centímetros da cabeça do grande lobo negro.

Outro tiro ecoou. Em seguida, uma rajada inteira.

A fúria do metal cortando a madeira fez com que centenas de pássaros ergassem voo em desespero, preenchendo o céu noturno com o bater frenético de suas asas. Os animais menores da mata fugiam em pânico, escondendo-se nas profundezas de suas tocas. A terra parecia tremer sob o impacto da violência que se desdobrava.

- EU VOU MATAR VOCÊ, SATOMI! - A mesma voz grave voltou a ecoar entre as árvores, amplificada pelo eco da montanha. - VOU EXTERMINAR SUA LINHAGEM E QUEIMAR CADA PEDAÇO DESTE LUGAR!

Meu pai não diminuiu a marcha. Suas garras cravavam-se no chão, cobrindo metros em frações de segundo. Ele sabia que o cerco estava se fechando. Sabia que o cheiro do próprio sangue o denunciava e que as saídas daquele vale haviam sido bloqueadas. Mesmo assim, suas patas continuavam a se mover com uma força sobre-humana.

Ele não corria para salvar a própria pele. O Alfa da Alcateia Satomi jamais fugiria para preservar a própria vida.

Ele corria para ganhar segundos. Segundos preciosos que significavam a diferença entre a vida e a extinção da sua família.

Ao seu lado, acompanhando o ritmo frenético com uma elegância mortal, corria minha mãe. Sua forma lupina era menor, de pelagem acinzentada, mas seus olhos dourados queimavam com um brilho violento de puro instinto protetor. Ela não olhava para trás; sua atenção estava totalmente voltada para a retaguarda, onde meus irmãos e eu tentávamos acompanhar o passo dos adultos.

Eu era apenas um garoto na época. Um filhote que recém-descoberta a força da própria herança.

Meus pulmões queimavam como se estivessem cheios de brasas. As pernas tremiam, e o medo congelava minha espinha a cada novo tiro que ecoava pela mata. Eu não compreendia completamente a geopolítica daquele massacre, nem por que homens vestidos com trajes táticos e armados até os dentes haviam invadido nosso território sagrado.

Eu sabia apenas de uma coisa: os humanos haviam nos traído. E aquela noite marcaria o fim do mundo que eu conhecia.

Subitamente, meu pai parou. A frenagem brusca fez a terra e as folhas secas voarem.

Ele se virou para nós. A imagem daquele gigante de pelos negros e peito largo, manchado pelo vermelho vivo de seus ferimentos, ficou gravada na minha mente para sempre. Mesmo sob a forma de um predador implacável, a expressão em suas facções lupinas era de uma dor profunda e devastadora. A tristeza estampada em seu olhar dourado transpassou minha alma.

Ele deu dois passos lentos em nossa direção. Baixou a cabeça enorme e encostou o focinho quente no topo da minha cabeça, transmitindo um calor confortante que contrastava com o frio congelante da noite. Depois, fez o mesmo com meus dois irmãos menores, que se encolhiam assustados sob a sombra de seu corpo.

Aquele gesto não era um sinal de rendição. Era uma despedida definitiva.

Sem emitir um único som vocal, meu pai ergueu a cabeça e fixou seu olhar no da minha mãe.

O silêncio entre eles disse mais do que mil palavras poderiam expressar. O vínculo de parceiros de alma vibrava entre os dois com uma intensidade quase palpável.

Proteja nossos filhos. Leve-os daqui. Esconda a nossa linhagem.

Era essa a ordem silenciosa que emanava de cada fibra do seu ser.

Minha mãe negou imediatamente com um movimento firme de cabeça. Suas orelhas baixaram, e um rosnado baixo de dor escapou de sua garganta. Ela jamais o abandonaria. Escolhera caminhar ao lado dele na glória e na morte.

Mas o Alfa não aceitou contestação. Ele deu um passo à frente, posicionando-se como uma muralha inabalável entre nós e a ameaça que se aproximava. Ele era o Supremo da Satomi. O líder cuja responsabilidade primordial era servir de escudo para o seu povo até que o último batimento cardíaco cessasse.

Minha mãe soltou um arfar doloroso. A decisão estava tomada. Com um movimento rápido e decisivo de sua pata, ela nos empurrou para a cavidade funda na base de um carvalho secular, cujas raízes gigantescas criavam uma espécie de trincheira natural sob a terra e a vegetação densa.

- Não façam um único barulho.

A voz dela não ecoou no ar, mas ressoou diretamente dentro de nossas mentes, transmitida através do vínculo telepático da alcateia. Era uma ordem carregada com a autoridade insuperável de uma Matriarca.

- Aconteça o que acontecer... não saiam daqui. Não olhem. Apenas sobrevivam.

Entrei no buraco escuro empurrando meus dois irmãos mais novos para o fundo. Aquece o peito lembrar como o menor deles tremia incontrolavelmente, os dentes batendo enquanto tentava sufocar os soluçantes pedidos de socorro. Segurei sua mão pequena com toda a força que minhas mãos fracas de criança conseguiam aplicar. O outro irmão escondia o rosto no meu peito, encharcando minha camisa com suas lágrimas silenciosas.

Eu queria sussurrar que tudo ficaria bem. Queria dizer que nosso pai derrotaria todos aqueles homens e que nossa mãe nos levaria para casa ao amanhecer.

Mas eu já sabia a verdade. E mentir para eles seria uma covardia que o filho de um Alfa não podia se permitir.

Poucos segundos após nos escondermos entre as sombras das raízes... o verdadeiro inferno se desencadeou.

Meu pai soltou um rugido tão ensurdecedor, tão repleto de fúria e poder ancestral, que a própria estrutura da floresta pareceu estremecer. As folhas das árvores balançaram, e o solo vibrou sob a força daquela vibração. Em seguida, ele se projetou para a frente como um bólido negro, avançando diretamente contra a linha de frente dos caçadores.

Minha mãe não hesitou. Lançou-se logo atrás dele, uma flecha cinzenta movida pelo amor e pelo desespero.

Das sombras laterais da mata, os poucos guerreiros restantes da Alcateia Satomi surgiram. Lobos de diversos portes e pelagens saltaram entre a folhagem para formar uma última linha de defesa em torno de seu líder.

A colisão entre as duas forças foi brutal.

Os primeiros humanos que avançavam sem cautela foram despedaçados instantaneamente. O som de ossos sendo esmagados, carne sendo rasgada por garras afiadas como navalhas e presas atravessando gargantas humanas preencheu a noite. Sangue espirrava contra os troncos das árvores, cobrindo o chão com uma camada espessa e fumegante.

Contudo, a superioridade numérica dos caçadores era esmagadora.

Eles não vieram para uma caçada justa. Vieram preparados para um extermínio planejado nos mínimos detalhes.

Projéteis de prata banhados em acônito perfuravam os corpos dos nossos guerreiros. Flechas modificadas atravessavam carne e músculo. Lâminas pesadas de aço temperado cortavam com precisão profissional. Granadas de luz e som estouravam a todo instante, desorientando os sentidos aguçados dos lobos.

Através das frestas entre as raízes do carvalho, meus olhos assistiam à carnificina contra a minha vontade.

Vi o comandante da nossa guarda tombando após ter o peito perfurado por dezenas de projéteis. Vi guerreiros que eu conhecia desde o meu nascimento serem abatidos um a um, lutando até o último suspiro enquanto tentavam proteger a retaguarda do nosso líder.

E então... meu pai foi encurralado.

Mesmo carregando dezenas de perfurações pelo corpo, mesmo com o acônito queimando suas veias e tornando seus movimentos pesados, ele continuava a matar. Seu pelo negro estava completamente banhado em sangue - o seu e o de seus inimigos. Ele rosnava, destroçava e avançava, recusando-se rotundamente a cair.

Foi quando a figura central daquele massacre deu um passo à frente, saindo das sombras da vegetação alta.

Continuar lendo
Capítulo
Ler agora
Baixar livro
PREDESTINADA AO ALFA SATOMI PREDESTINADA AO ALFA SATOMI Autora Val Veiga Aventura
“PREDESTINADA AO ALFA SATOMI Dário Satomi é um alfa poderoso e implacável, marcado pela perda dos pais e pelo massacre que destruiu sua alcateia. Ele aprendeu a esconder os sentimentos e a nunca demonstrar fraqueza, até encontrar Sarah, uma humana que desperta nele o vínculo da companheira predestinada. Ela desconhece o mundo dos lobos, enquanto ele sabe que amá-la pode colocá-la em perigo. Entre segredos, traições e inimigos do passado, Dário precisará escolher entre as leis da alcateia e a mulher que o destino escolheu para ele. Quando a Lua une duas almas, nem mesmo o sangue poderá impedir o amor de desafiar o destino.”
1

Capítulo 1 Dario

25/10/2026

2

Capítulo 2 Capitulo 2

25/10/2026

3

Capítulo 3 Capitulo 3

26/10/2026

4

Capítulo 4 Capitulo 4

26/10/2026

5

Capítulo 5 Capitulo 5

26/10/2026

6

Capítulo 6 Capitulo 6

26/10/2026

7

Capítulo 7 Capitulo 7

26/10/2026

8

Capítulo 8 Capitulo 8

26/10/2026

9

Capítulo 9 Capitulo 9

26/10/2026

10

Capítulo 10 Capitulo 10

26/10/2026

11

Capítulo 11 Capitulo 11

26/10/2026

12

Capítulo 12 Capitulo 12

26/10/2026

13

Capítulo 13 Capitulo 13

26/10/2026

14

Capítulo 14 Capitulo 14

26/10/2026