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O Filho da Noite que eu não esqueci

Capítulo 2 DUAS ALMAS PERDIDAS

Palavras: 2651    |    Lançado em: 03/11/2026

o observava a rua através das portas de vidro. Havia algo particularmente estranho naquela situação: eu estava em um hotel onde provavelmente não conseguiria pagar nem uma diária, acompanhada

ndo parecer indiferente. - Acho que algumas pessoas simplesmente não nasceram para ter uma família. Dante colocou o copo sobre a mesa. - Não acredito nisso. - Você teve uma família boa? Ele demorou alguns segundos. - Tive uma família. Não significa que tenha sido simples. Olhei para ele com curiosidade. Pela primeira vez, percebi que havia alguma coisa por trás daquela postura controlada. Uma espécie de distância que ele mantinha mesmo quando estava perto de alguém. - Você também está fugindo de alguma coisa? - perguntei. Ele sorriu sem humor. - Talvez. Ficamos em silêncio. Depois, Dante se levantou e caminhou até a janela. - Helena, quero que saiba que não espero nada de você por ter oferecido esse quarto. - Eu sei. - Sabe mesmo? Assenti. Ele se aproximou novamente. - Ótimo. Nossos olhares se encontraram. Havia uma diferença de idade entre nós, e eu percebia isso na maneira como ele se comportava. Dante parecia ter uma vida muito mais organizada, enquanto eu ainda estava tentando descobrir como sobreviver ao dia seguinte. Mesmo assim, naquele instante, não me senti inferior a ele. - Você é sempre tão sério? - perguntei. - Não. - Então acho que ainda não vi seu melhor lado. Ele sorriu. - Talvez precise de mais tempo. Meu coração acelerou. Não era exatamente o tipo de situação em que eu deveria me envolver. Mas, pela primeira vez em muito tempo, não estava pensando no que alguém esperava de mim. Estava pensando no que eu queria. E queria beijá-lo. Dante percebeu minha hesitação. - Posso? - perguntou, aproximando-se devagar. Olhei para seus olhos antes de responder. - Pode. O beijo começou com cuidado, quase como se ambos estivéssemos tentando entender o que aconteceria depois. Não havia promessas, declarações ou planos. Apenas duas pessoas que haviam encontrado uma companhia inesperada em uma noite particularmente difícil. Quando nos afastamos, Dante encostou a testa na minha. - Tem certeza? Sorri discretamente. - Tenho. Ele me beijou novamente. E, pela primeira vez naquela noite, não pensei na casa que havia deixado para trás. O segundo beijo foi mais profundo. A mão de Dante subiu até meu rosto, o polegar deslizando pela minha bochecha enquanto a outra mão descia pela minha cintura, puxando-me para mais perto. Eu sentei no sofá e ele se ajoelhou entre minhas pernas, ainda me beijando com aquela calma deliberada que parecia dizer que tínhamos a noite inteira. Quando se afastou um pouco, a respiração dele estava mais pesada. - Me avisa se quiser parar. - Não quero parar. Ele sorriu de canto, quase imperceptível, e me beijou de novo. Dessa vez as mãos dele entraram por baixo da camiseta larga que eu usava. Os dedos quentes deslizaram pela minha pele, subindo lentamente até encontrar meus seios. Eu soltei o ar contra a boca dele quando os polegares roçaram os mamilos, já endurecidos. Dante tirou a camiseta por cima da minha cabeça com cuidado. Fiquei sentada ali, nua da cintura para cima, e ele ficou olhando por um segundo a mais do que o necessário, como se estivesse memorizando. - Você é linda - murmurou, antes de baixar a cabeça e fechar a boca em um dos seios. O calor da língua dele me fez arquear as costas. Ele chupou devagar, alternando entre os dois, enquanto uma das mãos descia pelo meu estômago e entrava pelo cós do short. Os dedos dele encontraram a umidade entre minhas pernas e ele soltou um som baixo, quase um gemido, contra minha pele. - Já está tão molhada... Dois dedos deslizaram entre meus lábios, espalhando a umidade, e depois um deles entrou em mim. Eu agarrei o ombro dele, a respiração falhando. Ele começou a me foder com o dedo em um ritmo lento e profundo, o polegar fazendo círculos no clitóris. Quando adicionou o segundo dedo, minhas coxas tremeram. - Dante... - Shhh. Deixa eu cuidar de você. Ele me deitou no sofá, tirou o short e a calcinha de uma vez e abriu minhas pernas. Antes que eu pudesse me envergonhar, a boca dele desceu. A língua quente passou por toda a extensão da minha buceta, lenta, lambendo, sugando o clitóris com precisão. Eu soltei um gemido alto demais para o silêncio do quarto. As mãos dele seguravam minhas coxas abertas enquanto ele me comia com uma concentração quase devota. Quando o orgasmo veio, foi intenso e silencioso. Meu corpo tremeu sob a boca dele e eu enterrei os dedos nos cabelos escuros, segurando-o ali até a onda passar. Dante subiu pelo meu corpo, beijando a barriga, o peito, o pescoço. Eu o puxei para um beijo e senti o próprio gosto na boca dele. Minhas mãos desceram até a calça e eu abri o botão, puxando o zíper. A ereção dele pesava contra a cueca. Quando a tirei, o pau grosso e quente se apoiou contra a minha barriga. Eu o envolvi com a mão, sentindo a umidade na cabeça, e ele soltou um gemido rouco. - Quero você dentro de mim. Ele me olhou nos olhos. - Tem certeza absoluta? - Sim. Dante se levantou só o suficiente para tirar a própria camiseta e a calça. Ficamos nus um diante do outro. Ele me carregou

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O Filho da Noite que eu não esqueci
O Filho da Noite que eu não esqueci
“Meu nome é Helena Duarte. Durante vinte e quatro anos, acreditei que ser adotada significava dever minha vida às pessoas que me acolheram.Estava errada.Naquela casa, nunca fui uma filha. Era apenas a menina que precisava agradecer por existir, mesmo quando as palavras vinham acompanhadas de humilhações, castigos e portas trancadas.Na noite em que finalmente fugi, não tinha dinheiro suficiente, lugar para dormir ou alguém para quem telefonar. Só tinha uma pequena mala, um casaco emprestado e um colar que pertencera à minha mãe biológica.Foi naquela noite que conheci um desconhecido.Um homem de olhos escuros, voz firme e uma tristeza que ele escondia muito bem. Não sabia seu sobrenome, sua profissão ou por que parecia tão solitário quanto eu. Não deveria ter confiado nele. Muito menos passado a noite em seus braços.Mas passei.E fui embora antes do amanhecer, deixando para trás a única lembrança que tinha da minha origem: meu colar.Quatro anos depois, voltei àquela cidade com um menino de três anos pela mão.Meu filho.Eu acreditava que aquela noite havia sido apenas uma lembrança bonita de uma vida que não existia mais.Até reconhecer, no noticiário, o rosto do homem que nunca consegui esquecer.Ele estava usando meu colar.E, aparentemente, havia passado os últimos quatro anos procurando pela mulher que desapareceu de sua vida.O problema é que agora eu não estava mais sozinha.E meu filho tinha os mesmos olhos dele.”