o tem para onde voltar. Fazia seis dias desde que deixei a casa dos meus pais adotivos. Seis dias desde que conheci Dante. E seis dias desde que ac
ormações sobre minha origem. Minha mãe biológica não tinha deixado um endereço, um sobrenome completo ou qualquer coisa que me permitisse procurá-la. A única lembrança realmente importante era o colar. Ou, pelo menos, costumava ser. Levei a mão ao pescoço. Parei. Olhei novamente. O colar não estava ali. Revirei a caixa, os bolsos da bolsa e todas as gavetas onde poderia tê-lo guardado. Nada. Meu coração começou a acelerar. - Não, não, não... Abri a mala novamente. Tirei as roupas, examinei os bolsos e até procurei dentro dos sapatos. Não estava. Sentei no chão, sentindo os olhos arderem. O colar. Eu havia perdido o único objeto que tinha da minha mãe biológica. Fechei os olhos e tentei me lembrar da última vez que o havia visto. A suíte. A mesa de cabeceira. Dante. Meu estômago se contraiu. O colar provavelmente estava naquele hotel. E, se alguém o tivesse encontrado, talvez estivesse com ele. Pensei em ligar para a recepção, mas não sabia exatamente o que dizer. Não queria fornecer informações pessoais, muito menos explicar que havia passado a noite com um desconhecido e ido embora sem me despedir. Além disso, não tinha certeza se conseguiria falar com Dante. Acabei desistindo. Talvez alguém tivesse encontrado o objeto e guardado nos achados e perdidos. Talvez eu conseguisse recuperá-lo algum dia. Mas, naquele momento, precisava continuar. Guardei os documentos e fechei a caixa. Não podia permitir que uma lembrança do passado impedisse minha vida de seguir em frente. O primeiro dia na cafeteria foi cansativo. Passei horas em pé, atendendo clientes, preparando pedidos e aprendendo a utilizar a máquina de café. Roberto era exigente, mas educado. Não gritava quando eu cometia erros e explicava novamente quando alguma coisa não saía como deveria. Aquilo parecia tão simples que quase me emocionei. No fim do expediente, Marina apareceu para me buscar. - Então, funcionária do mês, como foi? - Acho que meus pés vão pedir demissão antes de mim. Ela riu. - Você vai se acostumar. - Espero. Caminhamos até o carro. - Ah, esqueci de contar. Minha prima vai viajar no próximo mês e está alugando o apartamento dela por um preço bem baixo. Olhei para Marina. - Sério? - Sim. É pequeno, mas tem um quarto, cozinha e banheiro. Fica perto daqui. Meu rosto se iluminou. - Você acha que ela aceitaria alugar para mim? - Já perguntei. Ela disse que sim. Parei de andar e abracei minha amiga. - Marina... - Não precisa agradecer. - Preciso, sim. Ela apertou meus ombros. - Só promete que não vai desistir de você mesma. Engoli em seco. - Prometo. Duas semanas se passaram. Aos poucos, comecei a encontrar algum equilíbrio. Trabalhava durante o dia, ajudava Marina com as despesas da casa e economizava cada centavo que conseguia. O apartamento da prima dela ficaria disponível em breve, e eu estava animada com a possibilidade de finalmente ter um espaço só meu. Também parei de olhar para o celular esperando alguma mensagem. Dante não tinha meu número. Não sabia onde eu morava. E provavelmente nem se lembrava de mim com a mesma intensidade com que eu me lembrava dele. Ou era o que eu dizia a mim mesma. Naquela sexta-feira, quando cheguei em casa, encontrei Marina preparando o jantar. - Você está pálida. Deixei a bolsa sobre a cadeira. - Estou cansada. - Está comendo direito
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