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O Filho da Noite que eu não esqueci

Capítulo 3 O QUE EU DEIXEI PARA TRÁS

Palavras: 1721    |    Lançado em: 03/11/2026

o tem para onde voltar. Fazia seis dias desde que deixei a casa dos meus pais adotivos. Seis dias desde que conheci Dante. E seis dias desde que ac

ormações sobre minha origem. Minha mãe biológica não tinha deixado um endereço, um sobrenome completo ou qualquer coisa que me permitisse procurá-la. A única lembrança realmente importante era o colar. Ou, pelo menos, costumava ser. Levei a mão ao pescoço. Parei. Olhei novamente. O colar não estava ali. Revirei a caixa, os bolsos da bolsa e todas as gavetas onde poderia tê-lo guardado. Nada. Meu coração começou a acelerar. - Não, não, não... Abri a mala novamente. Tirei as roupas, examinei os bolsos e até procurei dentro dos sapatos. Não estava. Sentei no chão, sentindo os olhos arderem. O colar. Eu havia perdido o único objeto que tinha da minha mãe biológica. Fechei os olhos e tentei me lembrar da última vez que o havia visto. A suíte. A mesa de cabeceira. Dante. Meu estômago se contraiu. O colar provavelmente estava naquele hotel. E, se alguém o tivesse encontrado, talvez estivesse com ele. Pensei em ligar para a recepção, mas não sabia exatamente o que dizer. Não queria fornecer informações pessoais, muito menos explicar que havia passado a noite com um desconhecido e ido embora sem me despedir. Além disso, não tinha certeza se conseguiria falar com Dante. Acabei desistindo. Talvez alguém tivesse encontrado o objeto e guardado nos achados e perdidos. Talvez eu conseguisse recuperá-lo algum dia. Mas, naquele momento, precisava continuar. Guardei os documentos e fechei a caixa. Não podia permitir que uma lembrança do passado impedisse minha vida de seguir em frente. O primeiro dia na cafeteria foi cansativo. Passei horas em pé, atendendo clientes, preparando pedidos e aprendendo a utilizar a máquina de café. Roberto era exigente, mas educado. Não gritava quando eu cometia erros e explicava novamente quando alguma coisa não saía como deveria. Aquilo parecia tão simples que quase me emocionei. No fim do expediente, Marina apareceu para me buscar. - Então, funcionária do mês, como foi? - Acho que meus pés vão pedir demissão antes de mim. Ela riu. - Você vai se acostumar. - Espero. Caminhamos até o carro. - Ah, esqueci de contar. Minha prima vai viajar no próximo mês e está alugando o apartamento dela por um preço bem baixo. Olhei para Marina. - Sério? - Sim. É pequeno, mas tem um quarto, cozinha e banheiro. Fica perto daqui. Meu rosto se iluminou. - Você acha que ela aceitaria alugar para mim? - Já perguntei. Ela disse que sim. Parei de andar e abracei minha amiga. - Marina... - Não precisa agradecer. - Preciso, sim. Ela apertou meus ombros. - Só promete que não vai desistir de você mesma. Engoli em seco. - Prometo. Duas semanas se passaram. Aos poucos, comecei a encontrar algum equilíbrio. Trabalhava durante o dia, ajudava Marina com as despesas da casa e economizava cada centavo que conseguia. O apartamento da prima dela ficaria disponível em breve, e eu estava animada com a possibilidade de finalmente ter um espaço só meu. Também parei de olhar para o celular esperando alguma mensagem. Dante não tinha meu número. Não sabia onde eu morava. E provavelmente nem se lembrava de mim com a mesma intensidade com que eu me lembrava dele. Ou era o que eu dizia a mim mesma. Naquela sexta-feira, quando cheguei em casa, encontrei Marina preparando o jantar. - Você está pálida. Deixei a bolsa sobre a cadeira. - Estou cansada. - Está comendo direito

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O Filho da Noite que eu não esqueci
O Filho da Noite que eu não esqueci
“Meu nome é Helena Duarte. Durante vinte e quatro anos, acreditei que ser adotada significava dever minha vida às pessoas que me acolheram.Estava errada.Naquela casa, nunca fui uma filha. Era apenas a menina que precisava agradecer por existir, mesmo quando as palavras vinham acompanhadas de humilhações, castigos e portas trancadas.Na noite em que finalmente fugi, não tinha dinheiro suficiente, lugar para dormir ou alguém para quem telefonar. Só tinha uma pequena mala, um casaco emprestado e um colar que pertencera à minha mãe biológica.Foi naquela noite que conheci um desconhecido.Um homem de olhos escuros, voz firme e uma tristeza que ele escondia muito bem. Não sabia seu sobrenome, sua profissão ou por que parecia tão solitário quanto eu. Não deveria ter confiado nele. Muito menos passado a noite em seus braços.Mas passei.E fui embora antes do amanhecer, deixando para trás a única lembrança que tinha da minha origem: meu colar.Quatro anos depois, voltei àquela cidade com um menino de três anos pela mão.Meu filho.Eu acreditava que aquela noite havia sido apenas uma lembrança bonita de uma vida que não existia mais.Até reconhecer, no noticiário, o rosto do homem que nunca consegui esquecer.Ele estava usando meu colar.E, aparentemente, havia passado os últimos quatro anos procurando pela mulher que desapareceu de sua vida.O problema é que agora eu não estava mais sozinha.E meu filho tinha os mesmos olhos dele.”