atu
ença antes de desmoronar as nossas certe
de cinza e delimitado pelas expectativas alheias. Mas a verdade - e eu aprendi isso encarando o e
ara de inventar histórias, uma mãe que é o meu porto seguro e um segredo guardado tão fu
sse segre
om exato da minha risada quando estou nervosa e que sabe decifr
a mais perigosa para a
a luz - parecendo esmeraldas quando ele ri - e um corpo atlético de quem passa horas correndo ou nadando. Quando ele decide aparecer na minh
, para o chão de cerâmica, para as nuvens no céu de São Paulo. Mas meus
ro para dentro, senti
com meus traços marcantes, os olhos amendoados, o rosto arredondado e as bochechas que denunciam qualquer emo
. A trissomia do cromossomo 21 moldou o meu corpo e o meu ritmo de aprendizado, mas não roubou o meu dire
e sinto; é o peso do
uma devoção que às vezes sufoca. Ele passou a vida inteira me blindando das garras de um mundo preconceituoso, do trauma do abandono da minha mãe biológica e das a
eito fechado, o medo de não conseguir respirar depois de uma intoxica
ma todos os dias. Cantou músicas desafinadas, me contou histórias mirabolantes e segurou minha mão até o meu
floresceu e virou al
e de verdade -, é a única que sabe de tudo. Foi ela quem enxugou minhas lágrimas no dia
ando meu cabelo com aquela paciência infinita. - E você tem tanto direito a
as para arrancar mais pedaços de mim antes de sumir de vez para uma cela de prisão. Mas Hadiya me costuro
mundo lá fora i
s e acabei ouvindo o pai dele conversando na cozinha. As palavras vieram cortantes como vidro queb
gritou na sala de estar, disse que eu era dez vezes mais inteligente do que o homem jamais s
como uma sirene de alar
ria história, ocupar espaço, viajar, me apaixonar e ser correspondida. E, por mais que eu saiba o meu valo
frente rangendo me
entos e olho par
ento e o cabelo castanho fora do lugar. Ele traz uma sacola de papel nas mãos e aq
diz, subindo os degraus da varanda com passos lev
o manter a voz firme enquanto meu cor
de morango com pedaços de ch
transição. É um contato mínimo, fugaz, mas a eletricidade que salta d
do, os olhos verdes fixos no meu caderno d
a, apontando com o mento para as folhas rabiscadas. -
aderno rapidamente para perto do meu co
deixar ler um poema seu, Sam
entro eu saiba que os versos que escrevo à noite trazem o
de som que me faz querer congelar o tempo e g
es na rua. A proximidade dele é quase palpável. Consigo sentir o cheiro do sabonete misturado c
do do milkshake. - Você nunca fala sobre namoro. Nunca traz ninguém
tilmente, dando lugar a uma expressão mais densa. Ele desvia o olhar para o hori
Sam. É só que... as coisa
e seria
uma intensidade que me falta o ar. Os olhos
a si mesmo. - Alguém que goste de conversar comigo até de madrugada, que entenda minhas mani
arece encolher até caber
ussurro, com a voz
óprias mãos antes de voltar a me encarar. - O problema não é saber s
pareceu sumir. Tenho a impressão nítida de que ele está falando de mim, de que há u
Jack balança a cabeça, sacudindo a tensão como
s terminar aquele trabalho de acessibilidade
difícil - acuso, rindo nervosamen
creto. Anda, traz os pap
de centro. Trabalhamos lado a lado, com os ombros quase se tocando. A c
e inclusão urbana, notei que ele havia parado de anotar. Virei o r
nto, sentindo as b
dade crua que me desarma por completo. - Quando você lê s
l, fingindo uma concentraç
ante de me elogiar só para
o maxilar dele travar de leve. Um rastro de sombra cruza o seu s
unto, tocando de leve
alor da pele dele me faz
ndo antes de erguer os olhos para mim. Há um pes
sempre, mas com um tom diferente, mais grave. - Só... pensando
o o espaço dele da mesma forma que ele respeita o meu.
afada do abajur iluminando as paredes lilases, pego
ntre nós - o medo dele de estragar tudo, o meu medo de perder o meu melhor amigo. Se eu contar o que sinto e ele recuar, eu não sei se consigo juntar os ca
o com cuidado
e seria se eu tivesse a coragem que tanto exibo nos meus textos. Ja
o que, por mais assustador que se
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