Ex-Esposa: A Deusa da Dor

Ex-Esposa: A Deusa da Dor

Gavin

5.0
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564
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12
Capítulo

Era o nosso aniversário de casamento de dez anos. Preparei o jantar preferido dela, acendi as velas, e só faltava Sofia. O relógio marcava onze da noite; a comida esfriou, as velas se derreteram. Sozinho, comi um bife frio, sentindo a solidão se intensificar. Abri as redes sociais, por tédio, e vi: Lucas Santos, assistente de Sofia, postou uma foto com um carro esportivo luxuoso. E ao lado dele, Sofia, sorrindo vitoriosa, o braço em seus ombros. Meu estômago gelou, não pelo carro ou pelo sorriso, mas pela mão dela. Estava nua. Sem a aliança. A aliança que jurei colocar em seu dedo havia desaparecido. O choque foi um soco no estômago; era uma declaração de que nosso casamento não significava nada para ela. Meu celular tocou; era ela. "Ricardo? Onde diabos você enfiou o relatório de projeção do terceiro trimestre?" Sua voz era ríspida, impaciente, como se eu fosse um empregado incompetente. "Qual relatório?" consegui dizer. "Não se faça de idiota!" "Eu te enviei na terça-feira, Sofia. Verifique seu e-mail." "Não me interessa! Se eu não achei, a culpa é sua! Reenvie agora! E da próxima vez, seja mais organizado!" Ela desligou na minha cara. O silêncio da casa era ensurdecedor. Não era mais só dor ou raiva; era libertação. A absurdidade da situação quebrou algo em mim. Pela primeira vez em anos, não senti a necessidade de correr para resolver o problema dela. Liguei o videogame, esquecido há meses, e comecei a jogar. O celular vibrou novamente; uma mensagem de Lucas. "Algumas pessoas trabalham duro para conseguir o que querem, outras apenas ficam em casa jogando videogame. Níveis diferentes, eu acho." O sangue subiu à minha cabeça; um parasita me provocando. Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou. "Aproveite bem o carro que o meu dinheiro comprou, seu encostado. Espero que ele seja confortável para você continuar sendo o cachorrinho da minha esposa." Enviei. Bloqueei o número dele. Bloqueei em todas as redes sociais. Um peso gigantesco saiu das minhas costas. Não demorou nem cinco minutos para o celular tocar de novo; Sofia. Deixei tocar até cair na caixa postal, de novo e de novo. Ignorei-a. Voltei ao meu jogo, mas minha mente estava planejando. Planejando o divórcio. Planejando minha saída. Planejando minha vida sem Sofia. Naquela noite, dormi profundamente, sem pesadelos. O sono de um homem que descobriu a chave da sua prisão. Anos em que fui dado como certo, uma peça de mobília útil, mas facilmente ignorável. O carro para Lucas foi apenas o catalisador. O símbolo final da minha desvalorização. Eu sabia exatamente o que fazer. "Então é por isso que você está tão feliz em se livrar de mim!", ela cuspiu, o olhar venenoso fixo na Camila. "Mal se divorciou e já arrumou uma substituta mais nova! Você é patético, Ricardo! Trocando uma mulher de sucesso por uma estagiária qualquer!" A agressão foi tão súbita e injustificada que me deixou sem reação. O veneno em suas palavras era inacreditável. Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou. Levantei-me devagar, meu olhar fixo em Lucas. "Cale a boca, Lucas!" Minha voz ficou perigosa. "Você não tem o direito de abrir a boca nesta conversa." "Você é o motivo de tudo isso." "Um parasita que se agarrou na minha esposa e ajudou a destruir meu casamento." Meu olhar se voltou para Sofia. "E você", continuei, a voz subindo. "Quer saber a verdade?" "Sim, eu estou feliz por me livrar de você." "E sim, a Camila é mais nova. Ela também é mais gentil, mais inteligente e tem mais caráter em um dedo do que você tem no corpo inteiro." "Mas sabe qual é a principal diferença entre vocês? Ela não é uma traidora."

Introdução

Era o nosso aniversário de casamento de dez anos.

Preparei o jantar preferido dela, acendi as velas, e só faltava Sofia.

O relógio marcava onze da noite; a comida esfriou, as velas se derreteram.

Sozinho, comi um bife frio, sentindo a solidão se intensificar.

Abri as redes sociais, por tédio, e vi: Lucas Santos, assistente de Sofia, postou uma foto com um carro esportivo luxuoso.

E ao lado dele, Sofia, sorrindo vitoriosa, o braço em seus ombros.

Meu estômago gelou, não pelo carro ou pelo sorriso, mas pela mão dela.

Estava nua. Sem a aliança.

A aliança que jurei colocar em seu dedo havia desaparecido.

O choque foi um soco no estômago; era uma declaração de que nosso casamento não significava nada para ela.

Meu celular tocou; era ela.

"Ricardo? Onde diabos você enfiou o relatório de projeção do terceiro trimestre?"

Sua voz era ríspida, impaciente, como se eu fosse um empregado incompetente.

"Qual relatório?" consegui dizer.

"Não se faça de idiota!"

"Eu te enviei na terça-feira, Sofia. Verifique seu e-mail."

"Não me interessa! Se eu não achei, a culpa é sua! Reenvie agora! E da próxima vez, seja mais organizado!"

Ela desligou na minha cara.

O silêncio da casa era ensurdecedor.

Não era mais só dor ou raiva; era libertação.

A absurdidade da situação quebrou algo em mim.

Pela primeira vez em anos, não senti a necessidade de correr para resolver o problema dela.

Liguei o videogame, esquecido há meses, e comecei a jogar.

O celular vibrou novamente; uma mensagem de Lucas.

"Algumas pessoas trabalham duro para conseguir o que querem, outras apenas ficam em casa jogando videogame. Níveis diferentes, eu acho."

O sangue subiu à minha cabeça; um parasita me provocando.

Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou.

"Aproveite bem o carro que o meu dinheiro comprou, seu encostado. Espero que ele seja confortável para você continuar sendo o cachorrinho da minha esposa."

Enviei.

Bloqueei o número dele. Bloqueei em todas as redes sociais.

Um peso gigantesco saiu das minhas costas.

Não demorou nem cinco minutos para o celular tocar de novo; Sofia.

Deixei tocar até cair na caixa postal, de novo e de novo.

Ignorei-a.

Voltei ao meu jogo, mas minha mente estava planejando.

Planejando o divórcio.

Planejando minha saída.

Planejando minha vida sem Sofia.

Naquela noite, dormi profundamente, sem pesadelos.

O sono de um homem que descobriu a chave da sua prisão.

Anos em que fui dado como certo, uma peça de mobília útil, mas facilmente ignorável.

O carro para Lucas foi apenas o catalisador.

O símbolo final da minha desvalorização.

Eu sabia exatamente o que fazer.

"Então é por isso que você está tão feliz em se livrar de mim!", ela cuspiu, o olhar venenoso fixo na Camila.

"Mal se divorciou e já arrumou uma substituta mais nova! Você é patético, Ricardo! Trocando uma mulher de sucesso por uma estagiária qualquer!"

A agressão foi tão súbita e injustificada que me deixou sem reação. O veneno em suas palavras era inacreditável.

Minha paciência, cultivada por uma década, finalmente se esgotou.

Levantei-me devagar, meu olhar fixo em Lucas.

"Cale a boca, Lucas!"

Minha voz ficou perigosa.

"Você não tem o direito de abrir a boca nesta conversa."

"Você é o motivo de tudo isso."

"Um parasita que se agarrou na minha esposa e ajudou a destruir meu casamento."

Meu olhar se voltou para Sofia.

"E você", continuei, a voz subindo.

"Quer saber a verdade?"

"Sim, eu estou feliz por me livrar de você."

"E sim, a Camila é mais nova. Ela também é mais gentil, mais inteligente e tem mais caráter em um dedo do que você tem no corpo inteiro."

"Mas sabe qual é a principal diferença entre vocês? Ela não é uma traidora."

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