A LUA QUE FALTAVA AO REI

A LUA QUE FALTAVA AO REI

Яoma

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Capítulo

Lia, filha de um alfa e sua lua, cresceu relegada à cozinha pela mesma matilha que ordenou a morte de seus pais. Na noite em que quase morreu, seu lado lobo despertou: ela conseguia distinguir falsos cheiros, ler a floresta e sentir a Pedra quando alguém estava mentindo. Kael, Rei dos Alfas, a resgatou. Ele a cheirou e soube: ela era sua companheira predestinada. Para protegê-la, Kael invocou a Lei da Pedra e enfrentou Argon, o tirano que a mantinha subjugada, em um duelo. Mas uma conspiração já estava em andamento: os mercenários Ferro Negro e Mara usaram armadilhas de prata e um silenciador de cheiro para plantar seu rastro, quebrar sua proteção e fazê-la voltar a ser "Ninguém". Lia precisa escolher: esconder-se sob a proteção do Rei ou lutar ao seu lado. Ela possui um dom que ninguém mais tem. Ela pode descobrir evidências, forçar a Pedra a falar e recuperar seu nome. Kael pode vencer batalhas. Somente Lia pode desmantelar a conspiração que a assombra. Será que eles conseguirão romper as correntes do medo e da traição... ou a guerra entre alcateias os consumirá primeiro?

A LUA QUE FALTAVA AO REI Capítulo 1 A Noite da Ruptura

O impacto soou como algo se estilhaçando por dentro, deixando o mundo oco. Primeiro veio o zumbido nos meus ouvidos, depois a parede se chocou lateralmente e, em seguida, o frio do chão. O cheiro de água sanitária e sangue. Meu sangue.

"Você não serve nem para lavar a louça", ele cuspiu, e a bota atingiu o antebraço que eu instintivamente levantei.

Senti o baque. A dor era indescritível. Eu não gritei. Aprendi há muito tempo que gritar só o encorajava. Prendi a respiração. Contei. Um, dois, três. Meu coração disparou.

Meu "pai".

Desde que o Alfa assumiu o comando da matilha após a morte dos meus verdadeiros pais - o Alfa e a lua que todos diziam adorar - eles decidiram que eu era útil como exemplo. Um trapo com pulso. A filha do caído, transformada em serva, inferior a um Ômega. Eles nem me chamavam pelo meu nome. "Menininha." Rastejei com a mão boa até a porta de serviço. Lá fora, havia lua nova. Ninguém guardava a parte de trás da cozinha; achavam que ninguém em sã consciência correria descalço pela floresta com o braço quebrado. E talvez tivessem razão. Mas eu já não estava em sã consciência.

Ao cruzar a soleira, o ar cheirava a pinho úmido e ferro. A mim mesma. À dor.

"Saia", sussurrou algo dentro de mim. Ainda não era meu lobo, apenas um murmúrio sonolento, uma brasa. Eu o sentia desde criança, mas o medo e a humilhação o haviam enterrado sob as cinzas.

Abaixei a cabeça e corri.

Galhos arranhavam minhas panturrilhas, pedras cravavam-se nas solas dos meus pés. A floresta se curvava e se endireitava a cada passo, e eu rezava para qualquer deus lobo que ainda me observasse. Só mais um pouco, só um pouco, por favor. Meu braço pendia inerte como se não fosse meu; Cada trote me sacudia, enviando dores agudas que embaçavam minha visão.

Ouvi vozes à distância, as dos guardas que às vezes patrulhavam as fronteiras. Não sabia se eram nossos ou se eu havia cruzado a linha sem perceber. Não importava. Se meus homens me encontrassem, eu voltaria para a cozinha. Se outros me encontrassem... eu morreria. Ou pelo menos era o que eu pensava. Decidi arriscar com o destino.

A floresta mudou. O cheiro da terra era diferente, mais limpo, como se a terra fosse mais bem cuidada. Uma brisa levantou a barra da minha camisola e esfriou meu suor. Tropecei numa raiz e, desta vez, sim, gritei. O mundo virou de cabeça para baixo. Caí de lado. A dor no meu braço me fez ver faíscas.

Rastejei mais um metro. Dois. A margem do riacho cintilava. Bebi água desajeitadamente, sentindo-a molhar meu queixo e seu gosto se misturando com o sangue no meu lábio rachado. O zumbido nos meus ouvidos voltou. Encolhi-me, tentando proteger o braço, e olhei para o céu sem lua.

Então eu o ouvi.

"Chega."

Uma única palavra, dita com uma voz poderosa.

Abri os olhos abruptamente. Não o vi. Primeiro, senti o seu cheiro. Almíscar, fumaça de lenha e tempestade. Meu lobo interior despertou. Uma nova e profunda batida do meu coração respondeu-lhe, vinda do meu peito. Era como se um fio invisível se estendesse do meu esterno até a sua voz.

"Quem é você?" Eu queria dizer...

A sombra aproximou-se silenciosamente. Um homem alto, de ombros largos, imponente. Percebi como as árvores pareciam se abrir e pensei que estava delirando.

"Ninguém pode te tratar assim", disse ele.

Ele se agachou ao meu lado. Seus dedos roçaram minha bochecha com uma delicadeza que contradizia o tom de sua voz. Senti a almofada quente, a pele calejada. Um toque suave; ele sabia dosar a sua força. - Você está coberta de hematomas - murmurou ele. - E esse braço...

No instante em que ele tocou o osso quebrado, vi estrelas. Mordi a língua para não gritar. Ele afastou a mão imediatamente.

- Quem é você e por que está me ajudando? - perguntei.

- Porque você está viva e porque não tolero covardes que maltratam os seus.

Engoli em seco. O cheiro do seu pelo me envolveu, intensificando meu medo. Meu lobo me empurrou por baixo, como se quisesse finalmente se libertar. Eu não estava pronta. Não estava pronta para sentir nada além de dor, e ainda assim, lá estava eu.

- De qual alcateia você é? - perguntei, me forçando a não chorar.

- Daquela que não vai te abandonar - respondeu ele. Então, olhou para cima como se procurasse outra pessoa. - Apareça.

Três sombras emergiram silenciosamente de entre os troncos das árvores. Guerreiros. Reconheci-os pela postura, pelo olhar. Pararam a poucos metros de distância, cabeças baixas. Olhando para ele.

"Senhor", disse um deles, loiro, com uma cicatriz na sobrancelha. "O perímetro está livre. Ninguém a está seguindo."

O "senhor" assentiu, e naquele gesto simples havia obediência. Hierarquia. Poder.

"Bandagens", ordenou. "Água. E um suéter."

O loiro se moveu rapidamente. O mais novo pousou um cantil e recuou dois passos, com os olhos baixos. O terceiro tirou um rolo de bandagens e uma tala. Estavam preparados, como se esperassem encontrar feridos na floresta à meia-noite.

"Não me toque", sussurrei quando o mais velho aproximou as bandagens. Foi um reflexo, devido aos meus hematomas.

"Ninguém vai encostar um dedo em você sem a sua permissão", disse ele. "Deixa que eu te ajude?"

Eu sabia que podia dizer não. Rastejar de volta e morrer um pouco mais adiante. Mas a dor havia drenado minhas forças, e seu cheiro... a parte de mim que era minha, a parte que nunca me permitiram conhecer, ansiava desesperadamente por se aproximar.

Assenti com a cabeça.

O homem mais velho trabalhava com eficiência, imobilizando meu antebraço e limpando o sangue do meu corpo. Cada puxão da bandagem me fazia suar frio. O homem mais jovem colocou o cantil na minha mão boa, e eu tomei pequenos goles, com cuidado para não engasgar. O homem loiro apareceu com um suéter grande e escuro que cheirava a pinho e metal. Ele o vestiu, sem tocar meus ombros nus.

"Pronto", disse o homem mais velho, olhando para o líder. "Você pode se mover, mas com cuidado."

"Agora me diga", ele se virou para mim. "Qual é o seu nome?"

Eu queria dizer que era filha de Luna Helena e Alpha Inigo, aquela que corria destemidamente por essas florestas quando elas ainda nos pertenciam. Mas minha língua parecia pesada. - Lía - consegui dizer.

Era meu nome, abreviado.

- Lía - ele repetiu, e meu lobo empurrou com mais força. Sua voz pronunciava meu nome como se ele o estivesse guardando. - Eu sou Kael.

O nome ressoava; eu não precisava que ninguém me explicasse. Eu ouvira histórias sobre o Rei dos Alfas: aquele que uniu clãs para impedir guerras que outros iniciavam por capricho. Aquele que não tinha companheira. Aquele que não se ajoelhava. Aquele que não perdoava.

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