Esquecimento estratégico

Esquecimento estratégico

Sabrina Persil

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Capítulo

Depois de ter o coração partido, Cecília se aproveita de um acidente para fingir que perdeu a memória - esquecendo apenas Adrian. Sustentar essa mentira, porém, será muito mais difícil do que ela imagina. Principalmente quando Adrian está decidido a fazê-la lembrar... usando todos os meios necessários.

Esquecimento estratégico Capítulo 1 Prólogo

Eu vivia uma mentira.

Há alguns anos, menti ao dizer que havia perdido a memória - que não me lembrava de Adrian Blackwood.

E desde então, continuo mentindo.

Por quê?

Raiva.

Orgulho.

E a imaturidade de quem ainda confundia insistência com amor.

Estávamos no ensino médio. Eu era apaixonada por Adrian. Sabia que ele amava outra garota, mesmo estando comigo. Ainda assim, nunca deixei de tentar conquistá-lo. Nunca deixei de acreditar que, se insistisse o suficiente, ele se renderia - que me desejaria com a mesma intensidade com que eu o desejava.

Então, eu fazia de tudo para conquistá-lo, sendo a namorada perfeita. Gentil, calorosa, dedicada... e inteiramente entregue a ele.

Até aquele dia.

Queria encontrá-lo antes do jogo, dar-lhe um beijo de boa sorte. Corri até o vestiário e esperei que todos saíssem - Adrian sempre era o último, gostava de se preparar mentalmente. Estava prestes a surpreendê-lo quando ouvi algo que esmagou qualquer esperança que ainda pulsava em mim.

- Quando as aulas terminarem, eu vou até você e resolveremos nossa situação - ele dizia ao celular.

Eu sabia exatamente com quem falava.

Era com sua ex.

Ele continuou...

- A Cecília não tem nada a ver com isso. Não tenho com o que me preocupar.

Meu coração se partiu em silêncio.

Não esperei que ele percebesse minha presença. Apenas virei as costas e corri.

Estava cansada de tentar.

Cansada de me oferecer inteira para alguém que nunca me escolheu.

Depois do jogo, todos foram comemorar no Becker Bar. Eu o ignorei, mesmo sentindo seu olhar me seguir, insistente, inquieto, como se pressentisse que algo havia se quebrado.

Na hora de ir embora, aceitei a carona de Theo - que, na época, era meu vizinho.

Mesmo sabendo que ele havia bebido demais.

Eu estava com raiva.

E não pensei nas consequências.

Na curva da estrada, tudo aconteceu rápido demais.

O carro perdeu o controle.

Capotou.

Fiquei uma semana em coma.

Quando acordei, minha mente era um emaranhado de fragmentos. As lembranças vinham e iam, confusas. Adrian Blackwood era apenas um nome - sem rosto, sem calor, sem sentimentos.

O médico explicou que aquilo poderia durar alguns dias.

E ele estava certo.

No dia seguinte, lembrei de tudo.

De cada momento.

De cada toque.

De cada beijo roubado.

De cada palavra sussurrada.

E, principalmente, da conversa que ouvi naquela tarde.

Da dor que ainda ardia em mim.

Com a raiva ainda pulsando sob a pele, agi de forma inconsequente e um tanto insana...

Continuei mentindo. Fingindo que não me lembrava de Adrian.

Nos primeiros anos, foi fácil sustentar a farsa.

Passei os últimos meses da escola me recuperando na fazenda da família. Depois, fui para a faculdade.

E Adrian se mudou para os Estados Unidos para estudar, desaparecendo da minha vida.

Comecei a trabalhar em uma grande e importante empresa.

O tempo passou.

A mentira criou raízes.

Aprendi a viver com a mentira e sem Adrian.

Ou pelo menos foi o que pensei.

Porque mentiras têm pernas curtas.

E quando achei que nunca mais precisaria fingir esquecimento, Adrian Blackwood voltou para Serra Nova.

Não apenas voltou - ele se tornou o novo CEO da NovaCore.

Meu chefe.

- Eu não lembro de você - menti, quando ele me encurralou dentro do elevador.

Ele se aproximou. Perto demais. O calor do corpo dele me envolveu. Sua voz era baixa, rouca, carregada de memórias que meu corpo jamais esqueceu.

- Tem certeza? - murmurou junto ao meu ouvido. - Porque o jeito que você me olha... é exatamente o mesmo de quando estava por cima de mim, gemendo o meu nome.

Meu coração disparou.

Minha mentira vacilou.

E eu soube, naquele instante...

Que estava completamente perdida.

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