Esquecimento estratégico

Esquecimento estratégico

Sabrina Persil

5.0
Comentário(s)
205
Leituras
14
Capítulo

Depois de ter o coração partido, Cecília se aproveita de um acidente para fingir que perdeu a memória - esquecendo apenas Adrian. Sustentar essa mentira, porém, será muito mais difícil do que ela imagina. Principalmente quando Adrian está decidido a fazê-la lembrar... usando todos os meios necessários.

Esquecimento estratégico Capítulo 1 Prólogo

Eu vivia uma mentira.

Há alguns anos, menti ao dizer que havia perdido a memória - que não me lembrava de Adrian Blackwood.

E desde então, continuo mentindo.

Por quê?

Raiva.

Orgulho.

E a imaturidade de quem ainda confundia insistência com amor.

Estávamos no ensino médio. Eu era apaixonada por Adrian. Sabia que ele amava outra garota, mesmo estando comigo. Ainda assim, nunca deixei de tentar conquistá-lo. Nunca deixei de acreditar que, se insistisse o suficiente, ele se renderia - que me desejaria com a mesma intensidade com que eu o desejava.

Então, eu fazia de tudo para conquistá-lo, sendo a namorada perfeita. Gentil, calorosa, dedicada... e inteiramente entregue a ele.

Até aquele dia.

Queria encontrá-lo antes do jogo, dar-lhe um beijo de boa sorte. Corri até o vestiário e esperei que todos saíssem - Adrian sempre era o último, gostava de se preparar mentalmente. Estava prestes a surpreendê-lo quando ouvi algo que esmagou qualquer esperança que ainda pulsava em mim.

- Quando as aulas terminarem, eu vou até você e resolveremos nossa situação - ele dizia ao celular.

Eu sabia exatamente com quem falava.

Era com sua ex.

Ele continuou...

- A Cecília não tem nada a ver com isso. Não tenho com o que me preocupar.

Meu coração se partiu em silêncio.

Não esperei que ele percebesse minha presença. Apenas virei as costas e corri.

Estava cansada de tentar.

Cansada de me oferecer inteira para alguém que nunca me escolheu.

Depois do jogo, todos foram comemorar no Becker Bar. Eu o ignorei, mesmo sentindo seu olhar me seguir, insistente, inquieto, como se pressentisse que algo havia se quebrado.

Na hora de ir embora, aceitei a carona de Theo - que, na época, era meu vizinho.

Mesmo sabendo que ele havia bebido demais.

Eu estava com raiva.

E não pensei nas consequências.

Na curva da estrada, tudo aconteceu rápido demais.

O carro perdeu o controle.

Capotou.

Fiquei uma semana em coma.

Quando acordei, minha mente era um emaranhado de fragmentos. As lembranças vinham e iam, confusas. Adrian Blackwood era apenas um nome - sem rosto, sem calor, sem sentimentos.

O médico explicou que aquilo poderia durar alguns dias.

E ele estava certo.

No dia seguinte, lembrei de tudo.

De cada momento.

De cada toque.

De cada beijo roubado.

De cada palavra sussurrada.

E, principalmente, da conversa que ouvi naquela tarde.

Da dor que ainda ardia em mim.

Com a raiva ainda pulsando sob a pele, agi de forma inconsequente e um tanto insana...

Continuei mentindo. Fingindo que não me lembrava de Adrian.

Nos primeiros anos, foi fácil sustentar a farsa.

Passei os últimos meses da escola me recuperando na fazenda da família. Depois, fui para a faculdade.

E Adrian se mudou para os Estados Unidos para estudar, desaparecendo da minha vida.

Comecei a trabalhar em uma grande e importante empresa.

O tempo passou.

A mentira criou raízes.

Aprendi a viver com a mentira e sem Adrian.

Ou pelo menos foi o que pensei.

Porque mentiras têm pernas curtas.

E quando achei que nunca mais precisaria fingir esquecimento, Adrian Blackwood voltou para Serra Nova.

Não apenas voltou - ele se tornou o novo CEO da NovaCore.

Meu chefe.

- Eu não lembro de você - menti, quando ele me encurralou dentro do elevador.

Ele se aproximou. Perto demais. O calor do corpo dele me envolveu. Sua voz era baixa, rouca, carregada de memórias que meu corpo jamais esqueceu.

- Tem certeza? - murmurou junto ao meu ouvido. - Porque o jeito que você me olha... é exatamente o mesmo de quando estava por cima de mim, gemendo o meu nome.

Meu coração disparou.

Minha mentira vacilou.

E eu soube, naquele instante...

Que estava completamente perdida.

Continuar lendo

Você deve gostar

A Noiva Abandonada Casa-se com o Capo Impiedoso

A Noiva Abandonada Casa-se com o Capo Impiedoso

Li Zi Hai Shi Xing
4.8

Faltavam três dias para eu me casar com o Subchefe da família Ferraz quando desbloqueei seu celular secreto. A tela brilhava com uma luz tóxica na escuridão, ao lado do meu noivo adormecido. Uma mensagem de um contato salvo como "Probleminha" dizia: "Ela é só uma estátua, Dante. Volta pra cama." Anexada, havia uma foto de uma mulher deitada nos lençóis do escritório particular dele, vestindo a camisa dele. Meu coração não se partiu; ele simplesmente parou. Por oito anos, eu acreditei que Dante era o herói que me tirou de um Theatro Municipal em chamas. Eu interpretei para ele o papel da Princesa da Máfia perfeita e leal. Mas heróis não dão diamantes rosa raros para suas amantes enquanto dão réplicas de zircônia para suas noivas. Ele não apenas me traiu. Ele me humilhou. Ele defendeu sua amante na frente de seus próprios soldados em público. Ele até me abandonou na beira da estrada no meu aniversário porque ela fingiu uma emergência de gravidez. Ele achava que eu era fraca. Ele achava que eu aceitaria o anel falso e o desrespeito porque eu era apenas um peão político. Ele estava errado. Eu não chorei. Lágrimas são para mulheres que têm opções. Eu tinha uma estratégia. Entrei no banheiro e disquei um número que não ousava ligar há uma década. "Fale", uma voz como cascalho rosnou do outro lado. Lorenzo Moretti. O Capo da família rival. O homem que meu pai chamava de Diabo. "O casamento está cancelado", sussurrei, encarando meu reflexo. "Eu quero uma aliança com você, Enzo. E quero ver a família Ferraz reduzida a cinzas."

Renascendo dos Escombros: O Retorno Épico de Starfall

Renascendo dos Escombros: O Retorno Épico de Starfall

Su Liao Bao Zi
5.0

Sangrando no volante do meu carro destruído, com a visão turva e o gosto de cobre na boca, usei minhas últimas forças para ligar para o meu marido. Era a minha única chance de salvação nesta tempestade. Mas quem atendeu foi o assistente dele, com uma frieza metálica: "O Sr. Wilson disse para parar com o teatro. Ele mandou avisar que não tem tempo para a sua chantagem emocional hoje." A linha ficou muda. Enquanto os paramédicos me arrastavam para fora das ferragens, vi na TV da emergência o motivo da "ocupação" dele. Meu marido estava ao vivo, cobrindo sua ex-namorada, Gema, com seu paletó para protegê-la da mesma chuva que quase me matou. O olhar dele para ela era de pura adoração. Quando voltei para a nossa cobertura para pegar minhas coisas, encontrei no bolso daquele mesmo paletó uma ultrassonografia com o nome dela. Ao me ver, ele não perguntou se eu estava bem. Ele me chamou de "decoração quebrada", jogou um cheque em branco na minha cara e congelou todos os meus cartões de crédito. "Você não é nada sem mim," ele disse, rindo com desdém. "Vai rastejar de volta em uma semana quando a fome apertar." Ele achava que tinha se casado com uma esposa troféu inútil e dependente. O que Arpão não sabia é que a "decoração" tinha uma vida secreta. Eu sou Starfall, a lenda anônima da dublagem, com milhões escondidos em contas offshore que ele nem sonha que existem. Limpei o sangue do rosto, peguei meu microfone profissional e caminhei até o estúdio da empresa dele. Não para pedir desculpas. Mas para roubar o papel principal do filme que a amante dele desesperadamente queria, e destruir o império deles com a minha voz.

Capítulo
Ler agora
Baixar livro