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O que um subchefe de uma infame família criminosa tem em comum com uma animada professora de escola primária? Absolutamente nada, exceto por um casamento de conveniência, claro. Quando Lionel Tyson não consegue pagar uma dívida de jogo e oferece sua posse mais preciosa como garantia, Austin Hawthorne não fica impressionado. Mas, precisando desesperadamente de uma governanta e babá permanente, ele sabe que seria uma burrice recusar uma oferta dessas. Então, contra seu melhor julgamento, ele aceita uma proposta que deveria absolutamente recusar. Marybeth Tyson fica horrorizada ao descobrir que seu pai não só está sendo procurado por agiotas, como também a vendeu para um chefe da máfia. Obrigada pelo dever e pressionada pela culpa, ela concorda em dar um ano de sua vida a Austin Hawthorne, apesar de toda a lógica mandar que ela fuja para o outro lado. Afinal, quão difícil pode ser fingir estar perdidamente apaixonada por alguém? Tudo é diversão e jogos até que a encenação se torna muito real, e um segredo devastador do passado de Austin vem à tona, ameaçando destruir sua segunda chance de amar com sua obstinada busca por respostas. A traição, especialmente pelas mãos de seu irmão mais velho, Blake, e do amigo de longa data, Andrei Ivanov, é um golpe amargo para Austin, e deixá-los impunes não é uma opção. Impulsionado pela sede insaciável de vingança, Austin não medirá esforços para chegar à verdade, mesmo que isso signifique destruir amizades de décadas e laços frágeis com A Corporação. Sangue atrai sangue, independentemente do custo.
A qualquer momento agora, Marybeth pensava. A qualquer momento, o pai dela ia dizer que tudo aquilo era só uma brincadeira - não, uma piada de péssimo gosto - e eles iam rir disso depois, tomando um café, enquanto ela o xingava por ter feito ela atravessar a cidade inteira desde o apê dela em Sea Point por causa de uma pegadinha idiota. Mas o tempo passou. Nenhuma risada veio. E foi ali que ela entendeu: a única pessoa que ela confiava de verdade nesse mundo, aquela que ela jamais imaginou que a trairia, fez exatamente isso.
"Você só pode estar brincando", ela soltou, se jogando na cadeira velha e meio bamba da sala de jantar, apoiando a cabeça nas mãos, o cabelo bagunçado e ruivo caindo sobre o rosto sardento como folhas alaranjadas de outono. Estava furiosa demais. Nem o cabelo ela penteou, muito menos tomou um banho rápido, porque a Danica, sua madrasta, ligou às cinco da manhã chorando como se fosse caso de vida ou morte.
Agora, sentada ali encarando as manchas de água antigas no tampo barato de madeira compensada, Marybeth tentava entender que parte daquele plano maluco envolvia vida ou morte. Se soubesse que era só mais uma cagada do pai, teria desligado na cara da Danica e voltado a dormir. Era cedo demais para qualquer um estar acordado, ainda mais num sábado.
"Papai, fala alguma coisa." Marybeth parou de mirar as manchas por um segundo e olhou pro pai, com o desespero estampado nos olhos.
"Querida-" ele começou, com aquela voz melada que só usava quando estava enrolando alguém no trabalho.
"Não!" Marybeth tapou os ouvidos com força e sacudiu a cabeça, numa tentativa inútil de negar a realidade. A voz dele, aquela voz, ela já tinha ouvido tantas vezes antes, assistindo impotente enquanto ele manipulava gente inocente com suas palavras doces. Só que agora era ela quem estava do outro lado. Ela era a próxima vítima dele. E por causa da ganância dele, ela teria que ir no cartório na Rua Strand dali a três horas pra casar com um cara que nunca viu na vida. Um homem que poderia ter o dobro da idade dela, talvez até um golpista ou, pior, um bandido daqueles perigosos. Nenhuma hipótese era absurda, considerando os "amigos" do pai.
"É só por um ano, amorzinho", Danica entrou no papo toda doce, os olhos azuis marejando com lágrimas de crocodilo. Ela nem era tão mais velha que Marybeth assim. Oito anos apenas. Mas o álcool cobrou seu preço. A cara dela parecia de quem estava sempre bêbada, mesmo sóbria. Culpa do trabalho no Royal Lights, um cassino todo espalhafatoso que ficava do outro lado da cidade.
"Sério mesmo, minha linda-" Danica tentou continuar, mas se calou rapidinho quando Marybeth lançou um olhar atravessado.
Rangendo os dentes, Marybeth perguntou: "Se é só um ano então, por que você não casa com ele?"
"Até faria isso, mas como seu pai deve um dinheirão, só dá mesmo pra oferecer aquilo que ele mais valoriza", respondeu Danica, repetindo o que já tinha falado antes.
"Não entendo onde eu entro nessa história", resmungou Marybeth. "Eu tenho a minha própria vida, sabe?"
"Sim, só que você não tem um homem, querida", o pai interrompeu, com aquela sinceridade irritante. "E também já tá ficando mais velha, Flor. Suas amigas já tão se casando. Tem umas até grávidas-"
"Eu só tenho vinte e oito!", ela retrucou, levantando e andando de um lado pro outro na cozinha apertada. Vinte e oito não era exatamente a beira da morte.
"Sei disso, querida. Mas, por favor, faça isso pelo seu querido papai?"
Marybeth desviou o olhar da janela, completamente incrédula. "Pai, você vive enganando as pessoas! Isso tudo é uma loucura sem tamanho. Por que você não vai a um banco e pega um empréstimo como qualquer pessoa normal? Gente comum não obriga a filha a casar com um estranho pra pagar dívida!"
"O Lionel tá com o nome tão sujo que nem sonha em conseguir crédito. E nenhum banco quer saber de mim depois daquele rolo com os cartões, mesmo eu tendo sido inocentada", Danica se explicou, esfregando com força os braços ossudos. Marybeth já imaginava que a madrasta tava tendo outra crise de abstinência. Ela já tinha perdido a conta de quantas vezes Danica tentava largar o Tik, ficava limpa por meses, pra depois voltar pro vício do nada. Era doloroso de ver, especialmente nas fases mais intensas - ela chegava a se coçar toda até sangrar.
Marybeth segurou as mãos dela e as abaixou, antes que voltasse a cutucar a pele. Virando-se pro pai, perguntou: "Quanto exatamente você deve pra esse cara?"
"Muito", disse ele.
"Quanto é esse muito?" O silêncio respondeu. Mas ela insistiu. "Cinquenta mil?"
Ele negou com a cabeça.
"Cem?"
Outra negativa, dessa vez mais enfática.
"Meu Deus, pai! Não me diga que é um milhão?"
"Quase isso", sussurrou Danica.
"Pai! O que foi que você fez? Como conseguiu essa dívida absurda? E por que não consegue simplesmente me dizer quanto é o valor?" Marybeth afundou as mãos no rosto, respirando rápido demais. Ela não entendia como alguém desempregado conseguia afundar tão fundo.
"Desculpa." Foi só isso que ele disse, não importava quanto Marybeth pressionasse. E isso deixava ela mais irritada ainda.
Cansada de tentar ser a única adulta na sala, ela desabafou tudo, jogando na cara dele cada uma das loucuras que ele já tinha feito - desde os golpes de pirâmide até as dívidas que quase deixaram eles na miséria.
"Flor, você sabe que eu nunca quis te machucar, e eu não fui preso por nenhuma daquelas coisas."
Marybeth soltou um riso amargo. "Isso porque você sempre soube escapar das enrascadas, pai. Não é que você fosse inocente!"
Seu pai não era o homem mais sortudo do mundo, mas ele certamente sabia como usar seu charme e inteligência para se livrar de qualquer encrenca, saindo apenas com multas e penas suspensas. Sua lábia lhe rendeu o apelido de Slippy. Era escorregadio que só. E Marybeth cansou disso. Cansou da vida de vigarista barata dele, de agir sem pensar nas consequências.
"Sabe de uma coisa?" disse ela, a voz só um pouco acima de um sussurro. "Eu costumava odiar a mamãe. Culpava ela por ter ido embora. por ter deixado a gente. Mas agora vejo que foi a melhor decisão da vida dela. Eu queria tanto que ela tivesse me levado junto!"
"Isso não é justo-" Ele nem conseguiu argumentar. Marybeth se levantou de uma vez, girou nos calcanhares e saiu da casa como um furacão, batendo a porta fininha com tudo.
Desceu a escada correndo e só quando chegou no carro parou pra lembrar que tinha esquecido o envelope com os dados do futuro "marido" em cima da mesa da cozinha.
Ela não queria ter que voltar lá depois de sair daquele jeito, mas se quisesse resolver isso direito, sem acabar realmente casada, não tinha escolha. Então voltou, pegou o envelope com raiva e saiu de novo, sem nem olhar direito pro pai, que chorava feito criança no colo da Danica.
Belo Desastre
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Máfia
Capítulo 1 É só por um ano
04/03/2026
Capítulo 2 As Maiores Traições
04/03/2026
Capítulo 3 Destino
04/03/2026
Capítulo 4 A vida em ordem
04/03/2026
Capítulo 5 Não é justo
04/03/2026
Capítulo 6 Isso não muda nada
04/03/2026
Capítulo 7 Por obrigação
04/03/2026
Capítulo 8 Um erro
04/03/2026
Capítulo 9 Lealdade acima de tudo
04/03/2026
Capítulo 10 Vamos começar
04/03/2026
Capítulo 11 Eu nunca disse que não era
04/03/2026
Capítulo 12 Eu confio em você
04/03/2026
Capítulo 13 Bem-vinda à família
04/03/2026
Capítulo 14 Não sei dos segredos mais profundos
04/03/2026
Capítulo 15 Seu marido tem um trabalho importante
04/03/2026
Capítulo 16 O amor não significa nada
04/03/2026
Capítulo 17 Faz sentido-1
04/03/2026
Capítulo 18 Faz sentido-2
04/03/2026
Capítulo 19 Faz sentido-3
04/03/2026
Capítulo 20 Emboscada-1
04/03/2026
Capítulo 21 Emboscada-2
04/03/2026
Capítulo 22 Poeira estelar
04/03/2026
Capítulo 23 O problema com o fogo
04/03/2026
Capítulo 24 Obra de arte
04/03/2026
Capítulo 25 Inícios e Finais
04/03/2026
Capítulo 26 Perto da chama
04/03/2026
Capítulo 27 Eu poderia te amar-1
04/03/2026
Capítulo 28 Eu poderia te amar-2
04/03/2026
Capítulo 29 Primeiro teste real
04/03/2026
Capítulo 30 Confiança
04/03/2026
Capítulo 31 Estrela do Norte
04/03/2026
Capítulo 32 Garoto de cabelo dourado
04/03/2026
Capítulo 33 Ainda me importo com você, Beth
04/03/2026
Capítulo 34 Sol e uma leve brisa
04/03/2026
Capítulo 35 O Início de Algo Deliciosamente Disfuncional
04/03/2026
Capítulo 36 Basta!
04/03/2026
Capítulo 37 Bonnie e Clyde
04/03/2026
Capítulo 38 Flats-1
04/03/2026
Capítulo 39 Flats-2
04/03/2026
Capítulo 40 Confronto-1
04/03/2026
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