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Capítulo

Amanda, uma telepata de 18 anos de idade que podia ler a mente dos outros sempre que ela quisesse, o que foi mais uma maldição do que um presente para ela. Seus pais morreram em um acidente de carro há um ano, e assim, a primeira coisa que ela fez depois de completar o ensino médio foi mudar seu local de residência, mudando-se para uma pequena cidade chamada Caninos Perolados com sua tia. No entanto, havia algo estranho nesse lugar. O que foi mais estranho era que ela sentia uma atração inegável por um homem chamado Edgar. Ele a olhava profundamente como se conhecesse seus segredos mais profundos, mostrando-lhe seu maior cuidado. Até que, uma noite, ele veio e se inclinou para ela antes de sussurrar sedutoramente em seus ouvidos, "Olá, senhora. Vamos nos apaixonar um pelo outro."

Capítulo 1
Em Caninos Perolados

PONTO DE VISTA DA AMANDA:

'Querido diário, hoje é o meu último dia aqui. Completa exatamente um ano que o incidente aconteceu. Dizem que todas as minhas decisões são sempre impulsivas e precipitadas. Porém, estou saindo daqui para continuar os meus estudos e talvez, para dar um tempo. Esse também seria o desejo da mamãe e do papai, certo? Para que eu possa viver uma vida feliz.

Sei que sentirei saudades deste lugar, mas acredito que a minha vida precisa de um novo rumo, e consequentemente, devo buscar um novo lar, caso contrário, acho que nunca vou conseguir superar o fato de que os dois me deixaram sozinha neste mundo para lutar por mim mesma.

Estou me mudando para a casa da tia Bárbara, que fica na cidade de Caninos Perolados. O nome é estranho, não é mesmo? Porém, fica próxima da universidade que gostei e ela cuidará de mim. Ela é ótima e super legal comigo, sempre pensei que morar com ela seria divertido, mas nunca imaginei que faria isso nessas circunstâncias, só espero não atrapalhar a vida dela com a minha presença.

Preciso fazer as malas agora.

Com amor, Am.'

Assim que terminei de escrever no meu diário, o guardei novamente no meu lugar secreto, que fica atrás do meu guarda-roupa.

Na verdade, hoje foi a última vez que escrevi neste diário, porque era a sua última página vazia. Assim que chegar na casa nova, precisarei comprar um novo.

Nova vida, novas experiências, novas lembranças. Esse era o meu plano para o futuro, nada de muito complicado de se conseguir.

Só espero que as coisas saiam como estou esperando.

Verifiquei pela última vez, se tinha tudo o que precisava, fechei a minha mochila e peguei a minha mala. Decidi levar somente o essencial, como as minhas roupas preferidas, e coisas necessárias, como o álbum de fotos dos meus pais, além de pequenas coisas que me deixem feliz e me façam sentir em casa.

O resto das minhas coisas, apenas me certifiquei de que estavam colocadas corretamente nos seus lugares, pois não queria deixar nada bagunçado.

Embora esteja me mudando deste lugar, não pretendo por enquanto, vender a propriedade. Aqui estão muitas memórias minhas com os meus pais. Quem sabe depois de terminar a universidade, voltarei a morar aqui?

Verifiquei se todas as torneiras estavam bem fechadas e se as janelas estavam trancadas, dei uma última olhada na casa, antes de abrir um sorriso triste e trancar a porta.

"Você está indo agora, Amanda?" A tia do meu vizinho, que trabalhava na polícia, perguntou.

"Sim, tia. Desculpe incomodá-la, mas você poderia tomar conta da casa, por favor?" Disse educadamente.

"Claro que sim, querida, não precisa se preocupar. Estou pronta para mantê-la sob o meu controle e intimar aquele meu filho inútil para ajudar, se você concordar." Ela brincou.

"Ei!! Eu escutei isso, mãe!" Uma voz veio de dentro da casa dela.

"A ideia era essa, que você escutasse." Ela gritou de volta para o filho, e voltou o olhar para mim sorrindo.

Meu sorriso era triste, assistindo à interação mãe-filho, algo que não teria mais. Eu sinto muita falta da minha mamãe e do meu papai, embora eles não fossem os meus pais biológicos, isso nunca impediu o meu amor incondicional por eles.

Acenando uma última vez para ela, saí do quintal da casa e caminhei até o outro lado da rua, onde um táxi já estava esperando por mim.

Três horas depois, carregando uma mochila e uma mala, uma em cada mão, caminhei para dentro do aeroporto, quando o táxi me deixou na frente do portão de entrada.

A distância entre a minha cidade e o aeroporto eram de três horas de carro. E o voo levaria cerca de quatro horas até o destino final, então no total, até o meu destino final, seriam mais de sete horas de viagem.

Ótimo!

Para me distrair durante o voo, baixei algumas músicas e também audiolivros. Sei que alguns voos oferecem acesso à internet, porém, é necessário pagar, então, melhor garantir a minha diversão sem gastar dinheiro.

Sentindo-me muito satisfeita com minha ideia, estava preparada para enfrentar a minha longa viagem.

__________Nove horas depois__________

Pedi para o motorista do táxi parar na frente de um endereço que eu lembrava, e tirei a minha bagagem do carro, antes de pagar pela corrida.

Não sei dizer o motivo, mas estava sentindo uma vibração estranha desde o momento em que cheguei à cidade.

Era como se algo estivesse me atraindo.

E o fato do motorista do táxi ter me olhado de uma maneira tão estranha quando disse que estava indo para Caninos Perolados, não ajudou em nada, pelo contrário.

Ele cobrou o dobro do preço da corrida normal, revirei os olhos por causa da sua atitude. Ele disse que era um extra que tinha que ser pago por conta da área que ele teve que me levar.

Acabei aceitando o preço dele, com medo de não encontrar mais nenhum motorista disposto a me levar até o local que queria.

Parada na frente de uma casa, fiquei na dúvida se estava no endereço correto ou não? Estive aqui, uma única vez, quando ainda era criança, e naquele dia, briguei com outra criança e, desde então, mamãe e papai nunca me permitiram voltar.

A casa que estava na minha frente não era a mesma da lembrança que tinha de nove anos atrás. Mas, pelo que lembrava, estava no local certo.

Além disso, o carrilhão pendurado na janela do quarto do primeiro andar era muito difícil de ignorar, porque fui eu quem o fiz.

Olhei para a casa, que estava bem conservada, e toquei a campainha duas vezes, porém ninguém veio abrir a porta.

Peguei o meu telefone, rolei a lista de contatos e vi alguns números, até encontrar o que buscava. Liguei para tia Bábara com o número que ela usou para me ligar da última vez que nos falamos. Só esperava que fosse o mesmo, porque ela tem o hábito de mudar de telefone e ter mais de um número, e saber qual ela está usando no momento, não é tarefa fácil.

"Alô! Estou falando com a senhorita Bárbara Costa? Ah, graças a Deus! Bárbara, estou na frente da sua casa. Você pode vir abrir a porta, por favor, se estiver em casa, claro."

"Olá, querida, sinto muito. Estou em um supermercado próximo de casa, comprando algumas coisas para você, em meia hora estarei de volta. Você se incomoda de esperar na cafeteria que está perto de casa?" Bárbara perguntou um pouco sem jeito.

Conhecendo os seus hábitos, ela provavelmente estava fazendo compras de último minuto, comida, lanches e chocolates para mim, e estava pensando se eu gostaria ou não.

"Não se preocupe e não precisa ter pressa. Não se incomode por minha causa. Sempre gosto de tudo o que você escolhe." Depois disso, encerrei a ligação.

Ela disse uma cafeteria próxima? Olhei para a esquerda e para a direita para procurar por uma, e logo, encontrei o local ao qual ela se referiu. A placa da cafeteria era difícil de ignorar.

Coloquei a minha bagagem atrás do portão principal, peguei a minha carteira, e fui na direção da cafeteria.

O local tinha cara de ser bom. Do lado de fora, podia não parecer tão bom, mas dentro era toda uma outra história, totalmente diferente. Era acolhedor e elegante.

"Olá, o que você vai querer?" A senhora atrás do balcão perguntou para mim.

"Hum, um café frio com calda de chocolate extra e chips de chocolate para bebida e mais dois sanduíches? Obrigada!" Fiz o meu pedido educadamente.

"Querida, você escutou o que ela disse. Dois sanduíches e um café frio com chocolate extra e chips de chocolate." A senhora gritou para a funcionária que estava perto da porta da cozinha.

"Querida, você parece nova por aqui. Você veio visitar alguém? Tenho certeza que sim, pois nunca vi você por aqui." A senhora perguntou, porém afirmando.

"Na verdade sim. Vou ficar aqui por algum tempo. Ficarei na casa da minha tia e vou cursar a universidade daqui." Respondi.

Não vi nada de errado em responder algumas perguntas, imaginei. Sem falar, que a senhora parecia inofensiva e acolhedora.

Em seguida, me sentei perto da janela, esperando pelo meu pedido.

Olhando pela janela, vi do lado de fora um monte de adolescentes da minha idade, rindo e brincando. Foi uma visão maravilhosa para mim. Eu costumava a me divertir com os meus amigos daquela maneira, antes dos meus pais partirem.

Balancei a cabeça para me livrar das memórias tristes, olhei de volta para o grupo de jovens e percebi algo.

Não apenas os meninos do grupo exibiam corpos esculturais e eram bonitos, mas as meninas também eram incrivelmente lindas.

'Este é o lugar de onde saem os futuros modelos e artistas em geral?'

Um dos rapazes, que parecia o meu tipo, ou talvez, meu tipo até antes do ano passado, chamou a minha atenção. Em seguida, eles entraram na cafeteria, e então, a agitação que estava acontecendo lá fora foi transladada para dentro do local.

"Pessoal, parem de gritar! Vocês estão arruinando uma boa primeira impressão desta cidade, na frente da nossa hóspede." A balconista disse, apontando com o olhar para mim.

Suas palavras pareciam ter um super poder, porque os acalmou na mesma hora e eles começaram a olhar na minha direção.

Então, é assim que você se torna o centro das atenções, quando não é a sua intenção.

Tive vontade de revirar os olhos. Será que alguém de fora é tão raro nesta cidade?

"Ei, você é nova aqui?" O cara que comentei que era o meu tipo veio até mim e perguntou educadamente.

'Obrigada por perguntar o óbvio, senhor óbvio.' Tive vontade de responder.

"Sim. Vim para começar a universidade." Respondi, e em seguida, agradeci ao garçom que trouxe o meu pedido à mesa.

A comida no voo não era muito boa, então, estava com fome.

"Uau! Que legal! Todos nós vamos para a universidade este ano. Ei pessoal, temos uma nova colega de classe aqui. Venham conhecê-la!" Ele gritou para os amigos.

"Oh, esqueci de me apresentar, sou Marcelo. Você pode me chamar de Mar, Celo ou Marcelo. Como preferir. Eu não me importo." Ele disse, mostrando os seus dentes perfeitos.

"Amanda", disse o meu nome.

"Ei, se apressem! Eu quero me apresentar para a garota." Escutei uma conversa distante, que achei um pouco estranha. Já tinha se passado muito tempo desde que alguém me chamou de 'garota' daquela maneira. Tirando aquela vez, estava acostumada com olhares simpáticos dos meus amigos e de qualquer outra pessoa que fosse apresentada.

De qualquer forma, Marcelo tinha sido simpático e sorri para ele.

Ele era bonito e simpático, mas ainda assim, não me sentia confortável com tantas pessoas ao meu redor. Antes que todos pudessem vir até mim, após realizarem os seus pedidos, peguei o meu lanche para deixar a cafeteria.

Eu sei, fui covarde, e tinha dito que estava indo para mudar, mas simplesmente não conseguia manter um sorriso falso por muito tempo. Vou levar algum tempo para me acostumar com o lugar e com as pessoas, especialmente, com a floresta ao redor.

Quando voltei para a casa da minha tia, percebi que a minha bagagem não estava onde tinha deixado. Provavelmente, a tia Bárbara já levou tudo para dentro de casa.

Vamos lá! Olhei para a casa, respirei fundo, antes de abrir o melhor sorriso natural que pude e entrei.

'Aqui vou eu, rumo a uma nova vida.'

Assim que entrei em casa, cumprimentei a tia Bárbara com um abraço carinho, que foi correspondido por um quase esmagar de ossos.

Mesmo sendo minha tia, ela nunca gostou de ser chamada de tia.

Segundo ela, ser chamada de tia a fazia se sentir velha, e sinceramente, acho que ela tinha razão. Quem não a conhecia, provavelmente pensaria que ela tinha apenas vinte dois ou vinte três anos, quando na verdade, ela tinha completado trinta quatro anos este ano.

"Olá, Amanda! Então, finalmente vamos morar juntas! Sei que você deve estar triste e se sentindo chateada com o que aconteceu, mas você não tem permissão para ficar triste nesta casa. Deve me prometer que vai esquecer as lembranças ruins e vai seguir em frente, valorizando as coisas boas." Ela disse.

"Eu prometo", respondi. Era exatamente o meu objetivo aqui. Para esquecer as lembranças ruins e seguir em frente, apreciando as coisas boas.

"Ah, esqueci de contar para você! Estou namorando e o nome dele é Cauã. A maior parte do tempo passo na casa dele, mas não se preocupe, virei aqui todos os dias para fazer companhia para você durante um tempo." Ela disse, enquanto se movia pela cozinha para colocar as compras nos armários.

"É um relacionamento sério?" Perguntei curiosa. Era a primeira vez que a escutava falando de um namorado, pois ela costumava dizer que estava esperando o homem certo, justificando o fato de estar sozinha.

"Claro, ele é o meu companheiro." Ela disse.

"Companheiro? Tipo alma gêmea?" Perguntei. Nunca imaginei que alguém tão legal como a tia Bárbara acreditasse nessa besteira de companheiro.

Tudo o que sei é que as pessoas hoje em dia são tão gananciosas que não se aproximam de ninguém sem ter um motivo oculto. E mesmo que alguém esteja em um relacionamento, isso não garante que eles ficarão juntos para sempre.

"Hum... Alma gêmea. Bem, falamos sobre esse assunto um outro dia. Coloquei a comida e os lanches que você vai precisar nos armários. Sei que você sempre amou ficar sozinha, não pense que não sei como era a vida de merda que você levou no passado." Bárbara me repreendeu novamente.

Apenas dei uma mordida em um doce que ela tinha comprado para mim, enquanto a escutava falando.

"O que quero dizer é que é hora de você seguir em frente, Amanda. Há pessoas que se preocupam com você. E em breve, você descobrirá quem são. Preciso ir agora. Lembre-se de fechar as portas e as janelas à noite. Muitos lobos saem da floresta à noite para pegar as meninas." Ela brincou se fazendo de séria.

"Ah tá! E como sou carne nova por aqui." Continuei.

"Bem, pelo menos você entendeu o que falei." Ela riu antes de me abraçar e sair com a sua bolsa, com coisas dentro que é melhor não mencionar.

'Parece que eles estão levando muito a sério o relacionamento, dada a quantidade de proteção que ela comprou. Eles estão planejando não sair do quarto durante um ano inteiro?' Pensei comigo mesma.

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