“A jovem Angélica carregava o peso da ausência materna e a constante cobrança paterna, um policial inflexível que a idealizava como um exemplo de virtude. Ironia cruel, pois a realidade de Angel era bem mais sombria, um segredo que escapava aos olhos do pai. Submersa na névoa da depressão e trespassada pela ansiedade, Angélica encontrava, em seus raros momentos de respiro, uma pulsão irresistível pela adrenalina. Buscava no caos a intensidade que a fizesse sentir-se viva, ansiando por provar o sabor real da existência. Assim, o amanhã se tornava uma miragem distante, enquanto ela se entregava a Guto, um tatuador que tingia sua visão de mundo com cores vibrantes e sensações inéditas. A relação era um turbilhão inebriante, uma fuga da sua própria pele. Contudo, as máscaras inevitavelmente caem, e ambos descobririam, tarde demais, que seus caminhos eram irreconciliáveis. O abismo entre eles se escancarava na chocante verdade: ela, filha do policial; ele, um criminoso.”