Sempre foi Você

Sempre foi Você

Krys Torres

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Capítulo

No impiedoso submundo de Tóquio, onde sangue e lealdade se confundem com destino, Yuna, filha única do temido Kenji Takayama, cresceu cercada por luxo, segredos e violência. Mas sua história com Ethan começou no dia mais sombrio de sua vida. Foi no velório do seu mestre que ele a viu pela primeira vez : uma menina de nove anos, vestida de luto, que, em um gesto inocente e comovente, compartilhou sua dor com ele. Aquele simples ato, puro e infantil, selou o destino de ambos. Ethan, o discípulo do homem que acabara de morrer, jurou naquele instante que protegeria a menina com sua própria vida. E naquele dia, um amor nasceu ali, silencioso, fraternal... e condenado. Com o passar dos anos, o que era devoção se transformou em tormento. O Ceifador, como Ethan era conhecido no submundo, tornou-se o protetor invisível da jovem herdeira. Ele a seguia nas sombras, eliminava ameaças antes mesmo que se aproximassem e guardava para si o fardo de um amor impossível. Para ela, ele era apenas uma lembrança de infância, o "anjo de olhos azuis" que surgiu em meio à tragédia e jamais abandonou seu coração. Para ele, ela era a única razão para ele continuar vivendo. Quando Yuna completa dezoito anos, um novo atentado ameaça a linhagem da família. O tio dela, recebe um aviso: os mesmos homens que mataram seu irmão e sua cunhada estão de volta e agora querem a vida da princesa. Temendo o pior, ele toma uma decisão desesperada: enviá-la para a América, ocultando a verdade para mantê-la viva. Mas Yuna não vai sozinha. Ethan, fiel ao último desejo de seu mestre, parte ao seu lado, oculto sob uma nova identidade, agora como seu professor e guarda-costas. Entre lições, silêncios e olhares que dizem mais do que deveriam, nasce uma tensão impossível de controlar. Ethan luta contra o próprio coração, tentando conter o desejo que o consome cada vez que ela sorri. Yuna, por sua vez, se vê dividida entre o amor puro que sentia por seu anjo de infância e a paixão avassaladora que cresce por esse homem misterioso, sem saber que são o mesmo. A lealdade é lei, e amor é fraqueza. Mas o destino parece ter outros planos. Porque, no fim, não é o inimigo que mais ameaça Ethan e Yuna é o fogo que arde dentro deles. Entre o dever e a paixão, entre a lealdade e o pecado, duas almas marcadas pela violência descobrirão que a guerra mais perigosa não está nas ruas... Está dentro deles.

Capítulo 1 Prólogo – A Flor e a Lâmina

"Algumas promessas não salvam. Elas apenas escolhem quem será destruído por último."

O Ceifador

O templo diante de mim era feito de pedra, silêncio e morte. As colunas antigas pareciam sustentar não só o telhado, mas séculos de sangue e segredos. O céu cinzento pesava sobre nós como um aviso, nada do que começasse ali sairia ileso.

Kenshi Takayama.

Hanna Takayama.

Os nomes deles ecoavam dentro de mim como o som de uma lâmina sendo puxada da bainha.

Meu mestre.

Minha quase mãe.

As duas pessoas que pegaram um garoto sem nada e o transformaram em alguém... ou em algo.

Agora eram urnas. Cinzas sobre seda vermelha, honra transformada em pó. E ainda assim, mesmo assim, meu peito não se dava ao luxo de quebrar em público.

Eu deveria chorar.

Um homem normal choraria, um filho choraria. Mas eu deixei de ser "normal" no dia em que encontrei os corpos dos meus pais mutilados numa viela escura, com o cheiro de ferro e medo grudando na garganta. Deixei de ser "filho" quando Kenshi me olhou pela primeira vez e viu, no lugar de uma criança, uma ferramenta em potencial.

Ele me deu abrigo, comida, treinamento, um propósito. E, em troca, arrancou qualquer coisa que lembrasse fraqueza.

Acontece que o coração entra na lista.

O general falava, com a voz grossa cortando o ar:

- Que seus nomes sejam lembrados com honra...

As palavras atravessavam o pátio como decretos. Anciãos ajoelhados, jovens guerreiros em linha, com os punhos cerrados e olhos baixos. A dor naquela família não era expressão, era juramento.

Ninguém soluçava, nem tremia ou caia de joelhos. Naquela família, quem desaba é enterrado junto.

Eu permanecia parado entre eles, a Yukata negra absorvendo cada raio de luz que ousava se aproximar. Nenhum brasão no peito, nenhum símbolo bordado. Eu não precisava ser reconhecido pela roupa. Eu era reconhecido pelo silêncio.

"Quando alguém não precisa exibir poder, é porque já domina tudo ao redor."

Era o que diziam.

Eu não dominava nada, mas era bom deixar que pensassem o contrário.

Meus cabelos, loiros demais para aquele mundo, estavam presos num coque firme. Era um lembrete constante de que eu não era dali, nem do sangue, nem da cultura, nem do idioma. Eu tinha sido enxertado à força na árvore dos Takayama e, ainda assim, poucas raízes eram tão profundas quanto as minhas.

O sino de bronze soou devagar, úmido, definitivo. Cada badalada parecia cimentar mais um pedaço do meu destino. O som reverberava nas pedras, nos ossos, no fundo da mente.

O general continuou, erguendo os olhos para as urnas:

- Que sua linhagem nunca seja apagada. Que a herdeira seja protegida... custe o que custar.

Custe o que custar... Interessante escolha de palavras.

Os presentes assentiram. Curvaram a cabeça, murmuraram e aceitaram.

Exceto eu.

Não porque eu discordasse, mas porque eu já era a resposta. Eu era o custo.

Se Kenshi quisesse sangue, era o meu que ele mandava.

Se precisasse de silêncio, era em mim que enterrava segredos.

Se quisesse vingança, era o meu nome que sussurravam.

O Ceifador.

Eu não nasci com esse título.

Eu ganhei com cada corpo que deixei para trás.

Então, quando o general falou em proteger a herdeira "custe o que custar", ninguém precisou olhar para mim, porque todos sabiam.

Até que o ar mudou. Uma mudança sutil, um deslocamento no silêncio. Como se alguém tivesse puxado uma linha invisível dentro do pátio. Foi quando ouvi passos suaves surgirem nas pedras.

Pequenos, precisos e irresponsavelmente determinados.

Eu não precisei olhar para saber quem era, porque eu já sabia.

Yuna... a última Takayama.

Ela caminhava desde o fundo do templo, onde antes, estava ajoelhada sobre um tatame branco. O quimono alvo engolia o corpo pequeno, as mangas longas quase tocando o chão. Parecia neve atravessando o campo minado.

Um ar perigoso demais para uma criança respirar, mas ela respirava.

Os cabelos negros desciam como tinta sobre os ombros frágeis, enfeitados com pequenas flores pálidas. E os olhos...

Azuis.

Uma anomalia naquele clã. A herança silenciosa de alguém que ousou misturar destinos. Olhos que não deveriam parecer tão antigos num rosto tão jovem.

Ela caminhou pelo corredor de pedras com a calma de quem sabe que o mundo inteiro está olhando e não se importa. Cada passo dela era acompanhado por dezenas de olhares que não ousavam intervir.

Eu a observei se aproximando, sem me mover. Um Ceifador não recua.

Quando a pequena mão dela tocou o tecido negro da minha yukata, senti um choque estranho. Não de dor, nem de medo. Mas de algo que há muito eu não sentia...

Vida.

Yuna ergueu a flor branca que segurava entre os dedos e por um momento, nossos olhos se encontraram.

- Pra quando o silêncio ficar pesado... - murmurou.

A voz era fina, doce, mas o que havia por trás dela não tinha nada de infantil. Era luto, coragem e um tipo de aceitação que ninguém da idade dela deveria conhecer.

Ela abriu a outra mão, revelando um doce de arroz.

- E o doce... pra quando o coração doer.

Eu deveria ter permanecido de pé. Inatingível, distante.

Em vez disso, minha barreira interna trincou. Uma rachadura mínima, mas suficiente para se tornar perigosa.

Eu me ajoelhei diante dela.

Os murmúrios ao redor engoliram o ar. O Ceifador de joelhos diante da herdeira, não como guarda-costas, não como súdito, mas como algo... que ninguém ainda sabia nomear.

Nem eu.

Peguei a flor primeiro. Depois o doce. Segurei os dois com mais cuidado do que já tive ao empunhar uma espada.

Yuna me encarava com o que só posso chamar de serenidade destinada. Não era calma. Era quase... certeza.

- Eu sei quem você é - ela disse.

Minha voz saiu baixa, áspera, mais metal do que carne:

- Sabe?

Um pequeno sorriso triste curvou os lábios dela.

- Mamãe dizia que quando o mundo ficasse escuro demais... o Ceifador viria nos guardar.

Um músculo tremeu na minha mandíbula. Não de raiva, nem de dor, mas de reconhecimento. Porque Hanna sempre soube o que

Kenshi tinha criado em mim. E, ainda assim, confiava.

Eu não deveria permitir que aquela menina me tocasse. Não aquela noite, não daquele jeito. Mas, quando ela deu um passo à frente e me abraçou, os braços pequenos envolvendo meus ombros, eu simplesmente... aceitei.

As mãos que foram treinadas para matar repousaram nas costas dela de um jeito que nunca haviam repousado em ninguém: protetoras, firmes, quase gentis.

Ela sussurrou, tão perto que o mundo inteiro desapareceu:

- Eu não quero ficar sozinha...

O pedido entrou em mim como uma lâmina invertida.

Eu fechei os olhos. Eu sabia o que significava prometer qualquer coisa num lugar como aquele. Prometer é assinar com sangue mas ainda assim, respondi:

- Você não estará...

Aquela frase, dita em voz baixa, não era consolo, era um contrato.

Ela me soltou devagar. O cheiro do incenso, das flores e do doce misturou-se ao perfume delicado do cabelo dela.

E antes de se afastar, nossos olhos se encontraram novamente e ela me perguntou:

- Posso te chamar de anjo?

- Sim... princesa.

Yuna sorriu e voltou a alguns passos de distância. Eu ainda estava de joelhos, com uma flor em uma mão e o futuro na outra.

Naquele instante, compreendi uma verdade simples e brutal:

Eu tinha sido criado para servir e matar pelos Takayama. Moldado para obedecer sem questionar. Para ser lâmina quando fosse necessário e sombra quando não fosse. Mas, a partir daquele momento, viver passou a ter um nome.

Yuna.

E eu soube, com a clareza cruel que só o destino oferece, que aquele nome jamais me libertaria. Porque o amor que nasce em meio a um funeral não é bênção. É um aviso.

Um dia, para cumprir a promessa feita à herdeira, eu teria que quebrar cada juramento que fiz ao pai dela. E qualquer escolha me colocaria em guerra.

Contra o clã. Contra o mundo. Contra mim mesmo.

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