“Esta foi a terceira vez que tentei me matar. Em todas elas, meu cunhado, Davi Almeida, me encontrou e me salvou. Mas então, eu encontrei o relógio dele, um Patek Philippe que eu havia encomendado para o meu marido, Heitor, que todos presumiam estar morto em um acidente de avião. A gravação na parte de trás dizia: "H&H, Para Sempre". Meu coração parou. Por que Davi estava com o relógio de Heitor? Um pavor gélido tomou conta de mim. Eu precisava saber. Precisava descobrir a verdade. Saí cambaleando do meu quarto de hospital e ouvi vozes na sala de espera. Era Karina, a noiva grávida de Davi, e uma voz masculina que eu conhecia melhor que a minha própria. Era a voz de Heitor. Espiei pela quina da parede. "Davi" segurava Karina em seus braços. "Heitor, e se ela descobrir?", Karina sussurrou. "E se ela perceber que você não é o Davi?" "Ela não vai", disse Heitor, sua voz fria e indiferente. "A dor dela é profunda demais. Ela vê o que quer ver." O homem que me salvou do suicídio, o homem que eu pensava ser meu cunhado, era meu marido. Meu marido, vivo. E ele me viu sofrer, me deixou afogar na dor, tudo pela noiva de seu irmão morto. Meu mundo inteiro tinha sido uma mentira. Uma piada cruel e doentia. Mas então, um novo pensamento, frio e afiado, cortou minha dor. Uma fuga. Eu seria forte o suficiente para destruí-lo.”