“Minha filha, Júlia, morreu nos meus braços. As palavras do médico foram uma sentença de morte: "Negligência severa. Desnutrição. Múltiplas lesões internas." Mas meu marido, o famoso coach de vida Juliano Moraes, não demonstrou luto algum. Ele emitiu uma declaração pública. Ele chamou Júlia de "criança desafiadora" e transformou a morte dela em uma tragédia sobre saúde mental, tudo para polir sua imagem de homem compassivo. Ele chegou a perdoar publicamente o garoto que a atormentava, o mesmo garoto que ele trouxe para nossa casa para ensinar "resiliência" a Júlia. Minha própria vida terminou em um incêndio, uma libertação final e violenta de um mundo que ele construiu. Enquanto as chamas me consumiam, eu não conseguia entender. Como o homem que eu amava pôde construir seu legado sobre o túmulo de nossa filha e as ruínas da minha vida? Então, eu abri os olhos. Os papéis do divórcio estavam sobre a mesa, a assinatura dele uma mancha preta e nítida. Eram anos antes. Antes do incêndio. Antes de Júlia morrer.”